marcelo vinicius

Literatura e outras expressões artísticas relacionadas, como cinema e música

Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS.

O autor Jeffrey Eugenides e as suas virgens Suicidas

As virgens suicidas, publicado em 1993, é o primeiro romance de Jeffrey Eugenides. O autor foi saudado por toda a crítica como uma das grandes vozes da jovem literatura americana, e o livro ganhou tradução para quinze idiomas. Em 1999, foi adaptado com grande sucesso para o cinema por Sofia Coppola, em seu elogiado longa de estréia.


capa.jpgO autor Jeffrey Eugenides ainda é pouco conhecido no Brasil ou pelo menos não é tão conhecido como certos escritores que fazem sucesso de um dia para o outro, com os seus best-sellers. Eugenides é novo no mundo da literatura mundial, estreou em 1993 com uma obra-prima tão madura e original, o romance “As Virgens suicidas”, que atingiu dez anos depois com seu segundo romance, “Middlesex”, o prêmio Pulitzer.

Infelizmente a crítica não recepcionou bem o seu livro recente, “A trama do casamento”, que é considerado tão fraco que obriga seus admiradores a repensar algumas das certezas como os rumores que destinava a figurá-lo em posição de destaque no primeiro time da “nova geração” americana. Segundo a crítica, há alguma razão, na decaída do seu trabalho literário, que pode ter a ver com esgotamento artístico, mas que provavelmente se relaciona também com as expectativas de um mercado editorial marcado pelo sucesso de Jonathan Franzen, escritor também da geração de Eugenides, que teve o seu romance, “Liberdade”, mais comentado daquele ano e do seguinte, colocando o autor na capa da “Times” sob o epíteto de “O Grande Romancista americano” e foi considerado o livro do século para o “The Guardian”.

ele.jpgAssim, as pressões de um mercado editorial pós-“Liberdade” devem ter tocado fundo em Jeffrey Eugenides e dessa forma, infelizmente, em “A Trama do Casamento” ele cede ao convencionalismo de um livro que parece ter sido escrito com a pressão de um Jonathan Franzen nos ombros. A pressão de Franzen sente-se ao nos darmos conta de que Eugenides abandona a inventividade extrema que vinha marcando sua obra, e cede lugar a um romance painelístico convencional que não faz jus ao trabalho do autor até então. Essa disputa literária entre ele e Franzen, não o fez nada bem.

Porém, deixando os livros “A trama do casamento” e “Middlesex” para serem comentados depois, é interessante nos voltarmos à sua obra-prima, que precisa cada vez mais ser reconhecida: "As Virgens Suicidas".

“As virgens Suicidas” é a primeira obra do escritor Jeffrey Eugenides, publicado em 1993 e que deu origem ao filme homônimo em 1999. A história tem como cenário um subúrbio americano dos anos 70 e que retrata a perda da inocência das cinco irmãs Lisbon que, uma a uma, cometem suicídio no intervalo de um ano.

elas.jpgPorém, apesar do título, o livro não é tão triste, na verdade há cenas muito divertidas e a escrita é leve. A história é narrada por um personagem que pouco conhecemos, a não ser pelo que ele revela da sua relação com as irmãs. Ele faz parte de um grupo de meninos que nutriam uma paixão platônica por elas. A narração desse personagem nos informa que os fatos não ocorreram em tempo real, não eram presente, mas uma lembrança que persistia forte em sua mente, depois de passados anos da morte das irmãs Lisbon.

Então, ao relatar, se revelavam aos poucos os materiais sobre as garotas, que ele e seu grupo reuniram no decorrer dos anos, com intuito de conseguirem responder às suas dúvidas e compreender as razões que levaram todas as meninas a darem cabo de suas vidas.

A trama é levada pelos mistérios das cinco jovens irmãs, onde os rapazes amando-as a distância, apesar de terem certos contatos físicos, e, sobretudo, ficando embasbacados na dúvida de entender, por completo, a alma de cinco garotas, faz o leitor também entrar na mesma atmosfera de confusões. Isso tudo porque o narrador não é onisciente: ele testemunhou os acontecimentos da mesma maneira que os outros meninos.

Ao partir da visão do narrador e dos meninos, podemos viver o mundo das paixões adolescentes de forma leve à difícil temática. Em meio das populares situações "ridículas", "cafonas" e até exageradas da juventude, através da visão inocente do narrador e do seu grupo de garotos, nos faz reconhecer a seriedade por trás dessas demasias. O ambiente familiar das irmãs é totalmente construído para provocar a ideia de clausura e de fato sentimos não só na casa das Lisbon, como em todo o bairro, um ar perdido.

Contudo, mesmo as meninas tendo uma vida intensamente podada pelos pais, isso não é um indicativo óbvio do suicídio. No fim, é esta a grande pulsão por trás de “As Virgens Suicidas”, as meninas perdem suas vidas, mas seus admiradores, ao recriarem um universo a partir dos vestígios de suas existências, intensificam e valorizam as suas próprias.

Trailer do filme "As virgens suicidas":


Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS..
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