matchbox

" Porque são nas menores caixas que cabem as grandes coisas "

Lucas de Siqueira

Creio na incongruência relativa. Na constância da criação. No que existe entre o que vem, e o além, no que está depois do tempo. Escrevo, logo existo.

A Verdadeira Face do Messias

“Assim é que Cristo devia ser: um homem de compleição vigorosa e firme, de aspecto majestoso, de rosto visivelmente formoso. Um ser humano excepcional, de incomparável personalidade.” As imagens transladadas no Sudário de Turim têm comovido fieis ao redor do mundo há milhares de anos. O santo lençol que supostamente recobriu o corpo de um dos homens mais importantes da história tem ficado suas raízes de razão em provas de uma fé incontestável: “Para quem crê, nenhuma prova é necessária, mas para o cético, nem toda a ciência seria capaz de convencê-lo.” Independente de ser fato, ou simplesmente alguma crença, o Sudário é uma prova concreta de que alguém há muito tempo padeceu de sofrimento conforme os Evangelhos. A Ciência contesta, mas a Igreja vocifera com relíquias. Dezenas, centenas, milhares delas. O objeto de fidúcia e de extrema confiança que marcou o jubileu da virada do milênio tem na fé, a mais potente força do universo, cravada uma mensagem: a biografia de uma lenda. A peripécia dos homens. A catarse que elevaria aos céus um homem que se tornou um deus. A fábula de um asceta que teria vivido há exatos dois mil e doze anos. Esta historia é ainda hoje envolta de mistérios. Afinal, quem é Jesus Cristo?


These-Things-I-Believe-Jesus-copy (1).jpg O trabalho de reconstruir o rosto de um dos homens mais importantes da história tem-se mostrado um trabalho penoso ao longo dos anos, mas o desejo de conhecê-lo é bem maior que os obstáculos. Desde o século primeiro, a imagem do messias salvador da humanidade tem sofrido diversas alterações. De acordo com a iconografia, Cristo é ora um ariano loiro, gentio, de traços europeus e barbas longas, outrora, um mouro rústico, de origens semitas, cujos olhos nos perpetram as raízes de sua terra, Nazaré. A verdade é que ninguém jamais o contemplou diretamente – nem mesmo os seus discípulos. O homem-deus que veio à Terra salvar os pecadores é repleto de mistérios. Transfigurações. Suas qualidades sobrehumanas são fundadas sobre a carne, o osso, o sentimento e a compaixão. Na forma reles de um mortal, permanece a natureza da trindade - uma efígie eternamente desconhecida e questionada pela Ciência. A fé em Jesus Cristo, o rei dos judeus, foi a responsável por dezenas de utopias – milagres, redenções. Como nós homens fomos capazes de comunicar a sua mensagem em dois mil anos? Caravaggio-The-Supper-at-Emmaus-1600-01.jpg3216986031_d2bf9808a0_z.jpgA boa nova do evangelho é que Cristo não se resume em testamentos, livros, compêndios de oblações. Dai graças ao céu, pois é necessário ter olhos para distinguir a divindade. Olhar a natureza e enxergar a divindade – é na meditação milenar dos atributos divinos que a arte sacra perpetuou a sua existência. Cristo, o magnum opus divino – hoje, mais do que homem ou imagem. Símbolo de fé. Ele tornou-se um ideal. Nos primeiros anos apostólicos da Igreja, a ausência de retratos e figuras que representassem o Filho de Deus fez com que os apóstolos recorressem aos gregos e romanos; afrescos sobre Apolo, Dionísio, Átis, Mitra, Júpiter. Uma densa coletânea de deuses do antigo panteão greco-romano expurgavam os pecados da Igreja, transformando em costume, diversas características desta arte. A auréola, por exemplo, em torno da cabeça das divindades católicas, origina-se de representações dos anéis jupterianos que ilustravam a Júpiter, o Deus Pai da enéade romana. jolies-green-jesus-painting (1).jpg Toma-se também como ponto de partida as imagens de Apolo, o deus da luz e da verdade, que era louro, como explicação para a germanização das imagens de Jesus no século primeiro. Muitos ainda questionam a veracidade das origens destas imagens, mas Cristo, ao longo dos anos, mesclou-se ao que Joseph Campbell, famoso professor de mitologia britânico, chamava de