letras vivas

Escrever é, antes de tudo, um grande prazer.

Nikolay Gonçalves

Sugerimos sempre que se aprofundem nos assuntos que lhes são apresentados, visto que o conhecimento tem um ponto de partida, mas não tem um ponto de chegada. E quanto mais sabemos das coisas, menos sabemos delas. Os espíritos esclarecidos sempre sabem mais que a gente... Leiam, apesar de qualquer coisa, jamais deixem de ler.

O PERIGO DAS VERDADES ABSOLUTAS E A CÔMODA DEMONIZAÇÃO DE HITLER COMO EXEMPLO

Considero as "verdades absolutas" inimigas do homem esclarecido. É preciso ter cuidado em quem acreditamos. O mundo está cheio de influenciadores com más intenções. Cabe a nós interrogarmos tudo para não sermos papagaios de piratas que só repetem discursos prontos. O homem que não questiona não existe.


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Na Idade Média, a Igreja Católica de Roma, em nome do Cristianismo, fazia uso de imagens sacras com o propósito de “educar” os fiéis, que em sua esmagadora maioria eram analfabetos. Pelas imagens, aqueles que não sabiam ler e por consequência não liam a bíblia, se deparavam com imagens dentro das igrejas retratando as passagens bíblicas, dessa forma podiam entender o evangelho e assim manter-se firmes no propósito cristão católico. Mas a Idade Média passou, as pessoas se instruíram com o passar dos séculos e hoje, em comparação aquele período, o número de analfabetos no mundo caiu consideravelmente, sendo o uso de imagens com fins didáticos cada vez menos necessários. Se por um lado às imagens não são mais o único caminho para se entender certas lições, os exemplos surtem, atualmente, um efeito mais desejado. Se queremos mostrar a alguém o caminho certo a se seguir ou o caminho errado que não deve ser seguido, usamos de exemplos para fazê-lo. Por essa razão, utilizarei o exemplo de Hitler para mostrar o quanto devemos ser cautelosos quanto a certas “verdades universais” que costumamos consumir sem ao menos nos darmos ao trabalho de verificarmos os seus efeitos colaterais. Isso é muito perigoso...

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Fui buscar na história contemporânea uma situação em que o mundo sofreu e até hoje, 70 anos após o final da Segunda Guerra Mundial, ainda sofre, visto que a Guerra não terminou com o suposto suicídio de Adolf Hitler. Muito pelo contrário, a verdadeira Guerra, a guerra de influências e de manipulações, começou ali, quando da descoberta pelos soldados soviéticos do corpo carbonizado daquele que até hoje é considerado – injustamente é preciso que se diga – o maior assassino de todos os tempos.

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Acreditando ter sido traído por seus oficiais e pelo povo alemão, Adolf Hitler, segundo nos conta a história oficial, comete o suicídio em seu Führerbunker (esconderijo do Führer) em 30 de abril de 1945, com um tiro certeiro na têmpora direita. Ainda segundo as diretrizes da história oficial, o austríaco antissemita que adorava a Alemanha e a tinha escolhido para ser a sua pátria mãe, não passava de um assassino cruel e desalmado, responsável por levar milhões à morte em seus desejos gananciosos de expansão territorial através de uma guerra devastadora para o mundo. A história oficial nos diz tudo isso e ela, a mesma história oficial, nos esconde outros tantos casos que a ela convém ocultar pelo “bem da humanidade” e em nome dos vencedores que a escreveram. Mas é bom saber que nem sempre a história oficial é soberana e fonte da verdade inalienável, muito pelo contrário, a história oficial é pura e simplesmente a história dos vencedores, e os vencedores a escrevem como bem lhes convém.

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Não estou aqui para dizer que Hitler foi um incompreendido amante de sua pátria e de seu povo. Um benfeitor acima de qualquer suspeita e/ou um mártir injustiçado por suas próprias visões de mundo. Não estou aqui para isso. Mas é bom que se fique claro que existe, desde que Hitler assumiu o poder na Alemanha em 1933, e também mais incisivamente depois da sua morte em 1945, uma verdadeira força tarefa empenhada em demonizar a qualquer custo e sem medir esforços a imagem do ditador Nazista de visões extremas e de singulares pensamentos raciais.

