manifesto das artes

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Jeferson Corrêa

Jeferson Corrêa é escritor, autor do livro "Além do que os olhos podem ver". É também organizador de eventos, blogueiro e apaixonado por todas as formas de artes.


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RIO 2054: O futuro distópico do Rio de Janeiro além das páginas de um livro

Guerra civil. Conflito pelos royalties do petróleo. Luta de classes em um Rio de Janeiro pobre e excluído contra um Rio rico e em evidência mundial. Esse é o Rio de Janeiro no futuro cyberpunk. Rio 2054, um elogiadíssimo livro nacional que faz refletir sobre as mazelas e injustiças da Cidade Maravilhosa. Seria o enredo do livro um alerta para o nosso futuro?


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Em 8 de Junho de 1949 foi lançado um dos livros memoráveis para a Literatura mundial: 1984 de George Orwell. Uma obra que conta a história de Winston Smith, um aparente insignificante homem que tem como objetivo de espalhar a propaganda do regime socialista através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith fica cada vez mais desiludido com sua existência miserável e assim começa uma rebelião contra o sistema. 1984 é uma referência para muitos, sendo " Big Brother" um termo oriundo do livro que ficou popularizado como programas de reality shows onde os participantes são vigiados. Temas políticos sobre espionagem, controle governamental e revoltas populares sempre foram muito bem aceitos na Cultura Pop. Um grande exemplo atual que podemos citar é o sucesso inquestionável da franquia Jogos Vorazes de Suzanne Collins, lançado em 2008. A história de Katniss, uma corajosa garota que terá que sobreviver a um reality show mortal, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão onde os jovens escolhidos dentre os doze distritos de Panem são obrigados a lutar até a morte. E para evitar que sua irmã mais nova seja a nova vítima, Katniss, vinda do empobrecido distrito 12, vai em seu lugar e luta pra sobreviver neste ambiente hostil.

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Mas o que George Orwell e Suzanne Collins tem a ver com o livro Rio 2054, o assunto desta matéria? Os três são livros de um futuro distópico. Mas só o Rio 2054 consegue trazer à tona os problemas que vivemos em nosso país de maneira magistral, crível e empática. 1984 é um grande clássico da literatura mundial recomendado a todos e Jogos Vorazes é um livro incrível que marcará gerações, sem dúvidas, não obstante, histórias como essas sempre foram contadas lá fora, faltava em nossa literatura uma história que abordasse o futuro do nosso país.

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Tendo o Rio como cenário, a trama também foca em intrigas e conspirações entre as empresas que controlam o Rio de Janeiro e influenciam no Brasil e no mundo. Impossível não se emocionar e refletir ao ler o livro. Seja em suas detalhadas descrições dos locais do Rio de Janeiro ou na personalidade das personagens. Então, senhoras e senhores, venham todos conhecer o Rio de Janeiro do futuro distópico que encontra-se nas páginas do livro.

Rio 2054- Os filhos da revolução.

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Rio de Janeiro, 2054. Três décadas após uma guerra civil que começou com a disputa pelos royalties do petróleo, a cidade se vê alvo de uma nova ameaça. Um velho jogo de intrigas e espionagem industrial entre as multinacionais que controlam a cidade ganha novos contornos quando uma perigosa jovem com poderes psíquicos surge nos guetos. Alheio a tudo isso, Miguel é um jovem sem grandes pretensões. Morador de uma região abandonada no pós-guerra, ele sobrevive catando restos de tecnologia e tem uma vida despreocupada.

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Sem saber o que o destino lhe reserva, ele é convidado para assistir a um duelo de motoqueiros e acaba se tornando o pivô de uma disputa que pode mudar o Rio para sempre. Num lugar onde o bem e mal se confundem, Miguel terá que desvendar os segredos de uma misteriosa inteligência artificial e, para proteger aqueles que ama, bater de frente com as poucas pessoas dispostas a salvar o que resta do Rio de Janeiro. Sem saber que lado escolher, caberá a ele decidir o futuro de uma cidade partida pela ganância.

