letras vivas

Escrever é, antes de tudo, um grande prazer.

Nikolay Gonçalves

Sugerimos sempre que se aprofundem nos assuntos que lhes são apresentados, visto que o conhecimento tem um ponto de partida, mas não tem um ponto de chegada. E quanto mais sabemos das coisas, menos sabemos delas. Os espíritos esclarecidos sempre sabem mais que a gente... Leiam, apesar de qualquer coisa, jamais deixem de ler.

Quando um homem nunca morre: Elvis Presley e a eternidade de uma lenda

No próximo dia 8 de janeiro de 2015 Elvis Presley, se vivo, estaria completando 80 anos. Mesmo após tanto tempo passado de sua morte, Elvis continua sendo o ícone jovem que influenciou gerações por todo o mundo. Sua rebeldia adolescente o transformou numa figura mítica. Este artigo que comemora os 80 anos de Elvis Presley tem como finalidade entender por que Elvis continua, mesmo não estando entre nós, sendo uma diretriz referencial quando o assunto é música, moda e comportamento.


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Vamos fazer as contas: subtraindo 2015 de 1935, temos como resultado o número 80. 2015 menos 1977, é igual a 38. Obtivemos dois resultados das expressões anteriores: oitenta e trinta e oito. Ainda não entenderam esses resultados, amantes das letras? Tenham calma, eu os explico: o primeiro, oitenta, é o número de anos que – o mito – Elvis Presley, faria agora no próximo dia 8 de janeiro se ainda estivesse vivo (no sentido da matéria, é claro). O segundo, 38, representa o número de anos que já se passaram desde que ele – a lenda – Elvis Presley, deixou esta terra. Morreu (embora haja que defenda veementemente que ele não morreu) para voltar ao seu planeta de origem.

Em meu primeiro artigo para a “Obvious” eu poderia falar de muita coisa, muita mesmo: política, amor, sexo, problemas sociais, os nove desconhecidos e suas influências neste mundo etc; mas, ao invés de partir por essas vertentes tão em moda atualmente; verdadeiros clichês universais, eu decido, contrariando a regra, falar sobre um mito que nunca morre: Elvis Presley. A lenda imortal Elvis Presley. O menino pobre que virou rei; o rei que virou lenda; a lenda que jamais morrerá.

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Desde 1977 até hoje, muito se falou, se publicou, se especulou e se jurou usando o nome de Elvis Presley. John Lennon, ao falar sobre Elvis, disse: “Antes de Elvis não havia nada. Nós queríamos ser maiores do que Elvis porque ele era o maior”. Jim Morrison, o poeta vocalista do The Doors, proferiu as seguintes palavras sobre Elvis: “Elvis é sempre o melhor, o mais original. Ele começou a rolar a bola para todos nós”. Ainda no campo das citações, temos outro imortal da música, o icônico Bob Dylan, que sobre Elvis, disse: “Quando eu ouvi a voz de Elvis pela primeira vez eu sabia que não ia trabalhar pra ninguém e ninguém seria o meu chefe. Ele é o Deus supremo do rock in roll. Ouvir Elvis é como escapar da prisão. Eu agradeço a Deus por Elvis Presley...” Como se explica isso? Como um ser humano alcança um status tão elevado num século onde o mundo passou por duas guerras mundiais e a ameaça de uma guerra nuclear que se consumada teria levado a dizimação de meio mundo? Amantes das letras, nunca se esqueçam: determinadas coisas não têm explicação lógica.

Elvis Aaron Presley nasceu em 1935 e menos de 20 anos depois já despontava como um ícone mundial. Era apenas um garoto tímido e caipira, acostumado a uma vida difícil, de muitas privações econômicas e escassas chances de mobilidade social, porém, quando teve uma chance, se agarrou a ela como um náufrago se agarra a um pedaço de corda lançado ao mar pelos seus socorristas.

Aquele menino tímido, com sorriso único e uma voz que fazia tremer, ganhou o mundo sem jamais ter saído do seu país de origem para mostrar todas as suas capacidades musicais. Têm pessoas que nascem para desafiar tudo e todos, Elvis foi uma dessas pessoas.

