luiz antonio mello

Jornalismo, Cultura, Comportamento

Luiz Antonio Mello

Relendo a autobiografia de Pete Townshend, pai de Tommy, pai de Quadrophenia, pai do The Who

Publiquei uma resenha precipitada enfiando o cacete no livro e em alguns momentos afirmei que Pete Townshend se mostrou dissimulado, sinuoso e escorregadio ao descrever vários temas e situações. Publicamente, volto atrás.


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Quando a autobiografia do líder do The Who saiu no Brasil, em outubro de 2013, devorei as quase 500 páginas rapidamente. Li ansioso, curioso, faminto de informações sobre este músico que é um de meus heróis e que, pela primeira vez, tornou pública parte de sua vida. Publiquei uma resenha precipitada enfiando o cacete na biografia, e em alguns momentos afirmei que Townshend se mostrou dissimulado, sinuoso, escorregadio ao descrever vários temas e situações. Por exemplo:

"Townshend é um gênio? É. E quem está falando não é um fã, mas um jornalista e radialista, um reles técnico. Seu livro é bom? Mais ou menos. Esperava muito mais. Ele empurrou muita coisa privada abaixo (corte de 500 páginas? Falhas na edição brasileira?), inclusive uma abordagem mais profunda de “Quadrophenia” que é tratado quase que a meia bomba, ao contrário de “Tommy”, citado página sim, noutra também. Outro injustiçado é seu álbum-solo “Empty Glass”, um dos melhores discos da história do rock. Townshend prefere ficar enchendo nosso saco tentando convencer que “Iron Man” e “Psychoderelict” são sensacionais (não gosto desses discos) e que sua mulher Rachel é um gênio musical incompreendido. No primeiro semestre do ano que vem lerei de novo. Espero traduzir o confusionismo townsheniano e, quem sabe, descobrir mais informações relevantes neste labirinto editorial que é o livro de Peter Dennis Blanford Townshend.”

Estou na releitura do livro e, de fato, muitos pontos ficaram mais claros agora que leio devagar, mais atentamente. Por exemplo, ele encheu a bola de Quadrophenia sim. O que eu não tinha percebido na primeira leitura é que ele entra e sai no tema Quadrophenia várias vezes e praticamente declara abertamente que acha esta ópera-rock o melhor disco do Who.

Vacilei também ao dizer que ele não valorizou seu álbum-solo “Empty Glass”. Ele fala muito, e muito bem do disco. Ou seja, o que na correria da leitura inicial entendi como dissimulação na verdade é um estilo de escrita subjetivo, indireto, porém, com todos os elementos. É um sujeito extremamente irônico (quase debochado) e muito inteligente daí o abuso de sutilezas e piadas que muitas vezes parecem meias verdades. Em suma, vale a leitura. É um livro de Pete Townshend sobre Pete Townshend, sobre o Who, sobre afeto, rock, vida, mundo, mar, praia, conflitos, drogas, bebidas, enfim, existência desse bardo de 70 anos que segue cumprindo a sua sina. E que sina!


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