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Lançado em Janeiro de 2013 pela editora Novo Século, o livro de 374 páginas, tem sido sucesso de público e crítica. Sendo elogiado por diversos blogs literários especializados. O autor Jorge Loureço exibe todo seu talento descritivo ao nos mostrar um Rio de Janeiro em 2054. Todos os bairros pelo qual a história se passa transmitem verdadeiramente seu estado, princialmente a quem mora, morou ou passou por eles. É admirável todo conhecimento e pesquisa que o autor teve. Um trabalho bem feito. Ainda mais ao mesclar elementos de ficção científica, do qual o autor é fã declarado. O protagonista Miguel é a nossa identificação com este mundo distópico, futurista e tão real criado por uma guerra civil que separou o estado em dois lados: Ricos do Rio alfa ( Luzes), pobres do Rio Beta ( Escombros). O desenvolvimento da protagonista, assim como as demais personagens ao longo da trama, é bem explorado. Assim como suas angústias e crises existências. Que junto com os memoráveis diálogos trazem bastante filosofia ao romance que também possui ação e suspense.

O simpático autor Jorge Lourenço, mesmo estando ocupado, deu uma breve entrevista ao MANIFESTO DAS ARTES sobre sua obra.

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MANIFESTO DAS ARTES: Quando e como começou sua paixão por escrever?

Jorge Lourenço: Desde muito pequeno. Eu sempre tive muita facilidade para ler e escrever, logo no primário a professora me colocava para corrigir redações dos colegas de turma e eu adorava inventar histórias minhas. Eu tinha um caderno de histórias que passava de mão em mão naquela época, meus amigos sempre querendo ler algumas delas. Era um hobby meu. Com o passar dos anos, esse prazer foi só aumentando. Eu escrevia contos, poesias, lia muito no ginásio e no segundo grau. Fosse bolando histórias para jogar RPGs ou escrevendo pequenos livros, criar enredos sempre foi uma diversão para mim.

MANIFESTO DAS ARTES: Quais são as inspirações para as suas personagens?

Jorge Lourenço: Isso varia muito de personagem para personagem. Alguns são criados a partir de pessoas que eu conheço, outros contêm muito de mim e tem aqueles que são baseados em outros que eu gosto muito. É engraçado como essas coisas todas se misturam dentro de um enredo. Em certo momento do livro conta-se a história do pai do motoqueiro Juan, por exemplo. Boa parte daquela história é o que aconteceu na própria morte do meu pai. Em outros momentos, faço referências sutis a algumas obras que eu gosto. É muito gostoso harmonizar essas coisas dentro de uma história.

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MANIFESTO DAS ARTES: Como surgiu a ideia para o Rio 2054?

Jorge Lourenço: Rio 2054 nasceu de várias coisas. Nasceu da vontade de colocar no papel um pouco da exclusão social que já existe no Rio de Janeiro e para a qual muita gente vira o rosto e de contar uma boa história de ficção científica em território nacional. Desde que comecei minha carreira como jornalista, o que me deu uma visão ainda mais crítica da sociedade e acesso aos bastidores da política, essa vontade cresceu ainda mais. Em 2009, disponibilizei na internet uma versão com 25% da história nas redes sociais e comunidades de ficção científica e a reação das pessoas que leram foi muito boa. E elas continuaram me cobrando – durante anos – uma conclusão para a obra. Mas a falta de tempo nunca me permitiu. Em 2012, decidi me concentrar na missão de transformar Rio 2054 em realidade e o resultado está hoje nas livrarias de todo o país.

MANIFESTO DAS ARTES: Em junho de 2013, na época dos protestos, muitas pessoas chegaram a associar o evento histórico com o seu livro? O que você pensa sobre o assunto?

