marcelo vinicius

Literatura e outras expressões artísticas relacionadas, como cinema e música

Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS.

Cineastas baianos Wallace Nogueira e Marcelo Matos ganham prêmios nacionais e internacionais

O cinema baiano vive hoje um momento muito especial. Em 2011, tivemos semanas com vários longas-metragens baianos em cartaz em salas de exibições na Bahia. A produção de longasmetragens, coisa rara na história de nosso cinema, vem se consolidando, inclusive com o aparecimento de novos criadores e com sua expansão para gêneros com pouca tradição no cinema de longametragem baiano, a exemplo do documentário e da animação. Alguns destes filmes conseguiram mobilizar bons públicos e permanecer em cartaz por diversas semanas. Além dos longasmetragens, a produção audiovisual baiana tem se desenvolvido e consolidado, com novos filmes e vigorosos criadores, como o “Menino do Cinco” e o “Álbum de Família”.


certo.jpgOs cineastas Wallace Nogueira e o Marcelo Matos recebendo prêmio no Festival de Gramado de Cinema

O cinema baiano necessita ser vivido, experienciado, aproximado de um público maior que ainda não aprendeu a valorizar essa riqueza – fatos, atores, escritores, diretores e riqueza de locação natural-exuberante, maravilhosamente retratada nas filmagens com detalhes, cores, situações reais, fictícios, ideológicos, social, critico, confessional, biográfico e muito mais que corta de norte a sul as terras baianas.

Comento isso, porque recentemente tive o prazer de participar de um evento interessante sobre dois filmes baianos, "Álbum de Família” e “Menino do Cinco”, onde "Menino do Cinco” foi ganhador de seis kikitos em Gramado 2012, incluindo todos os disponíveis de melhor filme (além de diversos outros prêmios em festivais no Brasil e no mundo).

Eu, Marcelo Vinicius, junto com Yves Marcel, que é estudante de Filosofia e responsável pelo Coletivo Pierrô (Coletivo de Cinema); Laurenio Leite, que é professor e coordenador do curso de Filosofia; e Ivone Maia, professora do curso de Psicologia, realizamos um evento do projeto “Sala de Cinema” da UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana, coordenado pela Profª e Drª Ivone Maia, convidando dois grandes cineastas baianos: o Wallace Nogueira e o Marcelo Matos, produtores dos filmes “Álbum de Família” e “Menino do Cinco”, para Mostra de Cinema e bate-papo com o público na UEFS.marcelo wallace marcelo okok.jpgEu, Marcelo Vinicius, ao lado de dois grandes cineastas, o Wallace Nogueira e o Marcelo Matos, na UEFS

O curta-metragem baiano “Menino do Cinco” (2012), de Marcelo Matos e Wallace Nogueira, levou seis prêmios dos 14 da categoria curta-metragens do 40º Festival de Gramado 2012: Melhor Filme, Melhor Filme do Júri Popular, Melhor Ator (dividido entre Thomas Vinícius de Oliveira e Emanuel de Sena) e Melhor Roteiro (Marcelo Matos). O filme acumulou ainda o Prêmio Canal Brasil de Melhor Curta e o do Júri da Crítica. Com todo esse resultado, o filme baiano “Menino do Cinco” é o mais premiado do 40º Festival de Gramado.

Esse curta-metragem baiano virou febre na Serra Gaúcha. Quiçá seja o melhor título visto aqui, por sua ousadia narrativa. O "Menino do cinco" foi rodada em Salvador. É antiga a tradição gramadense de revelar pelo menos uma pequena joia por edição.certo3.jpgCena do Filme 'Menino do Cinco'

Realizado com patrocínio do Fundo de Cultura da Bahia, a trama conta a história do protagonista, o pequeno Ricardo, um garoto brônquico que vive com o pai num edifício de classe média de Salvador. Ricardo encontra um cãozinho perdido e adota a criaturinha de pêlo amarelado para si. Ele leva o cachorro para casa sem saber que o bichinho pertence a um menino de rua, ligado a um bando de desvalidos. Um dia, o verdadeiro dono resolve reclamar o animal de volta, gerando situações de suspense, até chegar a um desfecho aterrorizante, capaz de sintetizar a paranoia bem-criada em relação à violência. Ao mesmo tempo em que assusta, o curta expõe, com poucos diálogos, os contrastes sociais da Bahia. Assinada pelos diretores, a montagem conduz o espectador a uma instância de insegurança que sufoca.

Ao escolherem uma figura que mexe fácil com o espectador (um filhote de cachorro), a dupla Marcelo Matos e Wallace Nogueira falaram, através do animal, sobre amizade, maldade, solidão e egoísmo. O final de alto impacto fica mais na memória do que o filme em si, mas isso não perde o mérito fílmico, engrandece.certo4.jpgCena do Filme 'Menino do Cinco'

Já o outro filme, “Álbum de Família” (2009), de Wallace Nogueira, foi a atração do DocTV IV, e visa resgatar os laços perdidos pela desestrutura familiar causada pela infidelidade e falta de compromisso da figura paterna que regia a família do diretor.

O documentário trata da inquietude de um filho (Wallace, que é também o produtor do filme), diante da morte de sua mãe, vítima de um câncer de mama que surge a partir de sua separação. Há alguns anos longe de seu pai e sem conhecer a sua atual família, decide revisitá-lo para com ele resgatar o álbum de fotos abandonado na antiga fazenda da família. Neste trajeto, pai e filho repassam em memória momentos que viveram juntos e trocam experiências e confidências, deparando-se com sentimentos de raiva, culpa, desamparo e traição.certo5.jpgCena do filme 'Álbum de Família'

Como bem caracterizado pela TV Brasil, rodado nas estradas da Chapada Diamantina, “Álbum de Família” expõe a fragilidade da família como caminho para a realização dos desejos pessoais.

Complementando, apesar de ser uma obra de natureza biográfica levanta muitos pontos comuns a todos. É uma obra bastante pessoal, mas que atinge a todos por possuir temas universais bastante profundos.

O que me encantou também foi o diálogo do pai de Wallace, pois possui uma expressão tranquila, a conversa flui com naturalidade, sem censura e expõe até certas questões da intimidade familiar. Apesar de que, no cine-debate que ocorreu depois de assistirmos ao filme, o Wallace nos garantiu que esse diálogo seguiu um roteiro ou um passo a passo, porém, mesmo assim a descontração do seu pai foi tão interessante que deixou a obra cinematográfica bastante original nesse quesito e nos afetou por transparecer tanta sinceridade e profundidade que permitiu nos envolver com a história. Inclusive isso é uma das originalidades desse longa.

Fico feliz por termos produções assim na Bahia que possuíram repercussão internacional, pois uma região sem cinema corre sérios riscos de ver sua identidade cultural abalada, e, em tempos de globalização, em que a cultura local é fortemente abalada devido à entrada de elementos exteriores, esses tipos de trabalhos cinematográficos são de grande importância, pois pode ser entendido como veículo de intercâmbios culturais e convite à abertura e à reflexão em relação a realidades estranhas à nossa formação e mentalidade. Neste sentido, o cinema permite superar as distâncias e conquista aquela dignidade, própria da cultura, aquele "modo específico de existir e de ser do homem que cria entre as pessoas de cada comunidade um conjunto de conexão, caracterizando o caráter inter-humano e social da existência humana”.

Esses dois filmes, “Menino do Cinco” e “Álbum de Família”, são filmes que realmente recomendo.

Trailer e documentário do filme "Menino do Cinco":

Trailer do filme "Álbum de Família":


Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS..
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