Eu gosto mesmo é dos livros velhos. Aqueles com as páginas amareladas e trechos sublinhados, notas escritas e folhas levemente amassadas. Os que vêm com dedicatória, com cheirinho que provoca espirro e manchas de café.
O livro não nos pertence, nós é que pertencemos a ele enquanto estamos em sua companhia. Livros deveriam ser sempre transitórios, precisam passar de mão em mão. De diferentes pessoas, em diferentes momentos da vida.
De uma criança que foi obrigada a ler na escola e que não entendeu quase nada do que estava escrito. De uma moça que o ganhou de seu pretendente para ser conquistada. De um amigo oculto. De um aniversariante presenteado. De um apaixonado por capas e que escolhe os títulos através delas. De um escritor em busca de inspiração. De um viajante durante seus trajetos. De um solitário que faz dos personagens citados suas únicas companhias. De um intelectual viciado em leitura. De um estudante desesperado para tirar boas notas. De um questionador em busca de respostas. Dos sonhadores que fazem das palavras escritas sua fábrica de sonhos.
Como são sortudas as pessoas que já leram livros de bibliotecas e sebos. Livros que já visitaram diferentes lares. Porque livro bom é aquele que, além de nos fazer mergulhar na história escrita em suas páginas, também está impregnado de fábulas da nossa vida real, da vida dos leitores que o folhearam.
Comentários
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Santiago
Os livros usados tem cheiro de bom, se não o fossem, não seriam livros usados.
Bacana seu post. Parabéns.
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