Hitler não inventou o antissemitismo. Hitler não inventou as guerras. Hitler não foi o maior assassino da história. Hitler não foi o idealizador dos campos de concentração e passou longe de ser o “demônio” que se pinta desde 1945. O fato é que, pela história oficial, todas as suas chances de defesa foram brutalmente eliminadas quando sua vida foi ceifada naquele esconderijo subterrâneo. Quem morre não pode se defender, e quem sobrevive conta à história a sua maneira, simples assim. É preciso cuidado extremo para não se deixar levar por qualquer narrativa com intenções nebulosas e pouco límpidas. A verdade é que cada um têm sua própria visão de mundo e tenta, com intenções definidas, vender suas ideias para o maior número de pessoas possíveis, a fim de influenciar mentes e fazê-las enxergar apenas aquilo que lhes convém. Assim surgem os ditadores. Tenham cuidado.

Já nos diz o célebre professor britânico Ian Kershaw (considerado a maior autoridade em Hitler da contemporaneidade e autor da monumental biografia do ditador alemão):

“Hitler não teria sido possível sem o advento da Primeira Guerra Mundial”.

Isso é verdade. A Primeira Guerra Mundial fez nascer o Hitler que veríamos na Segunda Guerra Mundial. O cabo Hitler, mensageiro nas trincheiras, se tornaria, em poucos anos, o Führer amado e adorado pelo povo alemão. Foi, precisamos admitir, uma ascensão meteórica para um verdadeiro “zé ninguém” aspirante a artista.

A pergunta mais frequente em relação a Hitler é por que este não gostava (mas também podemos usar a expressão “odiava”) dos Judeus? Esta é uma pergunta comum que até hoje os historiadores tentam dar uma resposta ao mundo. Infelizmente jamais se entrou em um consenso a cerca desta questão crucial. O ódio aos Judeus, também conhecido como antissemitismo, não nasceu com Adolf Hitler. A Europa, muito antes da existência daquele que viria a ser o Führer (líder em alemão), já tinha sinais bem evidentes em sua cultura da intolerância antissemita. Os Judeus nunca foram bem quistos em várias partes do mundo. Ainda hoje, por incrível que possa parecer, o povo Judeu sofre com perseguições de grupos que os acusam das mais diversas calamidades possíveis pelas quais o mundo passa. Sendo assim, a Alemanha de Hitler sempre foi uma Alemanha antissemita.

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O Padre da Igreja Católica e responsável pela Reforma Protestante, Martinho Lutero, muito antes de Hitler nascer, ainda no século XVI, já pregava contra os Judeus da Europa, e em especial da Alemanha, seu país de origem. Lutero, como é de conhecimento de todos, sempre foi um feroz antissemita. Publicou, em 1543, um tratado intitulado “Sobre os Judeus e Suas Mentiras”, onde vociferava intolerâncias contra o povo Judeu. Declarações do tipo: “Eles (os Judeus) devem ser considerados como sujeira” e “Os Judeus são cheios de fezes do Diabo... Que eles chafurdam como um porco” nos dá uma pequena mostra do nível antissemita existente na Alemanha.

O antissemitismo é anterior a Hitler, e não uma criação sua como sugerem várias bibliografias tendenciosas que se sustentam pelo crime praticado pelos Nazistas que ficou conhecido como “Holocausto”. Hitler foi um célebre orador. Conseguiu influenciar milhões de pessoas em todo o mundo, mas, é bom que se saiba, ele também foi muito influenciado em sua vida. Lutero, inclusive, foi uma das pessoas que influenciaram Hitler, não se esqueçam. A propósito, Hitler chegou a declarar que “Lutero foi um dos três mais célebres alemães de todos os tempos”.

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É verdade sim, amantes das letras, Hitler deu declarações incisivas contra os Judeus antes e depois de chegar ao poder na Alemanha do século XX. Mas antes dele, muito antes dele, coisa de cinco séculos antes, Lutero, O Reformador, já havia dito coisas semelhantes, ou até piores, contra o povo Judeu. Mas, como é comum se ouvir, a história foi manipulada de maneira a se fazer acreditar que Hitler iniciou o ódio aos Judeus no mundo. Mentira da historiografia a serviço dos vencedores. Não acreditem nisso. Deem o exemplo de Lutero. Sejam justos agora que sabem.

