Luccas Eduardo Maldonado

Um desejo, ou melhor, um ranço que almejo em minhas linhas: o peso. Gostaria de ser detentor de uma pena de fardo.

DIANTE DAS TELAS

Resumo: Este breve texto possui o objetivo de problematizar a televisão, a partir de um referencial de dispositivo de controle. Mais precisamente, uma breve tentativa interpretativa sobre a maneira como nossos valores são/podem ser induzidos pelas transmissões televisivas. E como tal ação vem gerando reflexos na sociedade.


Inicialmente peço desculpas a todos aqueles que vieram tomar contato com estas linhas. Pois, este é o primeiro texto que publico aqui. E logo, como consequência direta, acabei por fazer um trabalho estético de péssima qualidade, por não saber manusear a plataforma corretamente. Prometo que no futuro a situação será melhor.

Este texto, o qual está disponível, é o meu teste para a integração no projeto cultural. Espero que apreciam minha modalidade de escrita e composição de ideias.

Porém, antes de principiarmos a tomada do texto, gostaria de já elucidar como será o próximo que será postado. Acredito que uma contextualização da origem das ideias sempre é interessante. Por isso, em breve, irei lançar um pouco de minha personalidade intelectual, e como trabalho com a escrita. Entretanto, isto fica para o futuro.

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Quando recebi a proposta deste artigo-teste me senti desafiado. Sério! Realmente pensei que deveria problematizar o impossível. Digo, colocar em cheque aquilo que poucos conhecem. Destruir aquilo que é sólido. Desmancha-lo no ar. Meu desejo era de uma virtude arrasadora.

Entretanto, com o tempo mudei de opinião. Não via mais necessidade de procurar uma temática de erudição para criticar – talvez, um pouco de pedantismo de minha parte. Meus desejos se voltaram para algo mais simples. Uma coisa que as pessoas tomam contato frequentemente em suas vidas. A televisão. Sim, aquele simples transmissor de imagens.

A televisão é um instrumento de massa realmente influente no Brasil. Pois, após 64 anos de presença em terras brasileiras – foi trazida em 1950 por Assis Chateaubriand cujo funda o canal: TV Tupi – mostra-se como o mais consagrado meio de divulgação. Sendo capaz de decidir eleições, construir e destruir ícones, ocupar horas e horas da vida de milhões de pessoas.

Minha proposta aqui é bem simples. Não é tecer um ode ou apologia a televisão como dá a entender as linhas anteriores. Entretanto, problematiza-la como instrumento de legitimação e indução de valores (verdades). Ou melhor, no final das contas, como ela é capaz de induzir aqueles que estão diante dela.

Diga-me, quando você toma algo como natural ou perene, socialmente falando, você contesta tal relação? Acredita realmente que tudo que existe foi sempre assim? Na verdade a realidade é outra. As transformações são intensas no decorrer da história! Entretanto, muitas vezes somos condicionados a conceber como tendências permanentes.

Por exemplo, a tão divinizada família tradicional – como alguns grupos mais conservadores convencionam – é uma construção retórica sujeita a um tempo. Pois, se recuarmos cercas de 1800 anos, mais especificamente no Império Romano, encontraremos outras maneiras de se convencionar as relações familiares.

Um exemplo mínimo dentro de toda a relação é o conceito de filho. Qualquer pessoa que o patriarca desejasse inserir no núcleo familiar poderia ser designada com este título, seja mais novo ou velho; rico ou pobre, não importava. Seria tratado como membro do núcleo de maneira igual, ninguém questionaria ou notaria diferença.

Um caso simbólico desta prática é a relação de atribuição de Júlio Cesar para Augusto, o primeiro concedeu o título de filho ao segundo, para legitima-lo como herdeiro familiar/político.

Contudo, voltando ao dispositivo TV. O meu objetivo é claro, é aborda-la como um mecanismo de construção pessoal. Contudo, primeiramente, é preciso estar ciente que ele não é o único, há diversos outros meios de indução .

Uma pessoa ao longo da vida acaba por tomar alguns valores como verdades incontestáveis (postulados ou axiomas). Tal tendência, infelizmente, é um reflexo de nossa estruturação cultural, responsável por não priorizar uma formação crítica.

É uma prática recorrente dentro das manifestações midiáticas são discursos indutores de verdade-absoluta, os quais são bases de formação de postulados muito presentes em nossa atual composição social. Talvez, um dos mais característicos, seja a caracterização dada política na TV.

O entendimento que: todos os políticos são ladrões; são 500 anos de história de corrupção; os partidos são fundamentalmente iguais; entre outras falácias que são transmitidas em diversas apresentações. É ligar o instrumento para tomar contato com tais palavras. O filme O candidato Honesto do diretor Roberto Santucci é uma expressão gritante de tal vocabulário.

O interessante é como diversas pessoas interiorizam tais afirmações, e se compõem sujeitos sem fundamentação. A saída às ruas de diversas pessoas em protestos – pro-intervenção militar e impeachment – após o fim das eleições, é uma consequência direta da construção do discurso. O abandono da legitimidade do processo democrático. O uivo/canto de palavras/enunciados de ódio. Todos nascidos do mesmo ninho da banalização .

O tomar o referencial próprio como fundamental e superior ao alheio. Meus posicionamentos como expressão do bem comum irrestrito. Seja ele: bom ou ruim; positivo ou negativo; para o alheio.

O alcance das influências televisivas não se limita a formação política. Valores estéticos: como é, ou não é, a mulher/homem ideal. O corpo ideal modelado a partir de referenciais normativos específicas.

O que é ou não arte. Digo, legítimo ou não de ser transmitido. O monopólio de um tipo de estilo musical. A banalização do outro como expressão do marginal e incorreto. Quase como uma denuncia policialesca. A grande maioria aprecia determinada modalidade musical por qual motivo: realmente gostam e apreciam, ou são inclinados, induzidos por uma pressão social a tal posicionamento?

Todo esse complexo processo de relações – superficialmente e generalizadamente apresentados – são responsáveis pela construção de diversos sujeitos que compõem a nossa sociedade. São inúmeros discursos que condicionam, influenciam e compõem a maneira de se postarmos diante as relações sociais do mundo.

A tomada de consciência é o ato de compreensão da realidade vivada. Tal postura é uma maneira de resistência às induções. Fazer um esforço de compreender como os mecanismos estruturais e superestruturais se relacionam. Resumidamente, é a potência de realizar a elucidação, a partir de um referencial teórico. Que não é a simples leitura, é um exercício de horas e horas de entrelaçamentos concisos de fatos. Para assim ter autonomia.


Luccas Eduardo Maldonado

Um desejo, ou melhor, um ranço que almejo em minhas linhas: o peso. Gostaria de ser detentor de uma pena de fardo. .
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