amálgama lendária. Uma postura que inspirara Freud e Jacques Lacan, além de outros no ramo da psicanálise a multiplicarem os caminhos para se encontrar um “eu interior” esquecido,escravizado. Ao tecer o fio da análise epistemológica naquilo que batizou de jornada do herói, Campbell concluiu, por sua vez, que a mitologia como um todo funciona de maneira semelhante a alguns programas de computador desenvolvidos por empresas completamente diferentes: os caminhos e objetivos, seriam sempre os mesmos, embora não funcionassem em respectivos hardwares. Para ele, a jornada de autoconhecimento dependeria de onde você nascesse e para onde você queria ir, o que de fato, não diferiu muito do que Cristo nos provou em sua vida: a terra prometida não era deste mundo, muito menos organizada por homens e prazeres, mas sim, um reino que cada um faria de forma diferente, embora em seus caminhos, semelhantes. Wenceslas_Hollar_-_The_Greek_gods._Apollo.jpg apollo.jpg Caracterizado por uma lei suprema, ele moldou a arte, e a arte o modelou. O papel de Jesus Cristo no meio artístico influenciou a Europa na era barroca. Não só neste período, mas em todo aquele que precedeu a Renascença, e permanece até os dias de hoje. Alguns não sabem quem ele é, mas tem ideia do que fez – porque viram a sua imagem. Enquanto a arte barroca centralizava o papel da divindade como a base do universo, as figuras humanas eram distorcidas e fracas diante do esplendor mistificado das figuras, estranhas, multiformes, sempre ligadas à ideia de inferioridade. O barroco, nas mãos de artistas como Francesco Albani e Abraham Janssens, adquire a forma de batalha entre extremos – o conflito entre mitologias, crenças, questões e verdades dogmáticas.5835640_1_l.jpg Posteriormente, Caravaggio os eternizariam- Jesus Cristo e seus discípulos – como figuras humanas e realistas, que em meio aos homens, encontravam-se nas ruas dando forma às suas pinturas. Para ele, o paraíso estava ali – no caos das ruas multifacetadas. Algumas de suas obras mais famosas são “A Captura de Cristo” e a “Incredulidade de São Tomé”, que demonstram o sentimento e a escuridão que envolvem o centro de todas as questões quebradoras de tabus. 'A captura de Cristo'.jpgIncredulita_di_San_Tommaso.jpg Reza a lenda que no lenço em que José de Arimatéia e Nicodemos envolveram o corpo do Salvador, uma marca emblemática de ares místicos e misteriosos cravou a face do nazareno para as gerações posteriores. O costume judaico de envolver o corpo dos falecidos em um tecido, é milenar, pois o cadáver, segundo a crença, torna-se impuro. Até mesmo o mortuário onde os perecidos eram postos devia ser lacrado a sete chaves. Mas Cristo, não permaneceu ali, pois segundo o peremptório dos apóstolos, ele teria subido aos céus e se sentado à direita de seu pai. Os apóstolos, que viram e acreditaram na ascensão de seu senhor, correram a pregar o evangelho – a face de Cristo estampara-se ali, milagrosamente. E o Sudário, que até os dias de hoje é objeto de fascinação, foi – e é – considerado uma das principais relíquias eclesiásticas, prova, do sofrimento e das chagas de Jesus. Com 4,36 metros de comprimento e 1,10 metros de largura, a Síndone, venerada por cristãos em todo o mundo, é um lençol de sarja de linho, delicado, leve, suave e muito flexível. A tradição prega que já esteve sob a posse de homens importantes, e até mesmo sob a posse de cavaleiros templários, mas a Santa Sé, que só recentemente adquiriu direitos sobre o artefato, tornou-se eternamente grata ao ducado de Saboya ao recebê-lo no ano de 1988. A Igreja não encrava a sua autenticidade, mas também, não o exclui das atenções – pelo contrário, considera-o fidedigno, importante, exemplar e acatável.sudario.jpg A história do Sudário de Turim permanece em grande parte como um mistério da Igreja, mas sabe-se, que os primeiros registros de sua aparição são de culturas situadas em meados do século 12, onde um dos setenta apóstolos de Cristo - segundo a Igreja Ortodoxa da Constantinopla - teria levado uma carta escrita pelos salvador ao imperante de Edessa, Abgar V, que padecia de doença incurável. As obscuridades que remetem a esta lenda são tremendas, como as que confundem assinalam a carta a uma pintura originalmente impetrada por um dos pintores do monarca, Ananias, autor de gravuras que resistiram à atualidade. Nelas, o Mandylion – o famoso Sudário de Edessa- é mostrado nas mãos de Abgar, o rei, que teria sido curado após uma longa contemplação. 