les feuilles

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Felipe de Paula Lima

Muito prazer,

Felipe.

Nasci em Brasília, a cidade de concreto, feita para homens de concreto.

Morei no Rio de Janeiro por dois anos, depois em Santiago por nove meses. Depois São Paulo, de volta Rio, de volta São Paulo, agora por aí, em algum lugar.

Tenho 28 anos, sou jornalista. Ou narrador do próprio tempo, como prefiro. Ou ainda observador profissional.

Já fui atendente de padaria, atendente de protocolo, auxiliar de escritório, tesoureiro assistente, repórter de cidades e cultura, auxiliar de serviços gerais em spa para homens (rs), recepcionista em hostels, membro do coral da Sala Baden Powell e assessor de imprensa em escritório especializado em arquitetura, design e decoração; não exatamente nessa ordem.

Cantante (ouça meu primeiro single FLPE & Vei - “Rounds”, Youtube). Danço de forma esquisita. Tenho fé. Apaixonado por arte e por contato humano. À parte tudo isso, e sobretudo, escrevo.

Autor de Dentro da Pele, misto de ensaio e livro-reportagem sobre prostituição masculina em Brasília (disponível nas bibliotecas do Centro Universitário Unieuro) e As Nuvens Púrpuras, publicado na rede em limaofelipe.wordpress.com.

Atualmente, estudo escrita literária e dedico-me a escrever meu primeiro romance, além de dar andamento ao projeto/performance #PalavrasSóMudamPessoas pelas ruas do país (se você esbarrou comigo por aí, faça-me saber usando a hashtag :D).

Também me envolvo em projetos criativos em colaboração com outros artistas.

***

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Felipe de Paula Lima

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Um território além gay

Longa metragem Weekend e série Looking, ambas produções de Andrew Haigh, apostam em tom naturalista e relações gays para falar das inquietações de todos


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Há não muito tempo, assistir um filme com temática gay (lamento pela cacofonia) era certeza de enredos tristes, quase sempre trágicos. É que diferente da TV, onde personagens homossexuais são quase sempre estereotipados, cômicos, no cinema parecia haver uma seta que apontava para a direção oposta, com personagens torturados por suas condições sexuais e repletos de conflitos com as pessoas que os cercavam e a sociedade em geral.

De uns tempos pra cá, algo parece ter mudado. Acompanhando a evolução da sociedade, as artes começaram a retratar o cotidiano e as temáticas do universo gay de maneira mais próxima do real. Longe de não haver drama nas relações de descoberta da própria sexualidade ainda hoje, claro. Mas, na contramão da enorme onda de intolerância que se torna mais e mais perceptível quando se coloca holofotes sobre Bolsonaros e Felicianos, ou quando se considera as tristes notícias de ataques com motivação homofóbica, é notório que vivemos num espaço de tempo em que se tornou mais fácil ser quem é e viver a vida que se quer (poderia dizer sair do armário aqui, mas creio que já externei o quanto essa expressão me soa infeliz). Em outras palavras, enquanto ainda há muito o que falar sobre ser gay, há muito que já foi (ou deveria ter sido) superado.

É justamente esse universo dual que permeia o enredo do longa metragem Weekend, lançado em 2011, e da primeira temporada da série Looking, composta por oito episódios de vinte e cinco minutos cada, exibidos pela HBO. Ambas as produções contam com a mão de Andrew Haigh, um inglês de quarenta anos obcecado com a ideia de trazer à tona situações e personagens gays "autênticos e reais". Ele escreveu, dirigiu e produziu Weekend, aclamado na cena independente, e é diretor e co-produtor de Looking, parceria com Michael Lannan. Em comum, além de debruçarem-se sobre a vida de personagens gays, há o tom naturalista da narrativa.

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Há muito de interessante nas produções de Haigh. Existe uma predisposição em suas obras de falar com um público mais amplo, não limitá-las somente à audiência gay. Sobretudo em Weekend, que se concentra nos encontros de dois homens durante um fim de semana numa cidade sem nome. O jornal The New York Times definiu o filme como "uma das representações mais persuasivas e reveladoras do que é a sensação de estar vivo hoje". Entre sexo e drogas, Haigh trata de uma série de questões não apenas sobre ser gay na contemporaneidade, mas posicionar-se diante da vida e de si mesmo. À certa altura, um dos protagonistas, Glen, oposto do introvertido Russel, brada que precisa se "redesenhar". Por isso ele decide ir embora para a América e por isso ele quer novos amigos, que não tentem "roubar seu lápis". É umas das cenas mais relacionáveis do filme.

