marca mundo

Quem somos e o que deixamos são reflexos das escolhas num mundo infinito.

Manoela Tomasi

É uma quase jornalista movida pela arte da escrita. Viciada em viajar, coloca no mochilão erva-mate, papel, caneta, porta-retratos e a velha câmera fotográfica.

"Construa o caminho e os ciclistas virão"

“Metade de mim é bicicleta. E a outra metade, também”. Perdoe-me o trocadilho, Oswaldo, mas uma amiga tão fiel merece o verso do poema. Foi preciso muito trabalho de conscientização para criar a maior ciclovia do mundo.


Caminhos da Holanda

Quando o alemão Karl von Drais instalou um guidão em um projeto de bicicleta em 1817, ele não tinha a menor ideia da poderosa ferramenta que ajudava a criar. Foi preciso ainda uma pitada escocesa de Macmillan, outra francesa de Michaux, a ajuda do inglês John Dunlop e de outros tantos para a magrela ganhar pedais, pneus e enfim tomar a forma do veículo que andamos atualmente. Eles ainda não tinham a dimensão do que esse “produto” se tornaria para os seres humanos.

Depois de ter passado pelas mãos de tantos inventores (e ter falido alguns, é verdade) a nossa amiga bicicleta conquistou seu devido valor na sociedade pós-guerra e hoje, finalmente, ganha mais espaço no mundo, literalmente. Em seis anos, o mundo irá desfrutar da maior ciclovia do planeta. O projeto EuroVelo irá fazer com que, até 2020, uma estrada de 70 mil quilômetros de extensão ligue 43 países europeus. Sim, parece um sonho, mas a sustentabilidade e o amor pela humanidade venceram, e já está saindo do papel.

eurovelo_route_map1.jpg

A novidade é um marco para todos aqueles que acreditam na magia da bicicleta, afinal, não foi de graça que ela se tornou tão popular. O veículo zero emissões ganhou os sete mares aos poucos: para alguns países ela representava um meio de locomoção, para outros um esporte. Alguns líderes viram a magrela como um símbolo político com apelo no desenvolvimento econômico e social. Mas, para todos, ela consolidou-se sinônimo de revolução.

Ciclovia na Holanda

Um exemplo mundial é a Holanda, o país das bicicletas. A partir de 1960, diversas manifestações pelo uso da bici foram realizadas. A população pedia por menos violência e mais segurança nas vias. O governo acabou abraçando a causa e passou também a incentivar as pessoas com o lema “construa o caminho e os ciclistas virão”. E foi construído. E vieram. Hoje, com mais de 32 mil quilômetros de ciclovia, eles mostram para o mundo a força da união das vozes nas ruas.

Protestos em Amsterdã

A verdade é que capitais de diversos pontos do planeta, inclusive do Brasil, estão aderindo a esse meio de transporte através da criação de pontos de bicicletas coletivas. Porém, essa pedalada para o desenvolvimento sustentável ainda é tímida. É preciso pedir mais. Mais atenção para com aqueles que optam por tal meio de locomoção, mais respeito no trânsito e espaço para todos, pois quando mais caminhos forem abertos, as pessoas poderão, sem medo, exercer seus papéis de ciclistas.

A maior ciclovia do mundo que teremos na Europa é uma luz no fim do túnel principalmente para aqueles que acreditam em um mundo mais humano e por todos os benefícios que essa "ligação" irá trazer. Afinal, bicicleta é só amor.

Liberdade e bicicleta


Manoela Tomasi

É uma quase jornalista movida pela arte da escrita. Viciada em viajar, coloca no mochilão erva-mate, papel, caneta, porta-retratos e a velha câmera fotográfica..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/arquitetura// @destaque, @hp, @obvious, @obvious_escolha_editor //Manoela Tomasi