marcelo vinicius

Literatura e outras expressões artísticas relacionadas, como cinema e música

Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS.

Lana del Rey, eu já era nostálgico antes de ser...


Então... Antes de tudo, quero informar que a palavra “nostalgia” vai se repetir diversas vezes aqui, porque a sua sonoridade, ao pronunciá-la, é como um mantra para mim. Desculpe-me...

Estava ouvindo “Vídeo Game”, de Lana del Rey, e foi com ela que escrevi esse texto, sem maiores pretensões, é claro, porém com uma vontade de escrever. De fato, antes de ouvi-la, já me sentia assim, na verdade eu sou assim, a música só foi um reforço: sou nostálgico... Esse sou eu: não sou uma pessoa triste. Sinto-me bem. O que acontece comigo são os altos e os baixos da vida que ocorrem com qualquer um, apesar de que quando me vem os baixos me deparo com o fundo do poço, diga-se de passagem. Não sou triste, porém, sou melancólico. Tenho pensamentos, por vezes, de outra época. Quando imagino ou sonho com algo, meu cérebro não produz imagens com cores tão nítidas como as vejo no mundo real. Esse algo imaginado ou sonhado é estilo obras clássicas, antigas; e as cores são um tanto retrô. Não... Os meus pensamentos não produzem imagens pretas e brancas, estão mais para o estilo vintage. Inserem elementos que um tom de nostalgia.

Isso tudo porque vivo buscando resgatar um mundo que se desmorona à minha volta, onde o indivíduo tem cada vez menos valor. Em mim, o mundo é uma imperdível inspiração vintage, graças aos modelos que evocam o passado nostálgico do café vienense, cultura da virada do século e salas de classe alta que vivem de palha e vime. vintage_farm_wedding_19.jpgMas se tu tens aversão a essa forma de existir no mundo, eu não. Poderia depender talvez do modo em que tu contemplas os acontecimentos, o mundo e a ti mesmo: no fundo, não se trata nunca de um olhar nostálgico de fato, mas se trata, ao contrário, de uma visão animada própria, um modo peculiar de ser feliz. Ser melancólico pode ser muito uma forma de ser feliz. Não quero seguir uma sociedade que padroniza a subjetividade humana, lhe ensinando como ser feliz, ao invés do próprio sujeito aprender a lidar com a sua singularidade e ser feliz ao seu modo. Não sigo padrões, sigo exclamações!

Sim, ser feliz numa espécie de nostalgia é possível, porque nós nos inspiramos em um passado nostálgico, tempos mais simples quando olhar nos olhos de outra pessoa ou apertar as mãos era a regra. Ainda existo porque tudo para mim é nostálgico e porque gosto de Coca-Cola e vinho.

Refletindo sobre o filósofo Adorno, percebi fragmentos que me levaram a observar e a pensar sobre o momento em que vivemos: multicultural, global, informático e talvez nostálgico da simplicidade perdida. Não se trata, de modo algum, de um apelo nostálgico da modificação do meio-ambiente com fins românticos, mas sim de um trabalho essencialmente pictórico da vida. okk.jpgAdorno me fez lembrar, como sempre numa visão retrô, que hoje não se pode ser despedido de um emprego sem qualquer justificativa, diferente de antes, que remetido para o nostálgico passado, as pessoas teriam o direito de se recusarem a trabalhar. Para alguns, ele encarna o sonho nostálgico do mundo de ontem sem uma apreensão realista do novo sistema econômico globalizado.

Esse sou eu: uma mente e um espírito levantados na estratosfera com a ignição destas memórias nostálgicas... Ao passar dos anos, ficando mais velho, na minha cabeça revezam-se depoimentos apaixonados e muitas vezes nostálgicos de artistas e skatistas que viveram a criação do skateboarding brasileiro, da cena grunge, do Nirvana, da Legião Urbana, dos Engenheiros do Hawaii, mas também, tão opostos destes, de Ozzy e Guns N' Roses. Às vezes me pergunto: “a nostalgia aumentou ou foi eu que envelheci?”. Sei que se pode ter saudades dos tempos bons, mas não se deve fugir ao presente, porém, como dizia Rubem, a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar. ok1.jpgEnfim, esse sou eu: não um ser triste, e sim uma espécie de saudade acompanhada, como um o amor que ainda não foi embora, mas o amado já...


Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/musica// @destaque, @obvious //Marcelo Vinicius