Saindo dos Judeus e partindo para as mortes humanas causadas em nome do ditador Nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Assunto também bastante explorado pela mídia tendenciosa que se sustenta através da demonização de Adolf Hitler.

Pelo amor de Deus, sejamos racionais. Quanto aos milhões de assassinados em nome do Regime Nazista, não precisamos ir muito longe para exemplificarmos que Hitler, nem de longe, matou mais que qualquer outro sanguinário ditador. Foram creditados às contas do Nazismo algo em torno de 6 milhões de assassinatos. Há quem diga que o número foi intencionalmente inflacionado como estratégia de demonizar a figura de Adolf Hitler e a sua ditadura maligna. Bom, se foram mesmo 6 milhões de pessoas, mais do que isso ou menos, até hoje não se sabe ao certo. Certeza mesmo só temos a de que Hitler matou (e tomando como base a história oficial e as suas 6 milhões de mortes) bem menos, mas bem menos mesmo, que seu contemporâneo Josef Stalin. Gente, os números nem de longe se equivalem. Stalin, o sanguinário governante da antiga União Soviética, conhecido como o “O Homem de Aço” e carinhosamente chamado pelo povo soviético de “querido paizinho”, matou muito mais que Adolf Hitler. Stalin foi um verdadeiro psicopata perigoso e intolerante. Não que Hitler não tenha sido, isso não está em discussão, mas Stalin, o herdeiro político de Lênin e suas ideias comunistas assassinas, submeteu o povo soviéticos a duras penalidades mesmo antes da eclosão da guerra. O criminoso do Stalin foi parceiro de Hitler antes da eclosão da guerra e depois, já com ela em curso, lutou ao lado dos Aliados contra o ditador alemão, tendo, inclusive, papel central na derrota das forças do Eixo lideradas pelo austríaco antissemita. Os famosos campos de concentração nazistas não foram uma criação original de Hitler, muito pelo contrário, estes mesmos campos de trabalhos forçados já existiam na União Soviética de Stálin, e neles, todos os que se posicionavam contrários ao líder soviético eram enviados para lá com o propósito de trabalharem até a morte. Isso pouca gente fala...

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Hitler foi um pintor fracassado. Frustrado com a derrota alemã da Primeira Guerra, onde ele lutou como cabo mensageiro, descontou suas amarguras quando se tornou chanceler do Reich Alemão em 1933. É preciso abrir os olhos, amantes das letras. Todo o cuidado é necessário para não se consumir “verdades absolutas” da história contada pelos vencedores. Cautela nunca é demais.

Hitler arrastou o mundo para uma guerra de proporções devastadoras em nome de um “sonho ariano” ridículo e psicótico, mas não foi o único responsável por causar o caos na humanidade. Hitler foi sim um assassino, isso é inegável, mas outros assassinos até mais sanguinários do que ele já deixaram nesta terra o seu rastro de ódio contra uma população inocente.

Os Estados Unidos da América, um dos vencedores que escreveram a história que nossos filhos aprendem nas escolas, se gabam por serem uma nação amante da democracia e da liberdade, mas escondem seus feitos sanguinários na história. Só é preciso que nos lembremos do covarde ataque a Hiroshima e Nagazaki. Só é preciso que nos lembremos da Little Boy e da Fat Man, que ceifaram a vida de inocentes quando caíram em 1945, mas que até hoje seu rastro de destruição é uma realidade e serve de exemplo para o mundo. Vingativa e covarde essa nação que se diz democrática, não acham? Pois é. É preciso ter cuidado com o que lhes dizem e com o que você entende.

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Hitler não prestou, mas ele não foi o único a não valer nada. Para o seu completo azar, ele perdeu a guerra a sua chance de defesa, mas se tivesse ganhado, talvez hoje ele fosse uma figura histórica amada em todo o mundo, venerada e retratada nos livros de história como “um homem a frente de seu tempo”. Seria esta a verdade absoluta que todos nós acreditaríamos.


Nikolay Gonçalves

Sugerimos sempre que se aprofundem nos assuntos que lhes são apresentados, visto que o conhecimento tem um ponto de partida, mas não tem um ponto de chegada. E quanto mais sabemos das coisas, menos sabemos delas. Os espíritos esclarecidos sempre sabem mais que a gente... Leiam, apesar de qualquer coisa, jamais deixem de ler..
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