memorial temporário

J’aurais bien voulu être le mec qui observe sans gêne ce théâtre (Tom Barman)

o caso da barbearia invadida (e outros problemas com barba)

Uma barbearia em Lisboa foi recentemente invadida por um grupo «feminista». Na internet, vários artigos explicam o lumbersexual como um sinal do desconforto dos homens com a igualdade das mulheres. Mas o problema da aversão a tudo o que seja «masculino» não é de agora. Mais de vinte anos de teoria de género resolveram as nossas diferenças ou só nos tornaram mais incompatíveis?


lt.jpg 1.

O feminismo marca o pensamento do século XX e destes primeiros anos do século XXI. Trata-se de uma discussão política no sentido mais alargado do termo: envolve não só o Poder, como a ética, a justiça, a oportunidade, as concepções sociais, a perspectiva da História. Da ligação do feminismo com o activismo gay nasce o que conhecemos por estudos de género. É Judith Butler (na imagem abaixo), com o seu livro de 1990 «Gender Trouble» quem marca essa tendência nos estudos de género que conhecemos por teoria queer. Influenciada pela prosa de Lacan e Foucault e por leituras questionáveis de Freud e Lévi-Strauss, Butler, uma inflexível social-construcionista, assume o ser humano como puramente cultural, na linha de John Locke e afastando-se dos trabalhos incontornáveis de Hobbes, Nietzsche e Freud, que perceberam aquilo que Butler, virtuosa analista de discursos, não percebe: que não só de cultura se faz o homem. Nem a mulher. Categorias aliás que, para Butler, não estão associadas a nada. A identidade (de género) não é nada ao corpo.

A partir dos anos 90, torna-se difícil levar o feminismo a sério. É particularmente triste, porque entra em descalabro um dos movimentos mais apaixonantes do século XX. O que fica é um optimismo um tanto ingénuo, na linha de Locke: basta que se mude a sociedade para que se mude o indivíduo. Se a auto-intitulada «História da Sexualidade» (1976-1984) de Foucault – trabalho tutelar para a teoria queer – vai ao ponto de sugerir que é necessário abolir o Poder, Butler é mais prudente e reconhece a impossibilidade deste empreendimento. Daqui surge a sua proposta mais conhecida, a de performatividade de género.

butler_burak1.jpg

A teoria queer fala-nos de masculino e feminino hegemónicos, de símbolos tradicionais que processam a aceitação de uns indivíduos e a marginalização de outros, de concepções puramente culturais que coagem o comportamento das pessoas, de tipologias que são inscritas nos indivíduos pela repetição, sem qualquer motivação física ou psicológica. Em suma: somos sacos de células para o Poder manipular e condicionar. Masculino e feminino, tais como os concebemos, são emblemas de repressão, ficções terríveis. Alguns de nós conseguem ser um pouco mais livres e rejeitar os condicionamentos. Na base de tudo isto: palavras, discursos, linguagem. Na impossibilidade de abolir o Poder, devemos ao menos ser sarcásticos, fazer trocadilhos, ter gestos na nossa vida privada que parodiem as concepções de género. A teoria de Butler era arrojada (e inusitada) mas alguns dos seus seguidores foram e vão bastante mais longe.

O grande potencial desta teoria era a sua proposta de abrir espaço a novas formas de entender o sexo e o género, de substituir aquilo que se entendia como norma por um leque maior de possibilidades. O seu grande fracasso, no entanto, foi ter-se rapidamente tornado dogmática: em vez de abrir novas opções, operou a demonização de masculino e feminino. Particularmente do masculino. Os anos 90 e a primeira década dos anos 2000 sofreram uma influência muitíssimo grande (ainda que discreta) desta grande discussão sobre o género. O cânone de beleza masculina foi o metrossexual, termo sugerido pelo jornalista Mark Simpson em 1994, referindo-se a um tipo de homem preocupado até ao excesso com a aparência. Este não é um cânone feminino, mas destaca-se pela recusa de uma série de símbolos tradicionalmente masculinos: pêlos corporais e faciais, o corpo rude ou excessivamente musculado, o aspecto despreocupado. Olhar para um desses emblemas do homem dos anos 90, é, nos dias de hoje, olhar para um homem que não perdeu a aparência de um rapaz. Não sobra nele rasto de agressividade ou de uma ligação à vida física. É um herói de gabinete, a sua agressividade está numa caneta, nunca numa espada.

