memórias do subsolo

Reciclando a palavra, o telhado e o porão

Mariana Keller

Observadora e sonhadora, faz de cada sorriso e olhar alheio uma história inventada.

Mogwai: música para abrir os olhos da alma

A banda escocesa é dona de um dos sons mais expressivos do post-rock.


mogwai 2.jpg

O post-rock está cada vez mais ganhando espaço no meio musical. O gênero surgiu nos anos 90 e reúne elementos do jazz, da música eletrônica e do rock progressivo. Junto com Sigur Rós, Explosions in the Sky e This Will Destroy You, o Mogwai é uma das bandas mais importantes desse estilo e talvez a mais carregada emocionalmente.

Formados em Glasgow em 1995, o grupo é composto por cinco multiinstrumentistas: Stuart Braithwaite, Dominic Aitchison, Martin Bulloch, John Cummings e Barry Burns. Influenciados por bandas como Jesus and the Mary Chain, My Bloody Valentine, Joy Division e Sonic Youth, o som da banda é caracterizado por melodias complexas. As músicas são instrumentais, raramente contam com a presença de vocais e quase sempre duram mais do que cinco minutos.

mogwai 1.jpg

A palavra mogwai tem origem oriental e significa espírito maligno. Ela ficou conhecida através do clássico filme dos anos 80, “Gremlins”, que mostrava os mogwai como bichinhos peludos aparentemente inofensivos, mas que se entrassem em contato com água ou luz forte e fossem alimentados depois da meia-noite, se transformavam em criaturas destruidoras e assassinas.

Essa característica dos monstrinhos serviu de inspiração para a escolha do nome da banda. Assim como os bichos, a música deles variam entre calmarias e explosões, entre guitarras distorcidas e doces solos de piano. Um contraste entre doçura e brutalidade, paz e violência.

A discografia é grande. Oito CDs lançados, sendo um ao vivo, e mais oito EP’s. O primeiro álbum “Young Team” foi lançado em 1997 e é o CD mais dinâmico, com muitas variedades de climas e timbres. A faixa “Like Herod” mostra isso claramente e é uma das mais fortes de toda a carreira da banda.

Mas é “Mr. Beast”, de 2006, que é considerado o melhor CD dos escoceses. As faixas são mais curtas e mais sofisticadas, todas muito bem construídas. Talvez, seja o disco que mais represente a essência da banda. A pegada é um pouco mais furiosa, com um clima mais rock, como percebemos em “We’re No Here”. Mas também há espaço para as faixas mais calmas, como “Friend of the Night” e “I Chose Horses”.

mogwai mr. beast.JPG

É interessante notar como eles escolhem o nome das músicas. Eles abusam dos títulos irônicos e subjetivos e que muitas vezes não fazem nenhum sentido, como em “I Love You, I’m Going to Blow Up Your School” e” Kids Will Be Skeletons”. Também fazem referência a diretores de cinema ou outros cantores como em “I’m Jim Morrison, I’m Dead”, em homenagem ao líder do The Doors e “Stanley Kubrick”, citando o famoso cineasta americano.

Os clipes também são, na maioria das vezes, bastante sensoriais e subjetivos. Com histórias sem muito nexo, desenhos com traços melancólicos ou imagens hipnotizantes, que combinam perfeitamente com o som da banda.

O transcendentalismo do Mogwai nos teletransporta para o nosso próprio inconsciente, que assim como suas músicas, às vezes é obscuro e melancólico e outras vezes esperançoso e repleto de sonhos. E é exatamente por conseguirem retratar através de melodias todos os tipos de sentimento humano que a banda marcou sua singularidade no cenário musical.

É como disse uma amiga dos integrantes quando eles perguntaram o que ela achava da música deles: “Se as estrelas tivessem um som, elas soariam assim”.




Mariana Keller

Observadora e sonhadora, faz de cada sorriso e olhar alheio uma história inventada..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/musica// @destaque, @obvious //Mariana Keller