27abgar.jpg Mas as faculdades místicas do Sudário não param por aí. Quando Edessa caiu no poder dos Muçulmanos, o Mandylion teria sido mantido em segredo dentro de um baú, onde séculos depois, foi transferido à cidade de Bizâncio, a mando do Imperador Cristão Romano Lecapeno. Lá, dentro de uma arca ornamentada de carvalho, permaneceu durante anos. Ainda existem documentos encontrados na antiga capital Constantinopla, onde palavras de Constantino VII Porfiorgênito( 905 -959), Imperador, descrevem o tecido de Edessa exatamente como o Sudário de Turim. Além dos imperadores, cronistas, ao decorrer dos anos, relataram a admiração da relíquia; “[...] aqueles objetos foram aplicados ao salvífico corpo de Cristo”, “[...] encontrado dentro do Santo Sepulcro, o lençol que envolveu o corpo de Nosso Senhor no momento da ressurreição.”; na verdade, Cristo, estava cada vez mais próximo da posteridade. Existem indícios de que o Sudário, além de tudo isto, passou por regiões de Jerusalém, e caminhou por todo o Oriente Médio, além de ter marchado algumas milhas em províncias no Norte da África, antigo Império Romano. Foi em Alexandria, junto a outras relíquias apostólicas, que ele resguardou-se da perseguição – existente até os dias de hoje. O que resta saber é se o Sudário de Edessa, que parte dessas lendas e histórias que percorreram a Europa no milênio anterior, é o mesmo que se encontra na cidade de Turim, na Itália, atualmente. Sabe-se que o Papa Inocêncio III, ordenou que logo após a tomada de Constantinopla, Othon de Roche, junto a outros chefes da Cruzada, recuperassem o Sudário e se tornassem seus sumos guardiães durante anos.O historiador inglês Ian Wilson, defende uma hipótese que acaba por se cruzar com a anterior. Para ele, os Cavaleiros Templários teriam se apoderado do artefato a mando do Papa e o levado para Ilha de Chipre, onde após a queda das fortalezas ocidentais, o levaram para Paris, no templo do grão-mestre. Com a extinção dos templários a mando do Papa Clemente V, e sob a ganância de Felipe o Belo, o Sudário reapareceria anos depois na Igreja de Lirey, próximo a Troyes, na França, onde nos anos posteriores, seria consagrado às famílias de de Chambery e Saboya que a mantiveram até recentemente, após a morte de Humberto II.santo-sudario-20100326094754.jpg A odisseia histórica, literalmente, adquiriu proporções bíblicas na medida em que o tempo foi passando. Atualmente, distinguir o que é fato dentre os mitos, tornou-se um trabalho simples, entretanto, está máxima não se aplica ao Sudário de Turim. Após o primeiro retrato da síndone ter sido tirado no final século XIX, Secondo Pia, o fotógrafo responsável pela imagem espantou-se: era como um negativo. A imagem impressa no artefato revelou a face de um homem acabrunhado, porém, com aspecto pacífico, apesar de todo o sofrimento. O interesse científico na relíquia ardeu, foi como lenha na fogueira. De repente, milhares de pesquisadores se interessaram. Nascia o STURP (Shroud of Turin Research Project), um grupo de cientistas responsáveis pelo estudo e pela análise das características da mortalha, que há tanto, teria recoberto a face do asceta fundador da Igreja Católica. O que eles encontraram, porém, foi assustador. Apesar de todo o relento em confirmar a autenticidade do artefato, os resultados, foram surpreendentes. O exame do tecido permitiu recobrar a inexistência de pigmentos, como alguns afirmavam existir – o sudário não era uma pintura. Também fora encontrado pólen, de plantas características como a Mirra, além de outras espécies originárias de Israel. O mundo observava a construção de um novo mito. Meditação sobre a Paixão de