memórias do subsolo

Reciclando a palavra, o telhado e o porão

Mariana Keller

Observadora e sonhadora, faz de cada sorriso e olhar alheio uma história inventada.

A fotografia risonha de Elliot Erwitt

Elliott Erwitt é um dos grandes nomes da fotografia documental. Sua principal característica é o olhar criativo carregado de ironia que se refletiu na maioria das suas fotos.


Elliott-Erwitt.jpg

“Nada acontece quando você fica em casa. Eu sempre faço disso uma razão para carregar a câmera comigo todo o tempo. Eu só fotografo o que me interessa naquele momento.”

E o que mais interessa Elliot Erwit é o cotidiano. Assim como os franceses Henrie Cartier-Bresson e Robert Dosneau, ele sempre teve grande apreço em retratar pessoas comuns vivendo suas vidas comuns. Mas Erwitt tem um diferencial, a alegria e a ironia brincalhona presente na maioria de suas fotos.

Filho de emigrantes russos, ele nasceu em Paris em 1928, viveu os primeiros dez anos na Itália e depois, a partir de 1941, passou a morar nos EUA. Formou-se em cinema em Los Angeles e, em 1953, começou a trabalhar na agência Magnum, convidado por um dos fundadores, o húngaro Robert Capa, célebre fotógrafo de guerra. E foi justamente como assistente de fotografia no exército, que ele registrou um soldado à espera de ser enviado para a Coréia. Com esta foto, ele ganhou o segundo lugar de um concurso da revista “Life”.

soldado.jpg

Mas foi em meados do século XX que o fotógrafo conquistou a fama e o reconhecimento. E isso aconteceu graças aos registros em preto e branco tirados de forma irônica que preenchiam as situações mais simples do dia a dia com leveza e bom humor.

Elliot nunca gostou de fotos posadas, artificiais e manipuladas. O que mais o atrai é o sorriso espontâneo, os momentos cômicos, as surpresas, as ironias com o proibido e o conservador, os deslizes e principalmente as cenas que o acaso constrói sem querer. Outra marca de sua fotografia é o uso da ilusão na composição. Brincando com a perspectiva, ele cria imagens que parecem surreais ou improváveis à primeira vista.

cão homem.jpg

casal espelho.jpg

dedo.jpg

peitos mulher.jpg

pintores pelados.jpg

Os cachorros também estão entre seus principais focos de atenção. Nas fotos de Elliot, eles sempre aparecem como se observassem os humanos ou até mesmo como se agissem como nós.

cachorro 1.jpg

cachorro 2.jpg

cão dirigindo.jpg

Hoje, com 85 anos, Elliot tem uma vasta obra fotográfica, que inclui registros de grandes personalidades, como Che Guevara e Marilyn Monroe. Além disso, também é dono de uma grande filmografia, já que começou a dirigir filmes a partir de 1970. Produziu longas, documentários e também comerciais, tendo, inclusive, participado da produção do filme “Bob Dylan: No Direction Home”, de 2005.

A fotografia e o olhar de Elliot Erwitt representam um banho de esperança e alegria diante do mundo tão triste e cruel em que vivemos. Ao analisarmos sua obra, percebemos que o fotógrafo nos propõe reparar mais ao nosso redor, já que estamos tão imersos em nós mesmos ou nas possibilidades que a modernidade nos trouxe, principalmente nos dias atuais. Ele nos atenta para as coisas simples da vida e quer nos mostrar como a felicidade pode estar escondida em cada pedacinho dos diferentes acontecimentos do nosso dia a dia.

banheiros.jpg

exposição.jpg

mulher bunda.jpg

ponto de ônibus.jpg

praia.jpg

vitrine.jpg

padre.jpg


Mariana Keller

Observadora e sonhadora, faz de cada sorriso e olhar alheio uma história inventada..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/fotografia// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor, eros //Mariana Keller
Site Meter