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Victor Almeida Moreira

Um amador da vida...

DECISÕES SOLITÁRIAS

As decisões tomadas longe dos olhos alheios, carregam a maior parte do potencial de fortalecimento ou enfraquecimento do nosso caráter, e mostram a essência de quem de fato somos.


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Invariavelmente, cada decisão que tomamos ao longo da vida, gera consequências que moldarão nosso caráter. Logo, cada escolha, por mais simples que pareça, deve ser feita com muito cuidado e profundidade.

Isso pode até parecer evidente e de fácil percepção. Mas, a bem da verdade, apenas as decisões tomadas em público é que possuem essa suposta obviedade. Digo isso, pois, quando estamos sob a vista de outros, nos referenciamos, naturalmente, naquilo que seria adequado à expectativa do coletivo. Buscamos escolhas éticas para evitarmos, com isso, punições e julgamentos. Até aqui, nada anormal.

Porém, são em nossas decisões solitárias que residem as armadilhas. E não me refiro à solidão melancólica a que se atêm os poetas. Mas, aos momentos de si consigo mesmo. Quando nos percebemos na mesma situação de Giges – personagem de A República, de Platão – ao descobrir que o anel que encontrara o tornava invisível e, portanto, imune a qualquer repreensão pública de seus atos. Suas decisões estavam livres da vista e dos julgamentos de outro.

O que fazemos quando temos acesso ao anel de Giges? Quem nos tornamos nos instantes em que não há plateia na expectativa de nossa reação? Quais caminhos escolhemos quando não existem olhos de outrem incentivando-nos às escolhas éticas e morais? Na oportunidade de furar uma fila no banco sem que ninguém veja, ou na chance de nos valermos do dinheiro a mais devolvido pelo caixa da padaria que cometeu um erro quando nos entregou o troco, o que fazemos?

As escolhas que fazemos no oculto da nossa solidão, embora livres de julgamento ou cobranças alheias, jamais nos tirarão o peso de termos de prestar conta a nós mesmos. Pois, nenhum de nossos atos pode infringir o radar de nossa própria consciência.

Em cada uma de nossas decisões solitárias deveríamos ouvir nossa própria mente sussurrar com extrema franqueza: “independente do que os outros pensem ou digam, estou orgulhosa de quem você tem se tornado”. O orgulho de simplesmente não prejudicar o próximo é a base do respeito e do caráter sólido. E se assim não o for, seremos colecionadores de inverdades e desrespeitos, fragilizando nosso próprio caráter e, aos poucos, deixando de ser peça fundamental das engrenagens que faz a vida progredir, para nos transformar em inoportunos grãos de poeira que só fazem desgastar o processo de vivência e convivência.

Então, sejam quais forem suas escolhas, antes de tomá-las, apenas esteja confiante o bastante para que você nunca as faça de forma a ter de colecionar e sustentar mentiras e desmoralizações. Seja honesto em cada uma de suas decisões solitárias e, naturalmente, o será ao mundo.


Victor Almeida Moreira

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