Cristo - Vittore Carpaccio passion_carpaccio.jpg O estudo da face confirmava: em algum momento da história, alguém, tal como é descrito no evangelho, foi torturado, morto e crucificado. A imagem apresentava a cartilagem do nariz rompida e desviada para a direita, o que poderia originar-se de uma queda - o tecido continha resíduos microscópicos de terra na região nasal da mesma maneira que nos pés -; De maneira similar às fases da paixão, o lado direito do rosto era provido de uma grande contusão, que segundo os especialistas, fora desferida por um golpe - o rosto estava repleto de escoriações; os olhos e sobrancelhas, marcados, assim como a fronte, ferida, cheia de pequenos e profundos cortes. Além de tudo isso, o corpo estava completamente flagelado, com mais de cento e vinte abalizas de ternário. Também fora encontrado sangue do tipo AB, o mais comum dentre os semitas. Em face de tudo isto, só restava o teste de carbono catorze. A espera era colossal – quem, quem no mundo imaginaria que um simples pedaço de tecido uniria a Ciência e a Religião Como nunca antes na história? Dito e feito. Mas o teste realizado por três laboratórios diferentes com o consentimento da Igreja, datou o lençol de algum período dentre os anos 1260 e 1390. Existem diversas teorias, mas a resposta, não se resume em uma análise como a que foi feita. Em experimentos científicos minuciosamente preparados, tais quais o do Sudário, quando dezenas de respostas contrariam uma em especial, a que jaz é a que conduz à maioria – desta maneira, o tecido não poderia ter sido deste tempo. A Igreja jamais negou a sua autenticidade, até porque, o de Turim, não é o único. Marcas de sangue também foram encontradas no Sudário de Oviedo, que bate geometricamente às figuras e feições do de Turim. A tais características, deste tecido que foi datado pelos mesmos testes de uma época anterior ao de Turim, não se encontram respostas. O Sudário de Oviedo contém manchas de sangue do mesmo tipo, e em meio a análises espectrográficas, eleva a chance de que a Ciência esteja errada – pelo menos desta vez. Por outro lado, um outro pano sacro que pertence aos relicários do Ungido, a Santa Face de Manoppello – a Verônica de Roma -, também mantém sigilo quanto às suas origens. Não existem pigmentos, indícios, marcas ou evidências de que em algum momento da história, alguém tenha fraudado o archeiropoiéton – palavra grega para “não feito por mãos humanas”. O Sudário de Oviedo - Catedral de Oviedo Thumbnail image for oviedo1.jpg A Face de Manoppellobright Holy Face.JPG As feições semelhantes destes tecidos, para lá de todos os mistérios envolvidos, nos levam à lógica de que além de toda a geometria envolvida em suas formas, se encontra um fato claro ao observador: Cristo, é retratado de maneiras diferentes, por pintores diferentes, de acordo com a iconografia. Estes sudários, pelo contrário, apresentam aspectos únicos, tais quais a estranha deformidade das bochechas e a forma de seus olhos. Soa como um retrato obscuro de alguém, entregue pelos anjos, se não pintados pelas mãos de um ser humano. A resposta alternativa a estas histórias é a de que alguma espécie de energia emitida durante a ressurreição teria alterado os resultados do teste de carbono catorze. Na verdade, ninguém sabe exatamente sabe como a imagem se formou. Dentre as hipóteses mais aceitas, encontra-se a que toa ao manuseio milenar do relicário, às remendas, aos ateies, às inúmeras restaurações que o Sudário sofreu após grandes incêndios – como o de 1532, em Constantinopla -, elas teriam alterado a composição das fibras em determinadas partes do tecido. Outra vertente afirma que foi Leonardo da Vinci, o anatomista, pintor, gênio e escritor da Renascença, que teria recriado a relíquia com base no Mandylion de Edessa. A mando de algum nobre, sem medo de punições da Cúria, ele teria se utilizado de técnicas particulares para recriar a imagem de Cristo no tecido. Contudo, esta hipótese pode soar estranha; o fato de que não existem pigmentos de tinta, faz de Da Vinci, que nasceu em 1492, um