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" Porque são nas menores caixas que cabem as grandes coisas "

Lucas de Siqueira

Creio na incongruência relativa. Na constância da criação. No que existe entre o que vem, e o além, no que está depois do tempo. Escrevo, logo existo.

Filosofia: A arte do raciocínio.

No mundo capitalista em que vivemos as pessoas passaram a evitar questionamentos pois desde pequenos, são estimulados a aceitarem nas escolas. Livros e perguntas, censurados, não mencionam o que é mais importante : A independência do pensamento.
A história e a filosofia nos mostram que apenas quem pensa sabe realmente o que está lendo, ou até mesmo, observando. Será que a maneira como pensamos não é a mesma com que moldaram o pensamento?


Thumbnail image for Thumbnail image for Thumbnail image for imagem.JPGDiletante, Diletante!”, já dizia Schopenhauer a respeito da escrita e da leitura. O famoso crítico alemão, de conjecturas pessimistas e de tantas influências, foi capaz de em um livro seu, fazer exames de como ao modo em que a sociedade vê o conhecimento literário contido em uma era como a nossa, a verdadeira inteligência é que se afunda.

O conhecimento humano, embora hoje esteja disponível a todos, pertence a poucos; isto é fato. Parece que apesar de vivermos em uma era onde as facilidades e rapidez com que a informação chega até nós se encontram, o que diminui, é o interesse humano em se apegar a uma ideia e desenvolve-la. Enquanto dizem que o homem ocidental é mais sofisticado que o do oriente, paro para pensar se realmente o somos. A Índia, Tailândia, China e outros países de cultura védica, tem em si algo importante que em países como os nossos ainda está em falta, ou que talvez, já entrou em extinção há muito tempo. Desde pequenos, somos instruídos à ordem, ao empecilho da obediência, que ao clamor de um líder que incendeia a fala com suas leis – em escolas primárias e ginásios, período de plena formação de pessoal - obriga o homem a apenas aceitar o que lhe é dito. Professores comprimem conhecimento antigo, de dois mil anos ou até mais, em poucas páginas de um livro ou outro, esperando que uma verdade submissa sobressalte. Quem é que realmente sabe tudo aquilo? Só quem as vive, experimenta. Experiências vívidas, que são dignas dos autores e filósofos. De fato, falta hoje, alguém que ao lê-las, as espera adquirir. Eis a crise deste mundo: A do intelecto. No Oriente, contrariando as tais regras que a nós foram impostas, o que persiste é espontâneo. O homem prega a clareza e a paz de espírito. Foi como Demócrito nos propôs, há tanto tempo.O único meio de atingir felicidade era negar a seus desejos e só então, deixar preocupações de lado. Nietzsche também o cita quando diz que o homem já não mais pensa. Na introdução de seu livro, “A Filosofia na Era Trágica dos Gregos”, propõe que o homem deve voltar em época semelhante à antiga Grécia, onde o voluntário, decidido a então pensar, não se aplica ao conhecimento que existe e é erudito , e desta forma, adquire a autonomia.

Schopenhauer, em suas páginas, fala algo semelhante quando faz menção ao erudito que, de tanto em tanto ler, acredita ser mais sábio que o escritor. O homem moderno de uma nova geração, ao olhar os livros em fileira das estantes, crê que aquilo é obsoleto e que ao lê-los, já os domina. Diz que alguém, ao escrever, usa ideias mais antigas e as mudam com frequência. Em outras palavras, quando alguém escreve um texto sobre o outro, sem citar a fonte ou o original, ou não faz menção à ideia do autor, faz como quem tira o traço de Michelangelo, e no lugar, põe seus rabiscos. Ao ver que o homem quando lê se utiliza de pensamentos já pensados, diz que o mundo, quando evolui, na verdade mergulha em retrocesso. A crítica de Schopenhauer, em outros termos, estabelece-se na medida em que diz que ler é bom, mas que também é bom pensar. O homem que lê muito pensa pouco, e quem pouco pensa, mal aprende a se expressar. Creation-of-Man-by-Michelangelo-Sistine-Chapel-on-Flickr-Photo-Sharing.jpg Quando olhamos para o mundo hoje, o que nós vemos é um sistema que obriga a ler e que oprime o pensamento. Pior que isso, ele impõe o que pensamos – seja através de propagandas ou de críticos, que de letrados talvez tenham muito, mas que de pensadores e filósofos só têm a cara. Muitas vezes, opinião e expressão, são consumidas como um pão de cada dia. Quem lê não questiona, aceita como verdade absoluta, pois quando questionado, expõe a opinião alheia que é dita como sua. O que homens como Schopenhauer, Nietzsche, Platão, Epicuro e até Demócrito de Abdera nos propõe, é que leitura e estudos só serão bons quando feitos com frequência e sem pressão, e não seguidamente e muitas vezes. O que nos dizem, resume-se no fato de que ao ler, tomemos tempo para pensar e questionar, e não só ler e aplicar. Hoje, a ciência moderna, por incrível que pareça, chega às mesmas conclusões. Quem sabe mais? Como estudar? Qual é o método mais certo? Estudos recentes concluíram que testes realizados em períodos divergentes de tempo, apresentam maiores resultados quando o assunto é a memória. É como se o cérebro, apanhando a sinapse do estímulo, ao aprender algo novo, guardasse toda a informação em um neurônio que se forçado, acaba por não concluir a ligação correta em meio aos neurotransmissores. O uso de técnicas mnemônicas, atualmente tratada em laboratórios de filosofia experimental, apresenta métodos completamente novos e distintos daqueles que os colégios hoje em dia tentam nos passar. Ao que parece, ditados e longas leituras seguidas de séries de exercícios, como faziam os antigos jesuítas, não funcionam de maneira eficiente quando o assunto é aprendizado; desse modo, a informação torna-se algo ainda mais difícil de agregar.

Filósofos, antigos como os citados, sabiam disto há muito tempo, mas ninguém, quase ninguém, de fato sabe. Avisaram-nos, por meio de críticas sociais e manifestos, a respeito da arte e erudição. O mundo moderno, em paralelo à doutrina onipresente do dinheiro e capital, passa a apenas estimular consumo, tanto em produto quanto no intelecto. As pessoas aprendem apenas o que o mercado julga necessário, e em grande parte, nem isso aprendem. Consumir é que é bom. Aceitar é que é bom. Ler, quem sabe, e pensar com um pouco de senso crítico, nos torne um pouco diferentes. Será que custa mesmo questionar?


Lucas de Siqueira

Creio na incongruência relativa. Na constância da criação. No que existe entre o que vem, e o além, no que está depois do tempo. Escrevo, logo existo..
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