mais além do mesmo

pensamentos, idéias, construções e desconstruções...

Jean Alessandro Bertollo

Eu sou minha própria verdade

As melhores ideias são banais

Ideias tão boas, mas simples... Quase ninguém as vê, no entanto estão sempre ali... E sempre que alguém vê uma dessas, pensa: se é tão boa essa ideia por que ninguém a teve antes? E assim se perdem várias delas, por acharmos não terem importância.


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Antes de tudo é interessante ver a origem dessa palavra “banal”: Do Francês arcaico BANEL, “pertencente à comunidade”, de BAN, “controle legal, permissão para uso de bens comunais, decreto”. O sentido variou de “de uso comum” para “ordinário, de pouca importância”. http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/banal/

Certa vez conversava com um amigo sobre como o mundo seria um lugar mais interessante se todos aprendessem a cofiar um pouco quando acham uma ideia interessante em meio a suas divagações. Trato aqui do termo ideia não como termo filosófico, mas como usamos coloquialmente, como um pensamento que surge, de súbito, que resolve algum problema, ou possibilita alguma mobilidade, alguma ação. Pensávamos, eu e ele, que as pessoas geralmente abandonavam suas ideias, que pareciam simplistas, ou fracas em detrimento de idéias mais bem construídas, mais complexas ou elaboradas.

No entanto, penso que no nascimento, toda ideia parece simples, e com ar de um pensamento banal, (de uso comum) talvez até com ar de besteira. Einstein teve um dia uma ideia simples, de que o tempo e espaço poderiam não ser como pensávamos. Freud um dia teve uma ideia simples, de que talvez nossa consciência não fosse tão soberana como se achava. Darwin teve uma ideia louca de que poderiam os animais evoluir e adaptar-se, ideia essa baseada numa olhada em seus rabiscos e anotações. E os exemplos poderiam seguir, vemos todo tempo músicos relatando o que lhes inspirou a ideia para uma musica, geralmente uma coisa simples, ou mesmo um fraseado no instrumento.

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Veja bem: Einstein não achou a teoria da relatividade em seus cálculos, ele teve uma ideia simples e a partir dela fez seus cálculos. 20 anos após conseguiam validar cientificamente sua simples ideia. Às vezes a ideia precisa de corpo, sustentação, ou de uma mascara de intelectualidade, às vezes precisa de explicação, comprovação, precisa de uma carga que faça a pessoa se interessar nela.

O nascimento de uma ideia é mistério pra mim, e não quero entrar na briga filosófica que isso traz, mas quando me vem algo em mente que me interessa procuro anotar. Um dia percebi que as várias ideias importantes que eu havia "recortado" de vários lugares: literatura, filmes, teorias, etc; eram simples, em sua origem, simples em sua essência.

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Não são, quase todas as teses, teorias, filosofias e sistemas de pensamento, baseadas em idéias norteadoras simples, nas quais depois de ler todo o material, se descarta, ou não é necessário a roupagem, e ficamos só com a ideia central? Olhe nossos livros depois que lemos, não ficam com anotações nas margens? São as tais idéias simples; Onde basta um olhar para retomar toda a lembrança do que se trata o texto.

Simplificar não é fazer reducionismo. O que particularmente nunca tento fazer, é entender o mundo baseado em alguma ideia, ou alguma explicação que tente dar conta de tudo. Tento ver algo de aproveitável em várias teorias, áreas de conhecimento, doutrinas, sistemas... Simplificar é tornar menos complicado, fazer com que fique mais compreensível. Há sistemas de idéias que não é possível simplificar, pois são, de natureza contraditórios, paradoxais, para-consistentes perante a lógica, mas onde é possível esclarecer, por que complicar?

Portanto não se trata saber como temos idéias - contanto que libertarmos nossa mente criativa desse carrasco chamado autocrítica, teremos vislumbres de coisas muito interessantes - se trata sim de confiar nelas quando elas aparecerem, ou saber reconhecer uma quando ela estiver disponível, e saber como usá-la, como diz Belchior na musica Alucinação: “ Eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia nem no algo mais {...} Amar e mudar as coisa me interessa mais “


Jean Alessandro Bertollo

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