megalomaníaca

Viver não é preciso. Escrever é preciso.

Janne Alves de Souza

Uma moça privada de si mesma, mas tão sensível aos encantos discretos das pequenas coisas da vida...

Eu queria crescer pra Manoel: ode ao Manoelês


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Eu queria crescer pra Manoel

Queria fazer palavras com brinquedo (Fazer brinquedos com palavras é fácil! Coisa de criança! Poeta é criança!)

Eu queria criar o nada (O nada que não é nada, nem o nada mesmo. O nada que é nada alguma coisa é! E sendo alguma coisa não é nada. Nada é!)

O imprestável presta a nada

Eu queria desaprender tudo, mesmo o que não aprendi

Queria desler até o que não li e adquirir sabedoria mineral (O ressoar do ferro canta o infinito)

O vazio me imensa

Eu queria reatrapalhar as significâncias (Até elas não terem nem insignificância)

Eu queria diplomar os ignorantes (Sábios são em não saber nada!)

A solidão me abisma

Eu queria ser o nada (Ser nada e coisa nenhuma)

Eu queria descientificar todas as coisas (Até a ciência!) e descoisificar coisa nenhuma

O silêncio me inunda

Eu queria despontuar as frases e dessemantizar os textos (Tirar-lhes a gramática e a sintaxe)

Eu queria principiar o fim (Dá-lhe a eternidade)

A menina que eu fui me desponta (Eu a desapontei)

O que me falta me preenche

Quero ser doutora em tolice e coroar o inútil (É muito útil em não servir a nada)

Eu queria avançar para o meio (Que é o começo depois do início)

Tudo que não invento é nada (Eu descriei o nada!)

O desnecessário me necessita

Eu queria tirar a poesia das palavras e libertá-las

Eu queria crescer pra dentro e pra fora e me esparramar

Eu queria ser palavra que voa fora da asa (Queria ser poesia!)


Janne Alves de Souza

Uma moça privada de si mesma, mas tão sensível aos encantos discretos das pequenas coisas da vida... .
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