mais além do mesmo

pensamentos, idéias, construções e desconstruções...

Jean Alessandro Bertollo

Eu sou minha própria verdade

Ninguém me explicou porquê eu sempre fui louco

Ninguém me explicou o porquê. Pelo menos explicassem a razão que me fazia ir atrás de um porquê... Mas não, nem isso me foi dado, tudo que me diziam era: “sempre foi assim” ou “é assim que as coisas são”...Não sei quando começou... A única coisa que sei é que não me foi dado a dádiva da crença, da confiança, da entrega... Se for loucura buscar algo além do que se apresenta; Se for loucura duvidar, se for loucura se perder às vezes, se for loucura entediar-se com a segurança e o conforto, se for loucura definir o contrario do que é “normal” admito que sou completamente louco, e meus amigos são loucos, loucos visionários, loucos incansáveis, loucos altruístas, loucos que se pensam com sua loucura, com a loucura do outro, com a loucura do mundo. Loucos que pensam o porquê de serem loucos!


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Ninguém me explicou o porquê. Pelo menos explicassem a razão que me fazia ir atrás de um porquê... Mas não, nem isso me foi dado, tudo que me diziam era: “sempre foi assim” ou “é assim que as coisas são”... “Respostas prontas’’ eu pensava, servem pra tudo, pra todos e pra qualquer coisa. Ou quase isso, pois pra mim elas não serviam e me causavam repulsa. Não matavam minha sede de saber, não alimentavam nada em mim a não ser a angústia de, além de não entender o que eu queria não entender por que aquela curiosidade não movia meu semelhante. Ele já sabia o que eu procurava? Se não sabia, como podia ele estar tão tranqüilo? Incomodava-me ver que eu estava tão só na busca por sentido da minha existência, e daquilo que eu percebia através dela. Não sei quando começou... A única coisa que sei é que não me foi dado a dádiva da crença, da confiança, da entrega. Várias vezes eu tentei, ah sim... “Já que é assim, Lá vou eu”... Eu sei como tentei! Mas não era eu! E eu sabia que não era eu! Voltava então pra duvida, pra única jornada que eu parecia saber trilhar, ou pelo menos, parecia a única que valia meu esforço. Quando criança, minhas perguntas dirigidas aos mais velhos já iam com o destino traçado: voltar a mim muito mais intensidade, trazendo agora além da duvida, uma angustia que me fazia estremecer, por ter medo de ter aquelas duvidas todas, e vendo que ninguém parecia se importar com aquilo temia estar errado em estar nesse caminho, ou pior, temia estar certo, mas nunca achar alguém com quem partilhar isso tudo. Os poucos amigos que tinha na infância mais tenra não pareciam se importar. Mas apesar disso, a companhia deles me agradava, e me fazia pelo menos esquecer e deixar um pouco de lado todos aqueles pensamentos estranhos. Foi quando me mudei, do interior para a cidade, que as coisas começaram a mudar. Pelo menos duas ou três pessoas agora pareciam estar no mesmo caminho que eu. Um colega da escola, um primo que morava na cidade, e um amigo que conheci através de minha irmã. Todos tinham algo em comum, algo que até hoje não sei onde se cria, onde se esconde, ou a razão que faz surgir, mas esta lá, parece até que sempre esteve. Meus amigos pareciam deslocados, fora da ordem, precisavam de mais, tudo que vinha da escola, dos pais, tudo que queriam colocar na nossa frente parecia nos deixar mais desconfiados, e quantos mais insistiam para que nós seguíssemos de tal ou tal modos, mais nos sentíamos fortes para repelir aquilo tudo, cada vez mais a verdade parecia estar mais longe deles, e mais perto de nós... Ingenuidade da infância... Então o tempo passou, crescemos em tamanho, peso, idade, mas aquele traço ainda está em mim, em algum lugar. Continua exercendo suas forças sobre mim, me inquieta, eu sei, mas o que posso fazer? Sei que ele esta aqui, mas não sei onde e nem por que. Aprendi a fazer dele minha melhor companhia, e aprendi a reconhecer de longe as pessoas que o carregam no coração, que se aceitam e até se orgulham de como são. Isso me trouxe uma alegria, conforme ficou fácil ver esse sinal invisível nos outros, ficou mais fácil encontrar companhias. Até hoje não entendo quando alguém em tom de brincadeira diz: “você é maluco”, “olha só as loucuras do cara”... Admito que às vezes passo da conta, e não sei relaxar, como todos, afinal além de “louco” sou humano também. Se for loucura buscar algo além do que se apresenta; Se for loucura duvidar, se for loucura se perder às vezes, se for loucura entediar-se com a segurança e o conforto, se for loucura definir o contrario do que é “normal” admito que sou completamente louco, e meus amigos são loucos, loucos visionários, loucos incansáveis, loucos altruístas, loucos que se pensam com sua loucura, com a loucura do outro, com a loucura do mundo. Loucos que pensam o porquê de serem loucos, de serem chamados assim, de terem que carregar mais esse peso, além do peso das duvidas, da própria historia, da própria falta de sentido da vida. loucura.jpg


Jean Alessandro Bertollo

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