A conservadora sociedade americana da década de 50’s ficou escandalizada com aquele jovem branco que cantava como um negro. Não apenas por isso: Elvis também fazia o que homem nenhum jamais havia feito: dançar e rebolar provocantemente: “Meu Deus, é o fim do mundo!”, gritavam escandalizados os setores conservadores da sociedade americana. Quem é este rapaz? Perguntavam-se curiosos. De onde ele vem? O que ele quer e que risco representa? É... Elvis realmente havia sido o escolhido por um motivo que até nos foge à compreensão. E fugia também à compreensão dele, do próprio Elvis, que até os últimos dias de sua vida costumava se perguntar o porquê de Deus o tê-lo escolhido para ser o que era, para representar o que representava e para presenciar multidões eufóricas gritando o seu nome e chorando pelo simples fato de tê-lo ao alcance dos olhos. Nem o próprio Elvis entendia porque ele era Elvis Presley... Isso foi um grande mistério em sua vida.

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O mundo se revelou tão atraente para aquele jovem rapaz que a arte da música o levou a pisar sobre outros terrenos artísticos, sim senhores, Elvis também deixou sua marca em hollywood. A famigerada hollywood, fábrica de sonhos, que era (lá na década de 50’s) e continua a ser o sonho de muitas pessoas no mundo. E meio que sem querer, Elvis foi apresentado ao maravilhoso mundo da sétima arte: o cinema. Elvis, dizem os seus biógrafos, nunca chegou a ser um excelente ator, no máximo bom, mas enquanto viveu entre os estúdios de hollywood chegou a ser sua maior estrela e a receber o maior salário entre as estrelas da constelação da sétima arte. Mas, Elvis logo se viu limitado por papeis de pouco destaque, reclamava que queria um papel onde pudesse mostrar todo o seu potencial como ator, queria ele um roteiro onde sua atuação não ficasse em segundo plano diante do seu poder vocal. Infelizmente Elvis não foi atendido. Os seus diretores estavam mais preocupados com as valiosas cifras que aquele prodigioso cantor atraía das multidões que iam ver seus filmes mais para ouvi-lo cantar do que vê-lo atuar. Não demorou muito e Elvis se cansou de tudo aquilo.

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De volta aos palcos, um pouco mais maduro, Elvis mostrou um novo lado seu. Aquele seu público da década de 50’s, composto em sua esmagadora maioria por jovens histéricos de cujas famílias viam em seu ídolo (que rebolava como não se devia rebolar uma pessoa decente) a encarnação do demônio e de tudo o que não agregava positivamente, foi se modificando gradativamente e sendo substituído por senhores e senhoras um pouco mais, digamos, comportados. Elvis crescia, já era rei do rock, título sempre contestado por aqueles que se agarravam à justificativa de que Elvis não tinha inventado o rock e por isso não merecia tal alcunha, mas o fato é que o próprio Elvis não se considerava rei de nada. Uma das muitas histórias que contam sobre seus feitos diz que durante um show, ao entrar no palco e ser recebido com gritos histéricos de “rei!”, Elvis simplesmente mandou a banda parar com a música de entrada e falou, fazendo o local ir do barulho ensurdecedor ao silêncio tumular, as seguintes palavras: “Eu não sou rei. Cristo é o rei. Eu sou apenas um cantor”.

Elvis fez uma carreira curta e brilhante. Como toda grande estrela, envolveu-se em polêmicas e viu sua imagem decair gradativamente. O Elvis Presley da década de 50’s já não era o Elvis Presley da década de 70’s. Não se comparava. Era outro. O garoto que havia ditado moda com um topete imitado pelos jovens do mundo inteiro e costeletas que modelavam seu belo rosto, tinha se transformado num homem mais maduro, consciente do que representava e fisicamente mais gordo a cada ano. A década de 70’s, que Elvis apenas viveu sete anos, até 1977, ano em que o mundo assistiu incrédulo a notícia de sua morte, mostrou um Elvis totalmente modificado.

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Em 1970, Elvis já era outro. Nos memoráveis shows que fez em Las Vegas, já demonstrava um amadurecimento cênico e vocal inigualáveis. Sua interpretação do clássico “Suspiscious Minds”, com toda a sua potência vocal sendo posta a prova com êxito, e com sua dança provocante e ousada, confirmou um Elvis Presley ainda mais “rei do rock’n roll”. Felizmente a tecnologia nos brindou com as imagens do Elvis desde o início de sua carreira até os seus últimos dias. Está aí o youtube que não me deixa mentir. Então, amantes das letras, se posso lhes dar um conselho, este é para que ao concluírem a leitura deste breve artigo sobre o aniversário de Elvis Presley que se fará no próximo dia 8 de janeiro, não hesitem em ir visitar o youtube em busca das boas imagens do Elvis interpretando “Suspiscious Minds”, a melhor interpretação desta música já feita até hoje.