Jorge Lourenço: Isso foi um momento maravilhoso. No enredo de Rio 2054, uma revolta popular por conta de certas decisões políticas gera uma série de manifestações que acabam se tornando uma guerra civil anos antes do começo da história. Algumas pessoas que leram o livro antes das manifestações falavam que gostaram muito do enredo, mas que o povo era muito politicamente adormecido para acordar. Quando “o gigante acordou”, muita gente começou a escutar falar do livro e ele acabou ganhando ainda mais atenção. Foi especial não só pela visibilidade de Rio 2054, mas também por ver o Brasil despertando um pouco mais politicamente. A minha perspectiva é a de que essas manifestações foram sensacionais, mas ainda há muito a ser feito. Ainda falta muita consciência política e social à população e esse despertar foi o primeiro passo disso. Espero que não pare por aí.

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MANIFESTO DAS ARTES: Você tem planos para uma continuação ou spin-off da obra? Pretende explorar mais esse universo ?

Jorge Lourenço: Tenho planos sim, mas no momento não estou focado nisso. A história de Miguel e Alice acabou ali por enquanto, mas há muitas para se contar naquele mundo distópico.

MANIFESTO DAS ARTES: Você acredita que o Rio de 2054 poderá ser como o Rio distópico do seu livro?

Jorge Lourenço: Com certeza não. Minha tentativa com o Rio 2054 não foi prever o futuro, como algumas pessoas pensam, mas sim desenvolver uma história intrincada e cheia de reviravoltas com um fundo social. Rio 2054, além de ser uma aventura, é uma crítica ao Rio de Janeiro – e até o Brasil – em que nós vivemos hoje. No mundo de Rio 2054, os pobres e os ricos são separados completamente por uma muralha que divide a cidade em duas. No Rio de Janeiro de hoje, essa muralha não existe fisicamente, mas está presente em toda a cidade. Hoje é possível você ter uma pessoa morrendo por falta de acesso a tratamentos médicos básicos a poucos quilômetros de distância de um condomínio de luxo. E, assim como no livro, tratamos essa muralha invisível de maneira normal. O objetivo de Rio 2054 é mostrar como a pobreza é ainda mais chocante e perturbadora do que imaginamos

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MANIFESTO DAS ARTES: Como você enxerga o cenário de literatura fantástica nacional? Realmente é difícil ser escritor no Brasil?

Jorge Lourenço: Escrever no Brasil é um desafio, já que o público literário é muito menor em relação a outros países. Mas é sempre importante reforçar que isso está melhorando. Se você olha para pouco mais de uma década atrás, nós praticamente não tínhamos escritores nacionais de fantasia. Era um ramo que recebia pouquíssima atenção. Hoje, nós temos uma série de escritores voltados para a literatura fantástica que cresceram de forma quase independente: André Vianco, Renata Ventura e Eduardo Spohr - que sequer tinha uma editora quando lançou a Batalha do Apocalipse. Vivemos em um país onde viver de literatura é muito difícil, mas onde há sim espaço para crescimento e sucesso.

MANIFESTO DAS ARTES: Pra finalizar, quais são seus projetos futuros?

Jorge Lourenço: No momento, estou escrevendo um livro com uma pegada parecida com a de Rio 2054, mas na veia de fantasia urbana. É uma história que se passa no presente e fala sobre um Rio de Janeiro onde anjos caídos, vampiros e magos lutam pelo poder nas sombras. Estou muito empolgado para abrir isso ao público, mas por enquanto ainda estou na fase de preparação.

Book Trailer:

Site oficial: http://www.rio2054.com.br/index.html

Página do livro: https://www.facebook.com/Rio2054

Perfil do autor no Facebook: https://www.facebook.com/jorge.lourenco.733

No Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/288925-rio-2054

Contato: [email protected]


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Jeferson Corrêa é escritor, autor do livro "Além do que os olhos podem ver". É também organizador de eventos, blogueiro e apaixonado por todas as formas de artes. Contato: [email protected]
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