Glen está buscando descobrir-se como artista, tem firmes posições políticas, postura combativa e empenhada em não obedecer e agradar ao padrão heteronormativo, além de ideias particulares sobre amor e casamento. Russel cresceu em abrigos, não precisou sair do armário para os pais, porque nunca os teve, embora compreenda que esse talvez seja uma espécie de "rito de passagem". Sente-se "indigesto" quando está fora de casa e precisa lidar com o mundo lá fora. Nem feliz, nem triste, Weekend é como a vida, com pessoas buscando seus anseios e procurando se afirmar a partir deles. Esse talvez seja o principal trunfo do longa. A sexualidade é apenas parte do que forma o esqueleto desses personagens.

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O mesmo ocorre em Looking, cuja segunda temporada deve estrear no início de 2015. O enredo reúne três amigos entre os 30 e 40 anos vivendo em San Francisco, envoltos em tramas diversas, enquanto tratam de amadurecer. Exaustivamente comparada a uma espécie de Girls gay, a série ganha pontos, como em Weekend, pelos diálogos intensos e reveladores e pelo encantamento pelo cotidiano da vida de seus protagonistas. Não há ninguém saindo do armário em Looking ou sofrendo com o fato de estar atraído por alguém do mesmo sexo. Sem grandes dramas, a ação se concentra em manhãs no escritório, noites em casa, tardes no parque, um casamento, uma festa, uma noite de degustação, enquanto seus personagens falam de (e fazem) sexo, trabalho, envelhecimento, relacionamentos, falhas, desejos, inseguranças.

Ao mesmo tempo em que há essa universalização de conteúdo, esse material relacionável, há, por outro lado, uma intensa observação das particularidades da vida gay. A cena que abre o episódio piloto mostra Jonathan Groff, conhecido pelos trabalhos na Broadway e pela participação no seriado Glee, experimentando cruising num matagal. Há também conversas sobre ser ativo ou passivo, flertes em saunas, buscas por parceiros sexuais em aplicativos e coisas do tipo, em uma série de temas, ações e situações comuns para boa parte dos homossexuais, sobretudo homens.

Claro que mesmo com essa abrangência, nem Looking, nem Weekend agradam gregos e troianos. Diante de tamanha ambição, é natural que também deixem muito a desejar, seja com a padronização estética de seus personagens (pele clara, corpos em dia, cabelos sedosos), seja com a ótica das abordagens ou a falta dos dramas típicos. Paciência. Conta a favor dos criadores do programa o fato de ser uma narrativa em série, em que ajustes podem ser feitos de uma temporada para outra (ou simplesmente não), e de ser apresentado em um canal a cabo, onde se pode ter um pouco mais de liberdade de linguagem e conteúdo que certamente seria tolhida na TV aberta. Looking também ganha pontos pela excelente trilha sonora. Um gostinho pode ser sentido abaixo.

Conteúdo compartilhado com The B Box.


Felipe de Paula Lima

Muito prazer, Felipe. Nasci em Brasília, a cidade de concreto, feita para homens de concreto. Morei no Rio de Janeiro por dois anos, depois em Santiago por nove meses. Depois São Paulo, de volta Rio, de volta São Paulo, agora por aí, em algum lugar. Tenho 28 anos, sou jornalista. Ou narrador do próprio tempo, como prefiro. Ou ainda observador profissional. Já fui atendente de padaria, atendente de protocolo, auxiliar de escritório, tesoureiro assistente, repórter de cidades e cultura, auxiliar de serviços gerais em spa para homens (rs), recepcionista em hostels, membro do coral da Sala Baden Powell e assessor de imprensa em escritório especializado em arquitetura, design e decoração; não exatamente nessa ordem. Cantante (ouça meu primeiro single FLPE & Vei - “Rounds”, Youtube). Danço de forma esquisita. Tenho fé. Apaixonado por arte e por contato humano. À parte tudo isso, e sobretudo, escrevo. Autor de Dentro da Pele, misto de ensaio e livro-reportagem sobre prostituição masculina em Brasília (disponível nas bibliotecas do Centro Universitário Unieuro) e As Nuvens Púrpuras, publicado na rede em limaofelipe.wordpress.com. Atualmente, estudo escrita literária e dedico-me a escrever meu primeiro romance, além de dar andamento ao projeto/performance #PalavrasSóMudamPessoas pelas ruas do país (se você esbarrou comigo por aí, faça-me saber usando a hashtag :D). Também me envolvo em projetos criativos em colaboração com outros artistas. *** Se de alguma forma meus textos e minhas iniciativas tocam você a ponto de despertar sua generosidade, fique à vontade para colaborar com as loucuras que eu chamo de trabalho, depositando qualquer quantia usando os dados a seguir: Felipe de Paula Lima Caixa Econômica Federal Operação 013 Agência 0995 Conta Poupança 19204-2 *** Quer falar comigo? Escreva para [email protected]
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