Em 1972, Elvis já começava a se transformar fisicamente. Com um pouco mais de peso, não gordo, apenas diferente de quando surgiu, Elvis continuava levando grandes plateias por todo os Estados Unidos em seus grandiosos concertos musicais. Não atuando como anos antes, mas sendo apenas o surreal cantor que beijava as mulheres casadas em palco e arrancava suspiros de amor das jovens adolescentes, Elvis Presley foi o protagonista principal do documentário “Elvis on Tour”, que mostrou a grandiosa turnê que Elvis e sua banda fizeram pelos Estados Unidos naquele ano inesquecível. Estádios com lotação máxima todas as noites, bilheterias entupidas de dinheiro e Elvis, solto no palco, ainda impressionando, mesmo após alguns anos de seu “nascimento artístico”, cantava e dançava como se não houvesse o amanhã. “Elvis on Tour”, é bom que se diga, ganhou todos os prêmios possíveis naquele ano na categoria de melhor documentário.

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O apelo sexual de Elvis Presley ainda existia mesmo ele já não sendo o garoto que tinha “uma mola nos quadris”, e que havia surgido há alguns anos atrás. Elvis tinha tudo para dar certo, e deu. Beleza, carisma, sensualidade e o principal, talento. Elvis tinha tudo isso de sobra. Era uma estrela que iluminava tudo a sua volta. A coisa era tão surreal que as mulheres casadas queriam Elvis, as moças solteiras queriam Elvis, as senhoras de idade queriam Elvis a até os homossexuais queriam Elvis. A despeito de sua beleza única, ele mesmo ria, tímido dela.

Passado o espetacular ano de 1972, veio 1973 e então, segundo a manchete do The New York Times: “Elvis Presley havia superado sua própria lenda”. Essa manchete foi tornada pública por ocasião do lendário show que Elvis havia feito no Hawai. O "Aloha From Hawaii", primeiro show transmitido via satélite do mundo, que foi visto por mais de 1 bilhão e meio de pessoas em todo o globo, superando as visualizações da visita do homem à lua, ocorrida em 1969, até então a maior audiência da história da televisão mundial. Os números são impressionantes porque era a década de 70’s e não existia internet e o acesso à televisão era algo bem restrito para a grande maioria das pessoas. O youtube (é bom que se saiba) disponibiliza o show completo. Felizmente.

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No especial do Hawaii, Elvis vivia um momento singular profissionalmente, mas pessoalmente sua vida já dava sinais de um declínio que se acentuaria nos anos posteriores. Em 1973, ele já havia se separado do grande amor de sua vida, Priscilla Presley, a quem Elvis, embora sempre ausente por causa de compromissos profissionais, sofrera muito com o rompimento e com o desgastante processo judicial que a sua ex havia movido contra ele. Não foi um ano fácil. Para o Aloha From Hawaii Elvis fez um sério regime. Passou por um processo rigoroso para perder peso, coisa que não era fácil, pois como o próprio Elvis costumava declarar: “Era muito bom de garfo”. Mas ele conseguiu, emagreceu e apareceu triunfante na icônica jumpsuit (famosas roupas de Elvis Presley inspiradas em quimonos de caratê) branca com a águia americana desenhada em pedrarias. Elvis estava simplesmente belo: um rosto bronzeado na medida certa, um sorriso branco e apaixonante e uma presença de palco inigualável. Quanto à presença que o Elvis despertava quando chegava num ambiente, o famoso ator e comediante norte americano, Eddie Murphy, certa vez declarou: “Este é o meu ídolo: Elvis Presley. Ele é o maior artista que já existiu. Acredito que é por causa de sua presença. Quando Elvis Presley entrava na sala, Elvis Presley entrava na sala. Não interessa quem estava na sala, Bogart, Marilyn Monroe...”

Simplesmente um sucesso. Todos os meios midiáticos noticiaram o espetáculo que entrou para a história. Elvis havia mesmo se superado. Profissionalmente, o ano de 1973 foi incrível como jamais seria para Elvis Aaron Presley.

