luciana chardelli

As coisas mais importantes são banais.

Luciana Chardelli

Apaixonada por duas xícaras de café nublado em dias fortes.

Até que a Arte nos salve

Dois homens olharam através das grades da prisão;
um viu a lama, o outro as estrelas.
- Santo Agostinho -


Herança.jpg Herança (óleo/acrílica sobre tela 50x80cm) "Sociedade que não enxerga a importância das coisas, dos pensamentos, das artes, das livres escolhas, dos seres vivos... Fábrica social de seres invisíveis, onde homens, mulheres e crianças são tratados como sacos ou entulhos espalhados nas ruas. Em anos de empobrecimento comum, o homem vivência inconscientemente uma situação e acaba por transformá-la em realidade sem que sua consciência filtre, atrofiando assim a sua percepção, germinando uma nova realidade. O que herdamos e o que deixaremos?" Adriano Carnevale Domingues

Herança do latim haerentĭa; coisas vinculadas, pertences.

Perder do latim perdo,is,dĭdi,dĭtum,ĕre; perder, deitar a perder, causar a perda de, destruir, arruinar. Aquilo que se encontra em estado de desorientação; que desconhece o caminho.

O que herdamos sem experiência e guardamos em nosso caminho? Perpetuamos o perdido. Vivemos em uma sociedade ofegante e estrábica. Temos pressa. A pressa é a característica do que é ligeiro; o que é ligeiro dura pouco, não se detém por muito tempo, se torna imperceptível, mal se ouve, vê ou nota. Temos pressa de ver, mas não vemos porque não detemos o olhar. Temos pressa de aprender, mas não aprendemos porque não sabemos mais ouvir. Ouvir é pausar.

Vivemos para esticar o tempo e acomodar a maior quantidade possível de sensações prazerosas no nosso dia, na nossa semana, no nosso mês, no nosso ano; não podemos perder oportunidades, como o Coelho de Alice temos pressa; vivemos exaustos. O tempo escorre de qualquer maneira, o que muda é a forma como permitimos este passar do tempo.

Desperdiçamos solidariedade e vínculos em nome da disputa, vivemos tempos de afluências e estamos cegos de tanto ver. Com tantas informações disponíveis desenvolvemos uma capacidade seca de filtrar as indesejadas.

Adriano Carnevale Domingues concebeu a série “Até Que a Arte Nos Salve”, debruçado sobre gritos sociais, Adriano, espalha sobre a cidade de São Paulo; parques, ruas e avenidas, pinturas a óleo sobre tela cuja imagem nasce de uma reflexão literária, as telas são acompanhadas por textos - “O texto como parte e formação da imagem de cena, já que a pintura, direta e solitária, dialoga com o título impresso, sem segundo plano pictórico” - fotografadas e impressas em lona de 2,50x 3,00. Seus trabalhos desacordam a cegueira social, ainda que por instantâneos minutos, enquanto caminha-se apressadamente pelas ruas de São Paulo.

Bala-Perdida.jpg Bala perdida (óleo sobre tela 70x90cm) " Carlos Henrique, 15 anos, estava em um ônibus para passar o final de semana com seu avô viúvo , quando foi atingido...
Clarice, 33 anos, esperava seu primeiro filho após anos de trabalho e planejamento, quando foi atingida a caminho do trabalho...
Eduardo, 52 anos, foi atingido em seu carro devido a proximidade de um assalto no trânsito...
Janaína, 63 anos, foi atingida enquanto dormia em seu apartamento milionário.
Tatiana, 19 anos, acaba de conseguir uma vaga na companhia de balé do Teatro Municipal, mas...
"Somos todos Sua imagem e semelhança"... e não números de uma estatística." Adriano Carnevale Domingues


Luciana Chardelli

Apaixonada por duas xícaras de café nublado em dias fortes..
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