mais além do mesmo

pensamentos, idéias, construções e desconstruções...

Jean Alessandro Bertollo

Eu sou minha própria verdade

Elogio às Boas ilusões

Sim, pois o amor também é uma ilusão: Amamos a outro ou a nós mesmos refletidos nesse outro? Quando falamos do outro não estamos falando mais de nós do que de outro alguém? Vivemos de ilusões, tanto as boas quanto as ruins. Há ilusões que nos prendem, cortam nossas asas, machucam os pés e fazem cercado em nosso quintal... Mas como o burro que corre atrás da cenoura, corremos atrás de algumas boas ilusões, assim como de algumas ruins, pois é... Mas pra onde o burro iria sem a cenoura? Há ilusões que nos fazem sonhar, que nos fazem amar e sentir o mundo, viver!


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Enquanto escrevo esse texto, tenho a ilusão imaginaria de que lá fora as coisas continuam no seu lugar, de que meu violão esta onde o deixei ontem, e aquela menina com quem conversei deve estar acabando de acordar...Tenho até mesmo a ilusão de que a morte é algo longe no tempo, algo que quase nem acredito agora... Mas o Real, o que é? Nada alem de um "tudo" sem furo, sem simbolização, um estático. O que me mantém então, são essas pequenas ilusões, permitidas pela liguagem, a ilusão de que as coisas estão lá, de que ela esta lá, de que você me entenderá lendo isso.

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O que diria um pintor, aquele amante dar cores, se eu dissesse que seu amor é baseado numa ilusão? Pois se sabe que as cores são meramente a freqüência de ondas de luz, que nosso cérebro interpreta como uma cor. Talvez ele diria: Não me faz questão, essa banalidade...Amo as cores e elas me amam, e com elas expresso meu amor...

O que diria o musico se eu dissesse que suas notas também são freqüências, numa harmonia matemática onde percebemos beleza sonora? Talvez dissesse que as notas são tradução dos seus sentimentos, são coisas que vem de dentro, por tanto pouco importa a natureza física da formação do som.

O que diria o apaixonado se soubesse que seu cérebro e corpo estão contaminados por reações químicas que fazem tudo parecer como não é, que ele provavelmente deve estar idealizando alguém, e que isso vai passar logo? Ele nem escutaria por que estaria pensando no objeto de seu amor... Sim, pois o amor também é uma ilusão: Amamos a outro ou a nós mesmos refletidos nesse outro? Quando falamos do outro não estamos falando mais de nós do que de outro alguém?

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Vivemos de ilusões, tanto as boas quanto as ruins. Há ilusões que nos prendem, cortam nossas asas, machucam os pés e fazem cercado em nosso quintal...

Há ilusões que nos fazem sonhar, que nos fazem amar e sentir o mundo, como nenhum outro animal sente... Animais não se iludem, eles sempre acertam em cheio, eles tem os seus instintos, vão la e fazem o que tem de fazer. No entanto, sabemos onde isso termina.

E nós, onde termina, onde começa? Pra onde ir, o que fazer? Perguntas, perguntas, perguntas... Corremos atrás de uma ilusão: respostas, que talvez nunca venham, ou venham e não sejam satisfatórias. Mas como o burro que corre atrás da cenoura, corremos atrás de algumas boas ilusões, assim como de algumas ruins, pois é...

Mas pra onde o burro iria sem a cenoura? Talvez perdesse o sentido da vida e ficaria depressivo, parado no meio da estrada, sem saber o que fazer dali pra diante. “Não abandone tuas ilusões, sem elas pode continuar a existir, mas deixaras de viver” (Mark Twain)


Jean Alessandro Bertollo

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