memórias do subsolo

Reciclando a palavra, o telhado e o porão

Mariana Keller

Observadora e sonhadora, faz de cada sorriso e olhar alheio uma história inventada.

O Irrealismo de Georges Rousse

O artista francês faz instalações que só podem ser compreendidas através da fotografia.


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O contato de Georges Rousse com a fotografia começou desde cedo. Aos nove anos, ganhou uma câmera Kodak Brownie de presente de Natal e desde então, ela passou a ser sua companheira fiel. Mesmo cursando medicina, decidiu estudar fotografia profissional e logo em seguida, abriu seu próprio estúdio.

Mas suas fotos estão longe de serem tradicionais. A originalidade de seu trabalho é a junção de fotografia com instalação. Como cenário, Rousse escolhe lugares abandonados, como ruínas e edifícios antigos, e os transforma em espaços pictóricos que só fazem sentido quando fotografados a partir de um ponto específico. As imagens revelam um mundo de subjetividade em diversas formas e cores. Elas são intrínsecas, pensadas em cada detalhe, composição, corte e iluminação.

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Sua matéria-prima é o espaço, mas é o click da câmera que faz toda a diferença e revela o universo fictício do artista. Tudo é uma ilusão, o que ele fotografa não existe. As pinturas são quase construções arquitetônicas que ganham formas diversas quando fotografadas, até mesmo palavras são formadas.

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O artista francês brinca com a nossa noção de espaço e nos apresenta três diferentes tipos: o espaço real, onde ele faz as instalações; o espaço imaginário, onde ele cria a pintura; e o espaço final, que só é visível depois que a foto é tirada.

Rousse transforma em obra de arte os lugares que são destinados ao abandono ou à destruição. Assim, todo o passado impregnado em cada detalhe contrasta com as novas expressões artísticas. Funcionando como uma metáfora para o tempo, os locais parecem ganhar uma nova vida, mesmo que fugaz. Além disso, ele questiona o papel da fotografia como uma reprodução fiel da realidade.

À primeira vista, há a desconfiança de que as fotos foram manipuladas, mas quando vemos os bastidores da produção, percebemos que o trabalho é bastante complexo e minucioso, estudado milimetricamente para o perfeito resultado final. O documentário “Bending Space”, filmado em 2007, mostra como o processo é feito.

Pouco se ouviu falar de Georges Rousse no Brasil, mas o artista já pisou em terras brasileiras em 2010 no evento de fotografia anual realizado em Paraty, o “Paraty em Foco”. Lá, ele falou sobre seu trabalho e ainda teve uma instalação exibida na cidade durante todo o festival.

Repleto de cores e formas, Rousse propõe um contraste entre o simples e o complexo, entre a realidade e o imaginário. Seu trabalho aguça nosso olhar e nos faz perceber que tudo é uma questão de perspectiva.

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Site oficial do artista: http://www.georgesrousse.com


Mariana Keller

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