grande impostor. Ora, o tecido foi datado de uma época anterior. Mas mesmo os cientistas do STURP levam em conta de que é possível que alguém falsificasse a mortalha de Jesus. Alguém de suma inteligência, que conhecia anatomia, e que detinha grandes planos por parte do Sudário.Da Vinci, se encaixa no papel. Gênio, artista, anatomista, considerado herético por alguns. Em um de seus manuscritos analisados pelo STURP, ele pede a alguém que lhe traga uma mão perfurada por um prego no mesmo local onde Cristo teria sofrido a Incisão. E por que alguém faria isto, se não para estudar a anatomia da crucificação? A resposta para a data do tecido, é a de que para enganar a Santa Sé e a nobreza de que se tratava do Sudário original, ele teria adquirido um tecido de linho de aparência antiquaria, e após a inserção da imagem do nazareno, ateado sangue humano para simular os ferimentos. Grande parte de sua fama dá-se por ele ter dissecar inúmeros cadáveres, mas nesta teoria, da Vinci teria feito o Sudário com muito mais dificuldades. Seus relatos demonstram estes processos. Através de um predecessor da fotografia que existe desde II a.C - a câmara escura-, ele teria colocado uma figura em frente às lentes, cuja passagem da luz pelo sulfato de ferro espalhado no tecido reagiria quimicamente deixando uma marca que funciona como negativo quando revelada – e isto de fato, acontece no Sudário. Se ele de fato foi o responsável pela maior falsificação da história, alguns poderiam perguntar-se como, desenhar a face de Cristo. A Ironia, é que todas as pessoas, em qualquer lugar do mundo, sabem reconhecer a Jesus Cristo sem que nunca o tenham visto. Para pilar deste argumento, ninguém soube como ele foi. Da Vinci, o magnânimo pintor, admirável por ter realizado algumas das maiores obras de arte de todos os tempos, devia ter no mínimo uma ideia. O cume da bondade – sofrimento. Da paixão e da admiração. Alguns afirmam, inclusive, que o Sudário seria um autorretrato do “pintor”. Tal qual a Mona Lisa, ou o famoso quadro Salvator Mundi. A resposta, para isto, é que no fim, segundo o STURP, todas as três têm simetria. A hipótese, tem milhares e adeptos. Salvator Mundi - Jesus Cristo de Leonardo da Vinci salvator-mundi-1.jpg A figura do Sudário, posteriormente, eternizou Jesus Cristo nos olhos dos fieis. Foi como uma “segunda ressureição”. De um tempo para o outro, todos sabiam como ele era – Ele, Cristo ressuscitado. As primeiras pinturas que se basearam nestas formas são encontradas na Basílica de Santa Sofia, e em outras paredes de capelas separadas pela Europa, como o Manuscrito Húngaro de Preces, que mostra o sudário tal qual o conhecemos sendo velado por fieis. Um detalhe, é que estas imagens datam de antes do período indicado pelos exames laboratoriais. Seja o que for, a figura do pastor de homens, de simples orador que além de definir confins do calendário, transformou a história que através deles é contada. A figura de Jesus é imortal. Alguns o abancam ao lado de homens como Ghandi, Buda, Sócrates e Platão; apesar das diferenças, são elas que definem as grandes semelhanças. Cristo é a alegoria do trabalhador, do proletário, que carrega a sua cruz em busca de redenção. A promessa da ressurreição alegra o homem e o desprende de seus terrores mundanos. O ungido é o antagonista de todos os temores. A efígie do povo brasileiro. Alguns afirmam que até socialista. A verdade, é que a maior lição de Cristo, transcende ensinamentos, pois a lei entrou para a memória universal – Ágape, o novo tipo de amor reina supremo. Ao lado da união realizada dentre Eros e Psique, a figura de Cristo conservou-se como obra de arte humanizada. O ideal antropomórfico dos ideais e utopias. A certeza da incerteza. " Senhor, mostrai-nos a vossa Face e seremos salvos" - Salmo 79.


Lucas de Siqueira

Creio na incongruência relativa. Na constância da criação. No que existe entre o que vem, e o além, no que está depois do tempo. Escrevo, logo existo..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/Arte// @destaque, @obvious //Lucas de Siqueira