Ybine Dias

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O Enigma da Pintura em Paul Cézanne

É a sua existência que o artista expressa em tela. Cézanne evidencia em suas pinturas, sua solidão, sua melancolia, sua evasão do mundo humano, seu ser esquizoide, contempla a natureza. A natureza sem qualquer evidência humana. É a sua percepção e relação com o mundo que o artista almeja exprimir. A sua singularidade é o que há de mais expoente para a arte que se aflora no século XX na frança.


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Paul Cézanne foi um pintor impressionista que viveu até o início do século XX. Seus trabalhos serviram de bastante referência para a arte que estava prestes a nascer na modernidade na frança. Viveu sua infância na cidade Aix-in-Provence, mas decidindo tornar-se pintor e duvidando sobre sua capacidade como artista, vai á Paris em que entrará em contato com mais artistas.

Cézanne sempre trabalhou sozinho, sem alunos. A sua pintura era sua maneira de existir. Sua vida fora marcada e envolvida por sua melancolia e cólera que permeava a sua vida inócua, instável, indecisa. Pinta na tarde em que sua mãe morre. Não é admirado por parte da família. Ao envelhecer acreditava que a sua pintura era fruto apenas dos distúrbios visuais que perseguiam seu corpo. Duvidava do seu talento e da genialidade que o transbordava, pois as circunstâncias e as reviravoltas da vida, não permitiam o reconhecimento de suas produções. A fraqueza e a baritimia o perseguiram no percurso de sua vida. Quando se mudou para Paris, decidindo ser pintor, escreve “Não faço mais do que mudar de lugar e o tédio me persegue”. Não conversava, pois não sabia argumentar. Preferia a solidão. Encontrar os amigos em Paris, quando via casualmente algumas vezes, apenas os cumprimentavam à distância evitando conversas prolongadas. “A vida assusta”, dizia Cézanne.

Suas pinturas estão envolvidas de todo traço de sua personalidade, da maneira de como poderia perceber e ver a vida. A característica peculiar de sua pintura “direta da natureza” é derivada da instabilidade de Cézanne quanto aos humanos. Volta-se a observação da natureza, como cor, profundidade, e todos os aspectos que envolvem técnicas de pintura. O visível para ele será apenas no âmbito natural. A natureza é o que pretende observar. Sua personalidade o fez fugir do mundo essencialmente humano, “a alienação de sua humanidade”. E se inclina essencialmente a natureza.

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Apesar de ter obtido forte influência do impressionismo, Cézanne rompe com o movimento. Pois esse determinava os modos de como os objetos afetavam a visão do artista que o percebia. Enquanto os impressionistas queriam representar os objetos em tela com a mesma vivacidade de cores e propriedades que é visto na atmosfera, como, reflexos, cores que mudam de acordo a luz atmosférica, respeitando a ligação entre a luz e o ar. Cézanne queria demonstrar os objetos por trás da atmosfera, ele toma a natureza como modelo e em tela quer representá-la um pedaço dela.

Paul Cézanne não se preocupou em partir na elaboração de suas obras, seguindo aspectos fixados como modos de observação pelos impressionistas ou pela pintura tradicional, o laço entre sensibilidade e inteligência. O próprio almeja uma visão própria em relação à natureza, uma ótica lógica. Almejava a fusão, um contraste entre sensibilidade e inteligência. A arte para ele é uma visão pessoal, direta do mundo, enquanto a inteligência ajuda a organiza-la em obra. Cézanne deseja voltar-se a natureza, onde existe uma ordem das coisas. Uma natureza viva e que o homem ainda não interferiu. Somente após o uso da inteligência sobre a natureza é que surgem as ciências e as ideias. É a natureza primitiva que Cézanne quer pintar. A natureza na qual o homem ainda não interferiu. Por isso as suas pinturas constituem de um vazio humano, consiste em uma natureza primordial onde a inteligência ainda não se instalou.

O enigma da pintura, a percepção de mundo que Cézanne obtém é sustentando pelos traços de sua personalidade. Evasão do mundo humano e a volta a retratação da natureza visível. Embora uma natureza primitiva, uma natureza em ordem antes da intervenção do homem e da inteligência e da fomentação da ciência sobre a natureza. A sua arte, assim é fruto da sua essência.

O enigma da pintura se instala, seja em qualquer tempo da história da humanidade, seja em qualquer civilização, ou em qualquer religião, a pintura sempre se voltará aos problemas da visibilidade. Ela é fruto do processo de visão do mundo, em que o corpo se volta às coisas deste. O corpo que é visível e vidente se percebe, mas as coisas do mundo que ele ver com olhos carnais, o artista transforma em pintura. Uma exteriorização do interior, visto que o corpo individual possui a sua própria ótica interior das coisas que constitui o ser.

É com a visão que o pintor cria suas obras. Quando um pintor pinta uma tela, ele apenas pinta o que já fora alguma vez visto por ele. Só é passível de ser pintado o que os olhos da carne já viram. O que o faz meramente pintor é a inclinação de constituinte do mundo a partir dos olhos e apenas do que é visível, somente o que é despertado na visão das coisas do mundo tonar-se arte. A pintura é uma mesclagem do ser, visto que ao pintar em tela as coisas do mundo que é prolongamento do corpo, é assim, retratar todos os aspectos do ser. É retratar a união entre o sujeito que ver o mundo e o objeto, que com Merleau-Ponty, rompe a visão tradicional.

Dessa forma, os problemas dessa existência visual é a construção de uma teoria mágica da visão. O que como o pintor artista se pretende é projetar em tela o que nele se ver. Suas fascinações consistem em capturar o mais peculiar possível do que é visto, contribuindo para seu ressurgimento. O pintor pinta para na tela reconhecer-se como vidente e visível. Portanto, o homem cria a arte, nesse caso pinta, para nela reconhecer as instâncias do ser, do olho que ver e do espírito que cria e reflete.


Ybine Dias

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