marcio sarge lounge

Crônicas de um dia após o outro.

Marcio Sarge

Escritor, produtor, diretor e co-autor da própria vida. Como disse o poeta de mim : "Tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Almir Sater- Um violeiro toca

Almir Eduardo Melke Sater, cantor, compositor, violeiro e símbolo regional de um país tão continetal quanto seu talento.


Fico imaginando como seria, porque eu mesmo nunca experimentei então faço casa na imaginação mesmo, sentar ao redor de uma fogueira sob um teto de estrelas no chão pantaneiro. Ao lado, além de alguns amigos, o violeiro assediando as cordas da viola num amor sem fim, cantarolando com uma dor também sem fim vinda sabe se de onde canções como o Boiada. Ali no ar frio da noite os olhares suspensos captando cada poesia vinda da viola e do violeiro enquanto a lenha geme no fogo. Alguns pensam no sentido da vida ou na vida sem sentido, alguns calam ate o pensamento. A música finda aí é só a lenha.

luar do sertão

Sempre sou transportado para esse cenário quando embalado na música de Almir Sater. Esse, que é o artista filho e símbolo da vida pantaneira, maltratado pela memória desse Brasil que inverte valores, dono de um talento ímpar como tantos outros de sua casta. Sua música poética cheira a poeira do chão da estrada e a couro do gado nos alagados do campo matogrossense. Seu rastro é de lua mesmo Ainda assim não é homem que se rende a fronteiras, ousando com o popular e o erudito, entre a viola caipira e o blues até mesmo o rock. Sua humildade encanta tanto quanto suas notas, talvez tenha sido o legado dos homens de que reconhecem o valor das coisas simples ainda que ninguém entenda ao certo.

Eu, homem crescido, sinto vontade de chorar cada vez que ouço a música de Almir, tributo do coração às coisas caras da vida talvez, ela me coloca mais junto ao chão, me deixam mais próximo do meu Brasil que é feito muito mais de homens como ele que de samba e cachaça.

"Eu sou um violeiro. Violeiro não é algo regional, mas de varias regiões do pais. Violeiro leva a bandeira do Brasil. Toco musicas brasileiras com a influencia do folk mundial. Minha música tem influência do folk americano, da música paraguaia e andina. Esta mistura é bonita, uma música para a alma, difícil de copiar. Quando anunciam - Hoje vai tocar aqui o sertanejo Almir Sater - eu acho equivocado. Mas se a pessoa acha que é quem sou eu para julgar? Se eu não disse qual é o meu estilo, eu deixo a pessoa seguir a intuição dela. Eu sou um violeiro, na verdade. Não é bandeira sertaneja, é brasileira. Meus discos não são caipira. Meu som é uma mistura do que eu gosto. Usar chapéu e estar em contato com a natureza são coisas que fazem parte da minha vida desde que me conheço por gente. É uma coisa minha, assim como tocar viola, mas nunca fui sertanejo. Gosto de passear por esse universo. Na verdade, sou um violeiro popular brasileiro" - Almir Sater.

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Marcio Sarge

Escritor, produtor, diretor e co-autor da própria vida. Como disse o poeta de mim : "Tenho em mim todos os sonhos do mundo.".
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