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Márwio Câmara

Escritor, jornalista e um apaixonado pelas artes. Escreve porque sua voz está na escrita.

A contemporaneidade nostálgica do ilustrador André Bergamin

O ilustrador natural de Porto Alegre reúne em seu trabalho criatividade e técnica numa atmosfera caótica em clima retrô.


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Ilustrações que destilam um ar nostálgico, em clima de jazz, sob a avalanche em recortes entre os mais elegantes aos mais simplórios anúncios publicitários antigos, fotografias e ilustrações de jornais e revistas, datados em distintas épocas, estas as quais, marcadas pela ingenuidade e ruptura e, sobretudo, pelo impulsionamento da indústria do consumo.

Com a Segunda Guerra Mundial, a publicidade ganhou o seu papel destaque, o seu núcleo que levaria ao apogeu. E através dele descobriu-se o seu poder de sedução que, respectivamente, geraria-lhe a força do consumo — fomentada, evidentemente, com o poder dos meios de comunicação.

Mas olhando para as colagens assinadas pelo ilustrador André Bergamin, vemos que mesmo A altivez nostálgica explicitada no movimento de suas personificadas figuras, estas revelam um quê de contemporaneidade, já que a todo momento o clima retrô é assombrado por uma atmosfera de alarde e desordem.

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"Tem algo na montagem, cor, textura, que parece que não se encontra tão facilmente nas publicações de agora. Além disso, são imagens que cumpriram determinado papel no passado e quando se retirá-las do contexto original o resultado tende a ser mais impactante", diz o desenhista de 26 anos, natural de Porto Alegre.

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"Acho que a coisa mais fundamental das minhas peças é a ideia de "sequestrar" uma imagem de seu lugar original e a colocar em outro. Fora do seu contexto e forçada a se relacionar com elementos estranhos, a imagem parece que multiplica os seus significados. Mais recentemente, tenho me interessado, também, na combinação de cores vibrantes com temas sombrios", revela Bergamin.

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O ilustrador que tem como inspiração os artistas John Baldessari, John Stekazer, Richard Hamilton, Max Ernst e John Stezaker, também conta: "Acho que sempre me foquei no trabalho e não em algum suposto talento. Trabalhando com publicidade e design gráfico, eu fui percebendo que eu gostava muito mais de fazer montagens e trabalhar com figuras e cores do que com tipografia, logos e coisas do gênero. Eu comecei a experimentar com colagem enquanto ainda trabalhava com publicidade. Quando recebi algumas propostas para ilustrar algumas matérias de revistas, decidi deixar as agências e me dedicar ao meu trabalho como ilustrador."

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E quanto ao processo de manipulação das imagens, o ilustrador revela: "Eu vou folheando minhas revistas, geralmente sem procurar por nada em específico, até eu achar uma imagem que eu goste. Eu digitalizo essa imagem e a recorto. Esse processo é repetido com muitas outras imagens; elementos, personagens, paisagens e a partir deles, vou montando. Mesmo que eu use algo feito a mão como manchas de tinta acrílica ou aquarela, o processo é o mesmo e tudo no fim é digitalizado e montado no computador."

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Mais informações e imagens do trabalho do ilustrador André Bergamin, em sua página oficial no Facebook:

http://www.facebook.com/bergamin.andre


Márwio Câmara

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