luciana chardelli

As coisas mais importantes são banais.

Luciana Chardelli

Apaixonada por duas xícaras de café nublado em dias fortes.

Tão perto tão longe

Coisas que eu não sabia sobre o Facebook.


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Assim que você começa a usar uma destas redes sociais tudo parece assaz divertido, você reencontra velhos amigos, conhece novos; descobre que você estava linda naquela foto dos anos oitenta, mesmo estando de aparelho nos dentes e muitas espinhas na testa, bom pelo menos foi o que todo mundo escreveu.

Fica sabendo das últimas do seu ex; abraça algumas causas, confirma presença em mil e uma festinhas que fatalmente você não irá; cria um evento de aniversário e convida 35 dos seus 634 amigos; descobre que a sua amiga é amiga da ex da sua prima, e que seu chefe conhece o primo da sua mãe.

Descobertas fantásticas, mas como em toda relação, sim você está em um relacionamento sério com uma rede social, você percebe que depois do início vem o meio e se bobear o fim. Você começa a perceber que saber das últimas do seu ex pode ser tão entediante quanto ler a Seleções Reader's Digest no consultório do dentista: Mais do mesmo e no fundo, no fundo, você não está interessado, mas já que está ali, vamos folhear. Percebe com uma certa frustração que aquela pessoa que você tanto se orgulha de ter no seu rol de amigos do facebook não está nem ai pra você, assim como você não está nem ai para ela. Talvez vocês se encaixassem melhor na dica Facebokiana de: “pessoas que talvez você conheça”. Talvez mesmo. E então fica quase burlesca sua lista de 634 amigos, porque seus amigos são aqueles de sempre: os que estavam quando tinham de estar.

Percebe também que na sua mesa de cabeceira jaz quatro livros que você não leu por falta de tempo, e aquela frase que você repetiu para seu filho semana passada não é da Clarice Lispector, mas da sua mãe.

Lamenta não ter entendido a tempo que interpretação de texto aprende-se com o coração e que aquela vírgula ou ponto de exclamação mal colocado pela sua amiga eram apenas sinais de pontuação e não um tom de voz imperativo. E que seu irmão escreve em caixa alta não porque ele está gritando, mas porque ele está sem óculos. E aquela foto que você postou com seu atual namorado parece com aquela outra foto que um dia alguém postou e partiu seu coração. Hoje talvez haja um outro alguém com o coração partido também.

Por fim percebe que até em uma rede social precisamos de verdades: amigos e conhecidos de verdade, respostas de verdade. Verdade no sentido bonito da palavra. Alétheia, desvelando-se, negando o dissimulado, pertencente mais ao ser do que a palavras ensinadas. Você conclui que para todo o início há um fim e que o fim vai depender muito do meio, então, você fecha o computador e liga para aquele velho amigo, aquele que não curtiu sua última postagem, mas te visitou quando você estava péssimo.


Luciana Chardelli

Apaixonada por duas xícaras de café nublado em dias fortes..
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