luciana chardelli

As coisas mais importantes são banais.

Luciana Chardelli

Apaixonada por duas xícaras de café nublado em dias fortes.

As Brasas. Sándor Marái

Como se sentia estrangeiro entre todos, as perguntas mais importantes sempre foram respondidas tempos depois, solitariamente, sem emitir um único som, poderia dizer, num ato. L.C


“ O instante em que o homem é mais culpado não é necessariamente aquele em que levanta a arma para matar alguém. A culpa vem primeiro, a culpa está na intenção.” Sándor Marái - As brasas.


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Um de meus livros preferidos, meu exemplar é todo sublinhado, As brasas tem como questão dois objetos: a intensa amizade entre dois homens e uma presumível traição. É um romance sobre a paixão, a amizade e a honra. O protagonista em sensíveis reflexões avalia a vida, o amor, a paixão, a lealdade, o envelhecer.

Há rompimentos que se contemporizam tal qual uma insônia. Existir é continuar a ser, por isso há rompimentos que são em si a extensão de um relacionamento.

A amizade deles era séria e silenciosa como todos os grandes sentimentos destinados a durar uma vida inteira. E como todos os grandes sentimentos, também continha certa dose de pudor e de culpa. Ninguém pode se apropriar impunemente de uma pessoa, subtraindo-a de todas as outras

As relações são todas muito delicadas, feitas de nuances, pequenos detalhes que por vezes são dolentes e preferimos não perceber ou se o fazemos deixamos quietos como se certas coisas pudessem adormecer como sono de criança em colo de mãe; e uma esperança, não tola, mas ingênua, nos invade; esperança de que após essa miopia intencional tenha à mesa de nossas vidas, cereais, mel e sorrisos.

Sempre sabemos qual é a verdade, essa outra verdade que se esconde atrás dos papeis que representamos, das máscaras, das circunstâncias da vida.

Muitas vezes temos o fato, mas não queremos o fato. Queremos a explicação do fato, o motivo.

O que se pode perguntar com as palavras

Em alguns casos há uma obsessão em exumar a dor, porque não nos basta aceitar, aceitar em determinados casos, para aquele que sente, é submeter-se. Ao exumar fatos que nos causam dor acreditamos, em vão, que temos novamente o domínio, não a posse, mas o domínio, o controle. Com o tempo percebe-se justamente o contrário, o domínio de um fato é apenas o domínio de um fato, o que não necessariamente significa estar livre do fato que queremos esquecer. Só conhecemos de verdade o que superamos. Ser livre é abrir os braços. Abrir os braços para que a realidade apenas continue a ser o que é.


Luciana Chardelli

Apaixonada por duas xícaras de café nublado em dias fortes..
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