libertinagem literária amenidades de uma vida urbana

movimentos fixos em pensamentos aleatórios

Roberta Iza Grau

Em Roma, COMA como os romanos

Em uma viagem precisamos ter duas coisas abertas: a mente e o estômago, uma vez que, quando estamos fechados para o novo não aproveitamos o que o local tem a nos oferecer. Partirei do pressuposto que os viajantes já estão com a mente aberta e o novo os encanta, sendo assim, o segundo diafragma a ser aberto é o estômago, pois, ele pode ser um fiel aliado ou um terrível inimigo, uma vez que a alimentação numa viagem é algo que pode fazer do passeio algo lindo ou terrivelmente desastroso.


20150303_145440.jpg Bandeja paisa

Diante da infinidade de assuntos do qual eu poderia discorrer acabei ficando quase dois meses sem escrever, afinal, sou do tipo de pessoa que diante de muitas opções fica parada apenas observando e esperando o momento em que uma delas irá gritar: Ei! Olha pra mim!

Pois bem, aqui estou!

Acabei de realizar uma viagem incrível pela Colômbia, coloquei meus pés em locais igualmente incríveis e também conheci pessoas que merecem o mesmo título, mas diante dessa paleta de cores procurei algo para falar, uma vez que poderia escrever um livro apenas com essa viagem.

É interessante que ao pisarmos em locais nunca tocados por nossos queridos pés sejamos curiosos o suficiente para descobrirmos como as pessoas locais vivem, o que fazem e não menos importante, O QUE COMEM, e será sobre esse prazer inenarrável que dedicarei este escrito.

20150226_134044.jpg Bandeja de res

Defendo uma teoria que não é minha, mas que já faz parte do meu ser - em uma viagem precisamos ter duas coisas abertas: a mente e o estômago, uma vez que, quando estamos fechados para o novo não aproveitamos o que o local tem a nos oferecer. Partirei do pressuposto que os viajantes já estão com a mente aberta e o novo os encanta, sendo assim, o segundo diafragma a ser aberto é o estômago, pois, ele pode ser um fiel aliado ou um terrível inimigo, uma vez que a alimentação é algo que pode fazer do passeio algo lindo ou terrivelmente desastroso.

Respeito as pessoas que não conseguem comer de tudo, mas de antemão digo que fico com pena, pois nada é tão prazeroso que pisar em terras estranhas e pedir ao garçom – por favor, me de o prato da casa, e após alguns minutos ser surpreendido com as mais diferentes comidas, com as inusitadas misturas e com as possíveis semelhanças.

Defendo a comida de rua, aquela que tem um senhor já com idade avançada preparando, do qual você olha e o seu cérebro e estômago juntos não conseguem distinguir o que seria aquela gororoba, que, muitas vezes tem um aspecto não muito agradável, mas com cheiro e sabor hipnotizantes.

Independente da cidade que está sendo visitada, os mercados municipais precisam obrigatoriamente ser visitados, conhecidos e apreciados, já que eles reservam tesouros maravilhosos a um preço camarada. Suas frutas são selecionadas e estão ali, em alguns casos prontas para serem provadas, eu, por exemplo, não ligo de comer a mesma fruta que aqui no Brasil tem aos montes, mas que lá fora tem um nome pomposo e custa o olho da cara e está ali, sendo oferecida gratuitamente para prova, então só me resta uma coisa, comer!

Bogota_Market2.jpg Mercado de Bogotá

Devido as minhas libertinagens gastronômicas já fui acometida por diversas intempéries e, devido as mesmas aprendi a comer, ou melhor, aprendi a olhar o que como, e aonde como e a selecionar o que provarei primeiro e por fim o que deixarei para depois. Desta forma, aconselho aos meus amigos que, em terras estranhas, coma primeiro o mais leve e deixe para os últimos dias os pratos nível hard e tenha consigo SEMPRE remédios para mal estar gástrico – a gente nunca sabe!

Em Roma, coma como os romanos, não saia do seu país para comer o que aqui comemos todos os dias, crie uma memória olfativa relacionada à comida, crie o delicioso hábito de associar comida aos locais que já passou, pois é incrível depois de algum tempo ser arrebatada por aquele cheiro/gosto e ser levada instantaneamente a uma determinada praça, numa época remota e lembrar-se de um dia em especial. Use a comida como signo, tomo a liberdade de dizer que a comida é um ótimo signo a ser usado, talvez nem Décio Pignatari tenha pensado na comida como botão capaz de levar uma pessoa de um lugar a outro de forma tão rápida.

Aproveite sem medo (clichê), não deixe de ter suas experiências gastronômicas por temer o gosto ou até mesmo por nojo, costumo dizer que quando éramos crianças colocávamos tudo na boca, inclusive coisas inapropriadas ao consumo, éramos livres do pré-conceito e em poucos casos tínhamos nojos, então, liberte-se, volte a ser criança pelo menos em suas viagens.

arepa.jpg Arepa é amor e eu comi!


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