mais além do mesmo

pensamentos, idéias, construções e desconstruções...

Jean Alessandro Bertollo

Eu sou minha própria verdade

Tem alguém aí?

Há uma guerra acontecendo hoje mesmo, na sua cabeça, na sua cidade, no seu país, uma guerra onde não há em definitivo, nem vencedores e nem perdedores. Uma guerra das idéias, onde as palavras são os soldados, as ideologias são as estratégias, a cultura e período histórico são o campo de batalha, e nós parecemos ver essa guerra como num filme, onde hora estamos de um lado, hora estamos de outro, confusos com nossos próprios direcionamentos, querendo descobrir aonde tudo nos levará.


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“Altos e baixos... E no fim das contas isto vira um ciclo sem fim... Você não ouviu? Isto é uma batalha de palavras... Com e sem E quem vai negar que é esta a razão de toda a luta? ” (Pink Floyd – Us and Them)

Como tomar partido nessa guerra? Constantemente estamos tomando um lado ou outro nas oposições religião - ciência, socialismo - capitalismo, emoção – razão, tecnologia – saudosismo, monogamia – poligamia, coxinhas – petralhas, direita política – esquerda política, etc...

Em 1921 Freud publica um texto que trata das relações do ser humano, ( Psicologia das massas e analise do Ego ), e diz algumas coisas interessantes: Os grupos são muito suscetíveis a sugestão, são pouco críticos, além de explosivos, irritáveis e facilmente influenciáveis. Tem sentimento de poder e de insensibilidade, e tem pouco senso de responsabilidade. Eles são estimuláveis por impulsos excessivos e repetitivos e não se incomodam com idéias que se contradizem. voz-de-uma-pessoa-na-multidão-24760524.jpg Seguindo a ideia de sermos seres sociais, e obedecermos aos citados acima, não há por que pensar que é tão difícil entrarmos em brigas ideológicas sem saber ao certo o porquê de nosso posicionamento.

A ciência pode dizer que a religião é pura crença, que desestimula o pensamento e fecha a visão de mundo. A religião pode rir disso e rezar pela alma dos hereges, dizer que toda ciência também é uma crença. A ciência responderá que ela é uma crença, mas que ao contrario da religião é uma crença que se justifica. E poderia por horas lançar baterias de soldados, de um lado e de outro e a discussão iria muito longe. (Só um exemplo) Mas pelo que se briga aqui? Seguimos...

E fato que estamos destruindo nosso planeta, que temos que achar meio sustentáveis de continuar usando os recursos que ele proporciona. Mas e com relação as idéias? Estamos interessados em ver pontos interessantes nas diferentes teorias, ideologias e posições? Ou estamos querendo anular, como as vezes anulamos o semelhante por pré-conceito, as idéias e posições dos outros. Estamos praticando sustentabilidade com relação aos pensamentos. Às vezes fazemos pesquisas inúteis pra derrubar outras pesquisas inúteis. As vezes pensamos em jogar tudo que já temos fora e começar do zero.

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Será que um dia a ciência se contentará com alguma resposta? Penso aqui na ideia de Jaques Alain Miller que diz que ela (ciência) é paranoica, vê sentido onde talvez não exista e esta sempre se re-fazendo, re-pensando num processo sem fim. Linguagem. Ela é assim... Não se esgota, não cessa de movimentar. No momento que falo sou mal entendido, e isso permite que alguém se engane pensando que me entendeu, e permite se faça um laço, mesmo que ilusoriamente sustentado. O objetivo do furo é dar mobilidade ao conjunto, o objetivo da falta é dar mobilidade ao desejo, e onde quero chegar nessa paranoia toda? Que talvez não se chegue a “lugar” nenhum com a linguagem e com a ciência, pois estas duas tem um sentido quando se fala em mobilidade, em movimento e não em alcançar um determinado ponto e estagnar. E isso não é ruim. O ruim disso tudo é que às vezes não se vê que estamos tomando uma posição na guerra das palavras e opiniões mesmo sem querer, ou que às vezes se esta jogando fora idéias boas, trabalhos e experiências que poderiam ser uteis, simplesmente por nossa total falta de implicação no que fazemos, num confortável entorpecimento...

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“Hello… Is there anybody in there?... Just nod if you can hear me… Is there anyone at home?... Pink Floyd – Confortably Numb


Jean Alessandro Bertollo

Eu sou minha própria verdade.
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