Mas, 1973 passou, e os anos posteriores até o seu triste fim não foram tão gloriosos como haviam sido desde o início de sua ascensão ao estrelato. Elvis engordou como nunca. E como consequência, passou a ter problemas de saúde por causa do excesso de peso. Aquele Elvis que dançava e rebolava de antes já não era o mesmo de agora. Pesado em palco, inchado pelo excesso de remédios que se habitou a ingerir desde 1972 por causa de dores que se queixava sentir, Elvis estava numa fase de metamorfose física. Diziam que ele costumava trocar o dia pela noite. Tinha uma insônia violenta que o fazia aparecer em público com enormes olheiras que causavam espanto. Cada vez saía menos de casa. Passou a viver recluso em Graceland – sua icônica mansão –. Parecia que Elvis estava a prenunciar o seu triste fim...

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1973 se foi, 1974 em seguida, depois 1975; 1976, e por fim o seu último ano antes de se tornar uma lenda... A despeito de 1977, o último ano de Elvis Presley nesta terra, muitos relatos sobre sua vida surgiram. Elvis continuava a fazer seus grandiosos concertos pelos Estados Unidos, atraindo cada vez mais público e despertando o falatório da crítica por sua cada vez mais irreconhecível aparência física. É bom que se diga que as críticas que o Elvis recebeu ao final de sua carreira sempre foram por fatores distintos ao seu talento vocal, visto que mesmo gordo e cansado, aparecendo cada vez mais irreconhecível em público, seu poder vocal nunca foi prejudicado. Parecia até que quanto mais o Elvis se deteriorava fisicamente, mais sua voz ganhava força e poder em suas interpretações. Era realmente uma voz inigualável. Mas o fim estava próximo...

Há quem diga que Elvis parecia sentir que não viveria por muito tempo. Chegando a confidenciar a alguns amigos que tinha a nítida impressão que não passaria dos 50 anos, e realmente não passou...

Por volta das 11 horas da noite do dia 15 de agosto de 1977, Elvis Presley saiu de Graceland e foi ao seu dentista particular. Já de madrugada ele retorna a sua mansão e como de costume não consegue dormir. Para passar o tempo, joga um pouco de tênis e toca músicas ao piano, indo dormir finalmente por volta das 5 horas da manhã, já em 16 de agosto. Segundo biógrafos, ele teria acordado por volta das 10 horas e teria ido ao banheiro de seu quarto para ler um pouco (foi encontrada uma bíblia aos pés de Elvis já caído no chão de seu banheiro). Sua morte ocorreu no final da manhã, em horário não precisado, no banheiro de sua suíte, em sua mansão Graceland, na cidade de Memphis, Estado do Tennessee. Elvis só foi encontrado morto por volta das 14 horas por sua namorada à época, Ginger Alden.

A autópsia revelou que Elvis morreu por ocorrência de um colapso fulminante associado à disfunção cardíaca. A notícia surpreendeu o mundo, causando uma comoção como nunca antes vista em nossa cultura. Fãs de todo o mundo peregrinaram para Memphis e se aglomeraram em frente à Graceland. As floriculturas da cidade venderam todos os seus estoques de flores. As linhas telefônicas de Memphis ficaram tão congestionadas que os responsáveis pela companhia telefônica pediram aos habitantes que só usassem o telefone em caso de máxima urgência.

Assim, triste e melancolicamente, terminou a trajetória de Elvis Presley nesta terra. Mas engana-se quem pensa que tudo acabou na fatídica manhã de 16 de agosto de 1977. Dali em diante o mundo jamais acreditou que Elvis Presley havia mesmo morrido. E chavões do tipo “Elvis não morreu” são repetidos até hoje pelos milhões de fãs de crescem e se multiplicam mesmo após passados quase 38 anos de sua morte. A coisa foi tão séria, que a antiga União Soviética, em atrito com os Estados Unidos pela Guerra Fria, noticiou a morte de Elvis Presley da seguinte maneira: “Morre a máquina de fazer dinheiro americana”.

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Fisicamente, Elvis morreu em 1977, mas seu legado continua a influenciar gerações de cantores por todo o mundo e segundo pesquisas, Elvis é o segundo homem mais conhecido da humanidade, perdendo apenas para Jesus Cristo. A constatação se deu sob a justificativa de que em qualquer parte do mundo que diga o nome “Elvis”, ninguém jamais dirá “Elvis o quê?”.

E a lenda se fortalece a cada ano. E o mito continua...


Nikolay Gonçalves

Sugerimos sempre que se aprofundem nos assuntos que lhes são apresentados, visto que o conhecimento tem um ponto de partida, mas não tem um ponto de chegada. E quanto mais sabemos das coisas, menos sabemos delas. Os espíritos esclarecidos sempre sabem mais que a gente... Leiam, apesar de qualquer coisa, jamais deixem de ler..
Saiba como escrever na obvious.

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