marcelo vinicius

Literatura e outras expressões artísticas relacionadas, como cinema e música

Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS.

O romance “O homem fragmentado” terá um dos trabalhos cinematográficos do fotógrafo francês Étienne-Jules Marey na capa

Para falar sobre a capa do romance “O homem fragmentado”, precisamos falar também dos primórdios do cinema.


teste-tibor-2fr.jpgCapa do livro “O homem fragmentado” com a fotografia de Étienne-Jules Marey

Todos nós sabemos que a literatura e o cinema são duas formas distintas de expressão artística, porém com profundas ligações entre si. O cinema sempre se serviu da literatura como provedora de roteiros, por exemplo. Mas, um outro tipo de relação entre essas artes é possível, como é o caso do livro “O homem fragmentado” do escritor Tibor Moricz, que está para ser lançado pela editora Terracota, a qual apresentou a sua capa no dia 10/06/2013, tendo como imagem um trabalho cinematográfico do fotógrafo francês Étienne-Jules Marey.

Para quem não conhece, Étienne-Jules Marey foi um inventor e cronofotógrafo francês. Seu trabalho foi significativo no desenvolvimento não só da medicina, da instrumentação física, da aviação, mas também da cinematografia e da ciência do trabalho fotográfico. É considerado um dos pioneiros da fotografia e da história do cinema.

Os seus estudos eram voltados ao conhecimento do movimento do corpo humano e dos outros animais, desenvolvendo a fotografia animada em um campo separado da cronofotografia, na década de 1880. Sua idéia revolucionária foi gravar as várias fases do movimento em uma única superfície fotográfica.

Marey também fez filmes. Eram em alta velocidade (60 imagens por segundo) e com excelente qualidade de imagem: na cinematografia da câmera lenta, ele aproximou-se da perfeição. Sua pesquisa sobre como capturar e exibir imagens em movimento ajudou o campo emergente do cinema.Marey_Portrait10.jpgÉtienne-Jules Marey (1900), no meio de suas invenções (sphygmograph, instrumentos de registo, o modelo de linha reta, projetor, câmera)

“O homem fragmentado” surge então apresentando uma das fotografias clássicas de Marey, que pode ser até entendida como uma homenagem a esse grande homem das artes por parte de Fernando Lima, que fez a ilustração do romance.

Contudo não podemos resumir esse trabalho como somente em uma homenagem, já que, no seu blog, o escritor Tibor revela que a imagem da capa se relaciona diretamente com o conteúdo da obra: “A imagem revela a essência da obra, mas que só poderá ser entendida quando de sua leitura”, comenta o autor.

A imagem de Marey que tanto comento foi produzida no estúdio “Facstaff / Motion” (late 1800s) e que pode ser vista originalmente abaixo:MEDIA_novo.jpgFotografia de Étienne-Jules Marey produzida no estúdio “Facstaff / Motion” (late 1800s)

E para quem se interessou também pelo conteúdo dessa obra, “O homem fragmentado” está ambientado na São Paulo contemporânea e narra as aventuras fantásticas e surpreendentes de um suicida. A data de lançamento ainda não está prevista, mas os interessados poderão se informar no próprio blog do autor: http://esooutroblogue.wordpress.com

Acho sempre interessante o diálogo entre o cinema e a literatura, não só na sua forma mais tradicional, como os roteiros ou as narrativas, mas também as exibições de imagens fílmicos em obras literárias, como foi esse caso.

Além disso, o que me encanta igualmente é que estamos abordando sobre uma obra literária nacional que fez um link com a cinemateca do século XIX, diretamente em um dos mais essenciais capítulos da história do cinema.

Por isso é que digo sempre: a literatura e o cinema nacional necessitam ser vividos, experienciados, aproximados de um público maior que ainda não aprendeu a valorizar essas riquezas – fatos, atores, escritores, diretores e riqueza de locação natural-exuberante, maravilhosamente retratada nas filmagens e escritas com detalhes, cores, situações reais, fictícios, ideológicos, social, critico, confessional, biográfico e muito mais que corta de norte a sul as terras brasileiras.

Eu, amante da literatura e do cinema, ao saber de uma relação peculiar entre eles, como foi “O homem fragmentado”, me fez logo escrever sobre isso. Enfim, o ilustrador, a editora e o escritor dessa obra estão de parabéns.


Marcelo Vinicius

Marcelo Vinicius está sempre aprendendo, mas é um fotógrafo e escritor de olhar inquieto, apaixonado pelo novo e inconformado com o senso comum. É amante da arte, seja a fotografia, o cinema ou a literatura. Participou do conceituado jornal da região, o Jornal Grande Bahia; fez parte do projeto "Sala de Cinema" e do grupo de pesquisa em Psicologia Social na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual faz graduação em Psicologia; é integrante do grupo de estudo em Filosofia da Arte de Arthur Danto e do grupo de estudo em Filosofia Contemporânea na UEFS..
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