Quando a discussão em torno do feminismo e do género ajustava as contas do passado de forma por vezes brutal com os homens, colectivamente formou-se este ideal do homem como adolescente, preso antes da idade adulta, um pouco mais distante da ameaça de querer submeter as mulheres. Pelo menos ao nível do discurso teórico (académico ou não), a reinvenção da identidade feminina foi feita contra os homens, mas a subsequente reinvenção da identidade masculina foi feita para agradar às feministas.

cjm.jpg

Desde há alguns anos, no entanto, o metrossexual atingiu a exaustão. O mesmo Mark Simpson propõe como novo modelo o spornosexual, um rato de ginásio cheio de tatuagens e consumidor de pornografia. Mas para estes últimos anos, o modelo (se assim se justifica falar) mais representativo é o lumbersexual. Trata-se de recuperar aquilo a que a teoria queer chamava os símbolos tradicionais de masculinidade. Barba comprida, tatuagens, roupa que evoque profissões de força física (como o lenhador que lhe empresta o nome). A imagem, não sendo necessariamente mais tradicional, é pelo menos mais natural. O lumbersexual tem um aspecto duro e físico, de quem reverteu a sua referência identitária para uma intimidade maior com a natureza e com o próprio corpo.

Estranhamente (ou não), isto tornou-se polémico. Os artigos sobre o tema reproduziram-se rapidamente na internet, alguns descritivos, outros apresentando leituras mais críticas. Em Dezembro de 2014, no site do «Atlantic», Willa Brown publica um texto chamado Lumbersexuality and its discontents, a que se segue, na plataforma online MIC, em Janeiro de 2015, What the 'lumbersexual' trend really says about men in society today, assinado por Marcie Bianco. Ambas as autoras têm o cuidado de procurar por um sentido psicológico e social que dê sentido à moda. Como surge e por que surge o lumbersexual? É uma pergunta pertinente. Ambas concluem que a masculinidade se encontra em crise, e ambas atribuem à vida profundamente tecnológica e consequentemente sedentária a responsabilidade por esta crise. A fragilidade da argumentação de ambas está, no entanto, nas razões encontradas para este desconforto. Bastaria recordar que a pedagogia nos mostrou, desde sempre, que há nos rapazes, em geral, uma necessidade de actividade física, que esta estimula a própria capacidade cognitiva, para perceber que não o que está em causa não é a sensação que não se é homem que chegue.

Para as autoras destes artigos, no entanto, a crise não se prende só com a tecnologia (que Bianco de resto foca de forma mais definida), trata-se igualmente de um desconforto dos homens com as mulheres, não deixando de ficar subentendido o desconforto para com os direitos conquistados pelas mulheres. Sentindo-se emasculados pela sua vida sedentária e sem acção os homens retomam a performatividade de uma masculinidade tradicional, que inclui evidentemente a violência (física ou verbal) sobre as mulheres. Uma visão um tanto paranóica.

Bianco assinala, muito correctamente, que o ressurgir das barbas e de outros símbolos masculinos se marca primeiro na camada homossexual masculina, mas cai no erro muito butleriano de achar que se tratava de uma atitude irónica. Uma explicação tipicamente queer, achar que nunca um homem gay nunca usaria barba ou iria ao ginásio por outra razão que uma boa gargalhada face aos modelos de masculinidade. Senão uma leitura de Freud ou de Camille Paglia, pelo menos uma ida a um bar gay ou um olhar sobre perfis existentes no Scruff ou no Grindr demonstrariam que não se trata de uma ironia.

christina hoff sommers.jpg

Das teorias de género mais recente não resulta tanto feminismo quanto misandria, não no sentido de um ódio directo aos homens, mas num ódio a tudo o que seja masculino. O livro de Christina Hoff Sommers (na imagem acima) «Who Stole Feminism?» (1994) sintetiza perfeitamente (e angustiadamente) essa orientação do misguided feminism (expressão da autora) para cultivar uma aversão aos homens mesmo que seja através de argumentos dúbios e até falseados. Os artigos de Brown e Bianco, conquanto apontem aspectos muito válidos quanto a este regresso a uma imagem mais física do homem, pecam pela contaminação queer que pressupõe que a masculinidade tradicional é uma simbologia arcaica que só pode ser incorporada por ironia (gays) ou misoginia (heterossexuais).

