matchbox

" Porque são nas menores caixas que cabem as grandes coisas "

Lucas de Siqueira

Creio na incongruência relativa. Na constância da criação. No que existe entre o que vem, e o além, no que está depois do tempo. Escrevo, logo existo.

Jackie Chan - O Dragão do Cinema Oriental

Se tem alguém que se destaca no Cinema de ação, esse alguém é o aclamado ator chinês Jackie Chan. Aos seus 58 anos, o também diretor de drama e comédia, tem uma legião de fãs e é conhecido no mundo todo por ser um dos únicos atores que realmente se arrisca em seus papéis, sem o uso de dublê. Um marco, na história do Kung Fu, este homem é também a continuação de um legado de heróis orientais que vêm deixando sua marca em Hollywood há muito tempo.


Cinema reflete a cultura e não há nenhum mal em adaptar a tecnologia, mas não à custa de perder a sua originalidade.Thumbnail image for dhfshsd.jpg Talvez esta máxima soltada por um dos atores mais carismáticos de todos os tempos resuma em pouco, aquilo que o que há de muito em sua carreira: Autenticidade. Jackie Chan, desde pequeno, demonstrou um grande apreço pelas artes marciais. Disciplina, harmonia, congruidade, perfeccionismo e movimentos extraordinários; o mundo das possibilidades era tão extenso, que com o simples contrair de um músculo e ressaltar de algum membro, seu corpo podia assumir as místicas formas da Serpente, do Dragão, do Macaco e da Garça, além de outros. Era como se a natureza estivesse ao seu alcance. Um sentimento único, e para muitos, inalcançável. Ele conseguiu, e através dele, muitos conseguiram enxergar através da luta, uma obra de arte.JACKIE CHAN.jpg A grande missão do artista no final da década de 80 e começo dos anos 90, era ao fazer o que chamamos de “americanização das artes marciais”, trazer um pouco da milenar cultura chinesa ao mundo moderno que havia acabado de sair da Guerra Fria, e que via no país de origem do Kung Fu, um possível inimigo. Jackie, como o homem espirituoso que sempre foi, utilizava-se de seu carisma elevado para pregar a pacificação entre os povos através de sua habilidade única com as artes marciais. Uma prova disso foi que quando a primeira oportunidade de despontar sua ascensão no cinema hollywoodiano surgiu em 1993, a ideia da queda do muro de Berlim ainda não havia sido concretizada, e ao ser-lhe oferecido um papel no filme Demolition Man de Joel Silver como um vilão, ele recusou, temendo passar ao mundo uma ideia errada de seu país. O papel, posteriormente, foi interpretado por Wesley Snipes. Os assim chamados Filmes de Kung Fu ganharam um âmbito próprio na cultura ocidental, e foi justamente influenciado por dezenas de atores como Bruce Lee , que o surgir de uma nova persona no ramo tornou-se algo que nos fãs causava tremendo alvoroço. Thumbnail image for jackie-chan-2010-1-6-21-11-43-600x384.jpgEu nunca quis ser o próximo Bruce Lee”, afirma Jackie, “Eu só queria ser o primeiro Jackie Chan”. Os filmes de Kung Fu orientais tiveram uma grande autoridade sobre o gênero da ação, no ocidente, e é algo que se pode ver nos reflexos da era pós-Lee com o surgir dos filmes de homens como Steven Seagal e Chuck Norris, além dos outros, é claro, que dominaram área mais underground das películas na sétima arte. Os filmes de Chan, assim como dezenas de outros de seu país, tem uma única coisa em comum: São completamente autênticos.jackie-chan-20060405-119795.jpgSeja pela maneira como a luta é representada em um ângulo de câmeras sem corte ou talvez pela maneira como os próprios cortes são realizados com maestria: Seus filmes sempre serão distintos. Em Police Story, série de longas que marcaram época na carreira de Jackie, uma das coisas mais impressionantes foi a maneira como a ação frenética, seguida de diálogos breves e nem por isso menos importantes , encaixaram-se perfeitamente. Grandes takes que seguem o personagem por longos percursos e capturam, de maneira impressionante cada detalhe de movimento, são também impressionantes . Uma das mais memoráveis cenas de toda a saga, por exemplo, é uma em que ele tem que atravessar uma vila que se encontra em um penhasco com um carro em alta velocidade; com uma visão superior gravada de helicóptero, somos apaziguados por algo extremamente empolgante: O carro desce desenfreadamente e Jackie, lá dentro, nos faz ficar aflitos. Outra também, que cabe a nós lembrar, é a introdução de Armour of God II: Operation Condor, em que ele faz algo semelhante quando entra em uma daquelas bolhas de ar, rolando pela montanha, enquanto escapa de uma tribo de índios furiosos; este filme, por sinal, é um de seus melhores.jackie.jpgUm de seus grandes diferenciais , tanto como ator ou diretor, é o fato de que ele sempre consegue colocar em xeque o seu carisma, que somado a um pouco de humor saudável, torna seus trabalhos ainda mais divertidos do que ver as simples pancadarias da TV ou do Cinema. 600full-jackie-chan.jpgJackie, muito bem recebido pelo público dos blockbusters em Rumble in the Bronx, de Stanley Tong, consagrou-se em Hollywood e desde então, tem sido reconhecido no mundo todo. Hoje, não há um entre esteja entre os cinéfilos mais assíduos ou entre os fãs de Kung Fu que discorde, até mesmo a mais inocente criancinha afirma isso: Todos foram capturados, feitos apreciadores dignos da magia de sua arte. É com ele com quem conseguimos nos identificar. Incrível, é o fato de que em O Mito, outro filme dirigido por Stanley Tong, somos apresentados a outra de suas proezas artísticas: O canto. Junto com Kim Hee Seon, ele faz a performance da música Endless Love, composta por ele mesmo para a trilha sonora. O filme conta a história de um arqueólogo que, investigando partes da Índia em busca de vestígios da primeira dinastia do Imperador Qin, encontra vestígios de que talvez haja uma tumba guardada por uma princesa, onde supostamente, haveria um elixir da longa vida.000013863.jpgComo ator, ele é um dos mais homenageados da história. Jogos, desenhos e quadrinhos são lançados em seu nome, sem mencionar é claro, que sua marca está estampada eternamente na calçada da fama. Em seu mais recente lançamento, 1911, ele volta a dirigir, só que desta vez interpelando sua atuação para um ramo bem distinto: O drama. O filme épico conta um dos momentos mais trágicos da história da China, na Revolução Xinhai, quando ocorreu a queda da última dinastia. Os filmes de Jackie, talvez pela magia das artes marciais ou pelo seu carisma, como ator, são sempre muito divertidos. Todos os públicos são atraídos à ação de seu cinema despretensioso, que com um alto teor de cultura e personalidade, consegue por fim passar a todos a mensagem que concretiza sua missão. Ao que parece, o Cinema é mesmo capaz de mudar o mundo. Ele é alguém único, sem precedentes, que por mais que descrevêssemos em um jogo de palavras, este jamais seria capaz de descrever a originalidade com a qual os seus conceitos são passados de geração para geração e capturam, com sua energia contagiante, o coração de muita gente. “Não tente ser como Jackie. Existe apenas um Jackie”. Eis ai o segredo deste homem, que porventura, poucos sabem. Vida longa a Jackie!


Lucas de Siqueira

Creio na incongruência relativa. Na constância da criação. No que existe entre o que vem, e o além, no que está depois do tempo. Escrevo, logo existo..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/Cinema// @destaque, @obvious //Lucas de Siqueira