megalomaníaca

Viver não é preciso. Escrever é preciso.

Janne Alves de Souza

Uma moça privada de si mesma, mas tão sensível aos encantos discretos das pequenas coisas da vida...

O Retorno ao Útero Materno


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De tempos em tempos devíamos retornar ao útero materno. Há tempos em que, como no momento do nosso nascimento, o ar nos pesa, nos sufoca, como nos faltasse. Nos faz chorar como a criança que pela primeira vez sente a pressão do ar a tocar a pele e invadir seu corpo pelas narinas destreinadas.

De tempos em tempos o mundo parece a nós estranho, tudo parece fora do lugar, falta-nos o chão e asas para voar. Tudo nos apavora: a ânsia do futuro, a angústia do presente, o medo do passado, de perdê-lo, condenado ao esquecimento. Mas como a criança, nem ao menos nos damos conta disso, atormenta-nos nossa própria sombra, testemunha da nossa existência.

De tempos em tempos falha-nos a memória, confundem-nos as lembranças, pulsa mais forte o coração abatido, foge do corpo que já não o suporta, padece o corpo, pálido. Põem-nos loucos a mente, tomada pelo caos da desordem dos pensamentos, sem sentidos, aleatórios. A saudade aflige-nos, ansiamos voltar ao sítio do nosso conforto, do nosso afeto.


Janne Alves de Souza

Uma moça privada de si mesma, mas tão sensível aos encantos discretos das pequenas coisas da vida... .
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