2. Há cerca de dois meses, Lisboa forneceu-nos um interessante caso de estudo para tudo isto. No final de Fevereiro, a barbearia Figaro's Barbershop foi invadida por um grupo de activistas. A polémica em torno do estabelecimento tinha começado em Outubro de 2014, quando o Diário de Notícias deu notícia de que a entrada era permitida a homens e cães mas não a mulheres. A proibição de entrada a mulheres causou escândalo, raiva, revolta, indignação e todo o tipo de sentimentos despropositados. Relembre-se que estamos a falar de uma barbearia.

IMG_0456.JPG

Evidentemente, não deixa de se tratar de uma estratégia publicitária que, na prática, é inconsequente. Quando as barbas se tornaram um elemento de culto na imagem masculina urbana, várias barbearias abriram em Lisboa. Não há nenhum estudo estatístico sobre quantas mulheres frequentaram outras barbearias, mas é de acreditar que tenham sido raríssimas.

O escândalo não demorou no site do DN, onde a tendência paranóica do misguided feminism se fez ouvir da forma mais descontrolada na maioria dos comentários. Não tenhamos dúvidas, esse misguided feminism não passou ao lado do feminismo português. Que longo caminho se fez desde esse livro prodigioso que são as «Novas Cartas Portuguesas»! Longo, mas não necessariamente o melhor. O feminismo em Portugal nos anos 70 era uma luta política e cultural, que buscava equidade para as mulheres de uma forma razoável e não vingativa. Ao ler as «Novas Cartas Portuguesas», não há dúvidas de que o feminismo existiu, e bem, em Portugal (ainda que Miguel Vale de Almeida tenha insistido várias vezes que não).

O feminismo visa afirmar uma diferença, recusando que dela advenha uma hierarquização. É um passo mais que lógico, necessário, para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Na prática, foi essa ideia que mudou a vida das mulheres, neste caso em Portugal. Uma mudança comprovável na grande escala (o Direito em geral, a igualdade de oportunidade, etc), mas também – e é isso que interessa para este caso – à pequena escala, a do quotidiano.

A existência de cabeleireiros e esteticistas e ginásios exclusivamente femininos é um exemplo das alterações de pequena escala. Hoje, a existência de espaços exclusivamente femininos não se articula com a ideia de espaços para cidadãos-menores: parece não só uma resposta perfeitamente lógica às exigências de um público-alvo (e toda a empresa tem um, mais alargado ou menos), como não se apresenta, razoavelmente, como uma forma de exclusão. Particularmente espaços ligados à estética, como cabeleireiros e estiticistas, lidam com um dos aspectos mais cruciais para a formação da identidade individual: a auto-imagem. Estes espaços são o backstage de um espectáculo quotidiano, são o laboratório onde se reinventa todos os dias 'o mito da beleza' que a ignorante Naomi Wolf fez o favor de demonizar. Nesses espaços, é compreensível, senão natural, que o/a utilizador/a se sinta melhor entre indivíduos do seu sexo, eventualmente aqueles que mais primariamente validarão a imagem que se cria. E socialmente, não temos dificuldades em aceitar que há coisas que as mulheres preferem fazer entre mulheres.

Aparentemente, com os homens é diferente. A ideia de que os homens, a quem a entrada é barrada em certos salões de beleza, ginásios, etc, possam ter direito a uma barbearia (nunca é demais repeti-lo: uma barbearia!) em que as mulheres não podem entrar é sinónimo de misoginia, segregacionismo e toda uma sorte de palavras que impõe respeito mas não deixa, em contexto, de parecer só uma birra.

