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Márwio Câmara

Escritor, jornalista e um apaixonado pelas artes. Escreve porque sua voz está na escrita.

A queda em elevação poética no novo livro de contos de Sérgio Tavares

Após o primeiro e já premiado livro, o jornalista e escritor Sérgio Tavares retorna novamente em seu segundo livro de contos, mais maduro e reflexivo, deixando de lado as obsessões sexuais e psíquicas da primeira obra para um clima de contemplação poética.


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Em 2010, o jornalista Sérgio Tavares estreava na literatura já premiado pelo catalizador de novos talentos literários, Prêmio Sesc de Literatura, responsável por lançá-lo no mercado editorial brasileiro, através da editora Record, com a publicação do livro Cavala, uma reunião de quatro contos densos que se apoiam nas obsessões de suas personagens.

Dois anos depois, mais maduro, e acredito que confiante, para dar prosseguimento ao seu trabalho como escritor, em editora nova, agora pela Confraria do vento, Sergio Tavares apresenta um novo livro de contos, deixando de lado a obscuridade psíquica que permeia em sua primeira obra, para traçar histórias com forte teor poético, e quase que reflexivas, que reunidas formam: Queda da própria altura.

O que permaneceu, e que notoriamente já era observado em Cavala, foi a soberania com a palavra, que em sua obra anterior revelara-se menos poética e mais visceral, explorando as compulsões e a sexualidade exacerbadas de suas personagens.

Em Queda da própria altura vemos a composição de um quadro feito não em uma tela, mas na superfície branca de nossa mente. O detalhismo das paisagens, o tom confessional de suas personagens, o deslocamento da realidade com a vida interior, esta majoritariamente tão vasta e eloquente; cada momento parecendo rodar como um filme em câmera lenta, onde os olhos observam tudo ao seu redor, sem escapar nada.

Ao todo, o livro é constituído de nove contos divididos em três momentos intitulados como: impulso, voo e queda. Para quem for leitor de primeira viagem dos textos de Tavares, irá estranhar o início dos parágrafos, os quais todos eles iniciam-se com letra minúscula. Mas é só uma característica do escritor, que também já foi usada por outros, como é o caso de Clarice Lispector, em Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (onde também a autora abre o primeiro parágrafo do livro com uma vírgula).

O que me parece é que, no segundo trabalho de Sérgio Tavares, o escritor sabia o tempo todo da unidade que queria dar ao livro, já que tudo é muito bem elucidado durante o trajeto que fazemos em cada história. E para tal, a escolha do título que chamou-me atenção logo de cara.

A queda neste caso é apenas a libertação do corpo, o desvencilhamento com o material; a alma entregue à levitação quando posto o leitor à experiência magna com a literatura do jovem escritor Sérgio Tavares — esta a qual, rica e de primeira qualidade.


Márwio Câmara

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