luiz antonio mello

Jornalismo, Cultura, Comportamento

Luiz Antonio Mello

Quando Bob Dylan e Joan Baez se tornaram inimigos RADICAIS

Joan Baez não tinha nada com sexo, drogas e rock and roll e só suportou ficar com Bob Dylan porque achava que sua carreira poderia levar alguma vantagem com a parceria. (...) Dylan deu o golpe final no folk, mas salvou Baez, passando a carregá-la para cima e para baixo, embora ela mesma pensasse que era ela quem carregava Dylan.


BLOG DYLAN E BAEZ 1.jpg Tempos atrás recebi um texto com uma entrevista de Joan Baez (fez 74 anos dia 9 de janeiro) a um site de celebridades dos Estados Unidos onde ela toca num assunto que todo mundo achava que já estava mais do que resolvido: o seu rolo com Bob Dylan (74 anos em 24 de maio). Os dois se apaixonaram e ficaram juntos entre 1963 e 1965. Tempo pra caramba. Os mais ardilosos dizem que Joan Baez tornou-se eternamente famosa após ter sido usada por Bob Dylan como trampolim para o estrelato dele. Ela era famosa antes disso, mas de um sucesso destinado a desaparecer junto com a então moribunda música folk. Nessa época, Dylan deu o golpe final no folk, mas salvou Baez, passando a carregá-la para cima e para baixo, embora ela mesma pensasse que era ela quem carregava Dylan. Ela amava Dylan (amigos afirmam) e Dylan...não se sabe o que ele sentiu por ela.

Joan Baez parece não ter varrido plenamente Bob Dylan de suas memórias. No filme “No Direction Home”, de Martin Scorsese, é possível atestar todo o rancor de Baez em relação a Bob Gozado é que quando ela esteve no Brasil, em maio de 1981, quando a ditadura a proibiu de cantar sob a alegação de que era subversiva, depois da entrevista coletiva no Rio ficamos conversando noite a dentro.

Ela descasca bem um espanhol e lá pelas tantas falei de Bob Dylan. Ela ficou muda, visivelmente desnorteada. E depois disse que não gostaria de tratar de assuntos mais desagradáveis do que as censuras brasileira, argentina e chilena; ela foi proibida de cantar também no Chile e Argentina. No texto que recebi, ela diz que Bob Dylan foi dissimulado e levemente mau-caráter com ela. “Logo que nos conhecemos ele falava até em casamento, mas na semana seguinte ficava tocando violão, fumando haxixe e maconha, olhando para o teto como se eu não estivesse ali”.

O curioso é que numa das vezes em que esteve no Brasil (quando se apresentou no antigo Imperator, no Méier, anos 90 eu acho), o cronicamente mal humorado Dylan, que não queria dar entrevista, saiu do carro andando em frente ao hotel e eu perguntei “about miss Joan Baez, what...”. Não passei daí. Ele parou e me torrou com o olhar e seguiu em frente.

Um amigo meu, que não vejo desde os anos 80, grande conhecedor de música folk dizia que o caso de Dylan e Baez protagonizaram o velho “amor de pica, onde bate fica”. Eu sempre discordei dele porque a Joan, antes de namorar Dylan, era fã do cantor e a questão aparentemente não passava por ingredientes fálicos. Acho que fui ingênuo.

Ela não superou o pé na bunda dylaniano até hoje, apesar de inúmeras vezes ter sido vista sorrindo ao lado do músico em diversas ocasiões depois do barraco entre os dois. A reação dela na minha frente quando falei de Bob Dylan foi outra demonstração de que o cara deve ter feito uma lambança das grandes. Meu amigo me dizia, ainda, que Dylan fez de Joan tangerina, chupou e depois jogou o bagaço fora. Será? Não sei, mas que existe um tufão entre ela e ele, isso há.

Por falar em Bob Dylan e o segundo volume de suas “Crônicas”? Iam ser três livros, saiu um, mas o segundo e o terceiro volume, nada. Nem lá fora. O que terá acontecido?

É. Esquisitão esse cara.


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