O grupo que operou a manifestação, que mantém um blog chamado Interpolação, é de resto muitíssimo representativo dos danos causados pelo feminismo das teorias de género, cujo estudo é extensivo nas Universidades, mas cuja ligação com o real apresenta deficiências lógicas dignas não de activistas, mas de crianças desocupadas.

Camille Paglia foi particularmente astuta ao perceber que, a um nível inconsciente, um homem espera ver a sua masculinidade confirmada não por uma mulher, mas pelos restantes homens. Certamente temos exemplos disso. Aquilo que é uma estratégia publicitária (nem sequer particularmente imaginativa) não deixa de manifestar uma tendência muito básica e primária que não poderia nunca ser entendida pelo discurso sobrepolitizado do feminismo pós-Kate Millet e principalmente pós-Judith Butler.

Há um certo paralelismo entre os artigos de Bianco e Brown e esta manifestação, ainda que nos dois artigos as autoras consigam, pelo menos, fazer algumas declarações acertadas e perceptíveis, enquanto a manifestação do «Ninguém nasce cão» é uma performance digna de um dadaísmo sem qualidade. O paralelismo reside na crença de que os homens estão desconfortáveis com os direitos conquistados pelas mulheres, e que o culto da barba, dos pêlos, e de tudo o que seja masculino vem de uma sensação colectiva de emasculação.

Mas o contrário também poderia ser afirmado. Que o retorno a uma masculinidade mais tradicional pode significar a perda do sentimento de culpa colectiva que o feminismo mais vingativo fez recair sobre os homens. Que os homens entendem, em suma, que as mulheres conquistaram e continuam a conquistar os seus direitos sem que, por isso, tenham que se sentir compelidos a tornar-se menos masculinos. O feminismo vingativo que vê a História como a História da dominação das mulheres pelos homens delega nos homens dos dias de hoje a expiação da culpa de todos os homens que vieram antes deles, quando deveria esforçar-se por responsabilizar os homens a não repetir os erros desse passado.

Talvez a ideia de que o retorno a símbolos tradicionais de masculinidade seja um sinal positivo (de que podemos assumir as nossas diferenças porque não as entendemos como portadoras de uma hierarquia) possa soar demasiado optimista, mas só o soará na medida em que a paranóia exibida por uma manifestação como a do «Ninguém nasce cão» soa a pessimismo paranóico. Talvez ver no lumbersexual um sinal positivo seja permissivo para com os homens, mas só o é tanto quanto o desagrado de grupos como o do Interpolação é persecutório para com eles.

ls.jpg

De facto, os novos modelos de imagem masculina (e como Willa Brown muito bem nota, o lumbersexual é mais um revivalismo do que uma nova tendência) são um progresso em relação ao metrosexual, no sentido em que, ao contrário deste, aqueles se propõem verdadeiramente a reabilitar o significado da masculinidade. O metrosexual suprimia a masculinidade onde os dias de hoje estão a recuperá-la. Os anos 90 tentaram resolver o perigo de um prolongamento da hierarquia homens-mulheres contendo a masculinidade. Aquilo a que agora assistimos é muitíssimo mais radical e desafiante. Os contingentes sociais são a realidade com que a nossa identidade tem que confrontar-se. Refazer a masculinidade é um projecto impossível, só concebível para a mentalidade idealista das feministas que, negando inteiramente a biologia, negam o corpo. Mas é possível readaptá-la, inseri-la num novo contexto, já que os dados biológicos estão sempre sujeitos à adaptação cultural. Afinal, foi possível recontextualizar a femininilidade quando as mulheres se viram contempladas por direitos que historicamente lhes haviam sido recusados. Por que não poderiam os homens recontextualizar-se também?

Tendo rejeitado desgraçadamente a grande tradição filosófica ocidental por ter sido escrita maioritariamente por homens e, portanto, não contemplar o ponto de vista feminino, este tipo de feministas perdeu a perspectiva da Humanidade. Como Christina Hoff Sommers (filósofa de formação) aponta, os primeiros movimentos feministas visavam corrigir injustiças legais e juntar mulheres e homens numa batalha por uma sociedade mais justa, mais ética e mais equilibrada.

