manifesto das artes

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Jeferson Corrêa

Jeferson Corrêa é escritor, autor do livro "Além do que os olhos podem ver". É também organizador de eventos, blogueiro e apaixonado por todas as formas de artes.


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A vida como um filme

Nossa vida é como um filme para todos que diariamente nos assistem.


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Dizem que quando alguém está perto da morte, um filme passa diante de seus olhos. Um filme com momentos dirigidos por grandes diretores do cinema. Quando se é criança, a vida parece ser uma animação de Walt Disney ou Hayao Miyazaki. Mágica, divertida, que você não vê o tempo passar. Ao crescer, na adolêscencia, com várias aventuras e situações extrordinárias, decobertas, a trama parece feita pelo Spielgerg ou George Lucas. Passa-se pela típica fase rebelde, onde os adolescentes querem se autoafirmar e bancar aquela aura soturna do Tim Burton, mas no fundo não passam de um frustado Uwe Boll ou Ed Wood à procura de um mundo mainstream de diversões e explosões de Michael Bay. Os problemas tornam os dias não lineares como os filmes de Tarantino, com as referências de tudo que já ocorreu antes. Nessa fase começamos a reparar na violência vazia que há na sociedade. Que só se repete e é caricata. Com o tempo, as dúvidas maiores surgem e tudo fica complicado e estranho como os roteiros de David Lynch e Charlie Kaufman. Os dias vão passando e o sonho de ser glorioso como James Cameron colidem com a realidade. Quanto mais se envelhece, maior é a percepção de que o mundo é cruel, que os seres humanos são egoístas e mesquinhos como nos filmes de Lars Von Trier. Na fase adulta, sua sanidade é diariamente afetada assim como as tramas de Darren Aronofsky. É quando bate aquela desmotivação. Você se esforça, fracassa, sente-se desvalorizativo por aqueles que acredita, assim como Shyamalan. É preciso recuperar sua fé. É nessa hora que surge os questionamentos da vida de Ingmar Bergman e Terence Malick. Você tem que ser forte como Clint Eastwood. Tem que ter sempre uma carta na manga como Nolan e Scorcesse. E principalmente, lembrar do sonho de Georges Méliès e dos irmãos Lumieré de fazer a sua vida um grande espetáculo audiovisual.

Os créditos vão passando e o filme vai acabando. Os espectadores se vão. Alguns gostaram do seu filme e até aplaudiram de pé. Outros, pouco se importaram. Disseram que fariam melhor, ou que deveria ter um remake, só insistiram em ver os erros. Alguns não conhecem. Não quiserem assistir por subestimar. Muitos só ouvirão falar daqui há muito tempo. Tudo que você viveu não passou de uma projeção nas telas daqueles te assistiam. Que vibraram, choraram, sorriram. Mas acabou. Sempre há o fim do espetáculo. E nessa hora seus olhos fecham e um outro filme começa.

Fonte


Jeferson Corrêa

Jeferson Corrêa é escritor, autor do livro "Além do que os olhos podem ver". É também organizador de eventos, blogueiro e apaixonado por todas as formas de artes. Contato: [email protected]
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