O maior conseguimento das teorias de género foi o de afastar as mulheres, e particularmente as mais jovens, do movimento, excepção feita a algumas alunas mais impressionáveis pela poderosa retórica queer. Esta, facilmente convence jovens revoltadas sem formação filosófica ou política para entender criticamente as propostas apresentadas pelos descendentes do pós-estruturalismo, uma teoria já de si muitíssimo questionável. Nisto, as jovens raparigas são menos vítimas da retórica queer do que de todo um sistema de ensino que desvirtua sistematicamente a filosofia e a política. O que a raiva e o ressentimento conseguiram foi levar pequenos grupos a invadir uma barbearia onde não podem entrar mulheres e conduzir uma ou outra rapariga a uma desconfiança face aos homens que, por vezes, não tem razões concretas de ser.

Uma teoria que se debruce a fundo sobre a identidade tem que lidar simultaneamente com estruturas sociais e com a tendência mais liberal para considerar as liberdades individuais. O caminho do feminismo deveria ter sido aquele que nos é proposto por feministas como Simone de Beauvoir, Valentine de Saint-Point, Betty Friedan ou Germaine Greer (na sua fase inicial). Tudo isso foi herdado por uma minoria de autoras nas gerações mais recentes, incluindo Hoff Sommers, Camille Paglia e Martha Nussbaum, cujo conhecimento da história do movimento não inibiu uma compreensão alargada do pensamento ocidental, dos ensinamentos rigorosos da filosofia, da antropologia, da psicologia e da arte.

Emma-Watson-faz-discurso-emocionante-por-igualdade-de-direitos-na-ONU.jpg

Se recentemente o feminismo recolheu mais adeptos, não o deve ao discurso universitário nem à teoria queer, mas sim à cultura popular, desde a troca de comentários entre Beyoncé e Annie Lennox, a entrevistas da actriz Lena Dunham ou à recusa veemente do rótulo de feminista por Lana Del Rey (e por aqui se vê como o feminismo deixou de se centrar no poder de decisão e na independência da mulher para fazer as suas próprias escolhas: deve fazer as que o movimento aprova). E deve-o ao discurso extraordinariamente simples, coeso e consciente da actriz Emma Watson na ONU (imagem acima).

O feminismo deveria ter-nos levado a celebrar a norma e a excepção, a celebrar o feminino, o masculino e todos os que não se enquadrassem nessas categorias, mediante a exigência de respeito, de equidade, de justiça e de absoluta igualdade no Direito. O caminho não foi esse. O feminismo na academia é um vácuo e cabe à teoria de género a responsabilidade do suicídio. Impondo a divisão e o ressentimento onde se devia ter fomentado a união e a cooperação, o feminismo de género viu-se preterido pelas jovens mulheres mais pragmáticas. A academia também não soube reavaliar-se. Muitas piadas se fizeram sobre se Deus seria uma mulher, mas não haja dúvidas de que o Diabo era um homem.

Chegados aqui, o feminismo cresce em popularidade, conquistando não só mulheres como homens (voltando à ideia de colaboração dos primeiros movimentos) – e isto deve-se às manifestações de ícones pop que vieram demonstrar que ser feminista não significa odiar homens ou o que é masculino. Encorajando as mulheres a ser independentes, a controlar suas vidas em termos materiais e emocionais, e a serem capazes de lutar pela igualdade sem cultivar o ódio, ícones como Beyoncé e Emma Watson fizeram aquilo que a Universidade não pôde ou não quis fazer.

Podemos celebrar o feminismo quando sabemos que por cada pessoa que invade uma barbearia há provavelmente milhares que ouvem o discurso de Emma Watson na ONU e se identificam com ele. E resta-nos ser optimistas e esperar que sejam estes os pregos no caixão já um tanto sobrelotado daqueles que confundem misandria e vitimização com feminismo.

***

Artigo de Willa Brown: http://www.theatlantic.com/national/archive/2014/12/lumbersexuality-and-its-discontents/383563/

Artigo de Marcie Bianco: http://mic.com/articles/107794/what-the-lumbersexual-trend-really-says-about-men-in-society-today

Fotografias:

https://instagram.com/lane_toran/

https://instagram.com/chrisjohnmillington/

https://instagram.com/levistocke/


version 4/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //João Cunha Borges