memórias do subsolo

Reciclando a palavra, o telhado e o porão

Mariana Keller

Observadora e sonhadora, faz de cada sorriso e olhar alheio uma história inventada.

A Vida em Top Five

“Livros, discos e filmes, estas coisas importam de verdade”.


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Em “Alta Fidelidade” (High Fidelity, no original), Rob Fleming (John Cusack) não é só um viciado em setlists, mas também um maníaco por qualquer tipo de lista. Ele sempre faz um ‘top five’ das melhores e piores coisas que aconteceram em sua vida, como por exemplo, seus cinco empregos dos sonhos ou as cinco coisas que mais gosta na ex-namorada. E o ponto de partida do filme é justamente ele narrando suas cinco piores separações.

Rob é um homem simples e com um emprego que muitos já sonharam em ter um dia – dono de uma loja de discos, a Championship Vinyl. Mas ao mesmo tempo em que é um profundo conhecedor de música é também um fracasso nos relacionamentos amorosos. E depois de ter sido abandonado pela namorada Laura (Iben Hjejle), ele resolve fazer um apanhado dos seus antigos relacionamentos e decide procurar as suas cinco últimas ex-namoradas para esclarecer os términos.

Enquanto isso, conhecemos também seus companheiros de trabalho, o alucinado Barry (Jack Black) e o tímido Dick (Todd Louiso), que entraram como funcionários temporários da loja, mas nunca mais saíram. Os três passam o dia falando sobre música e fazendo listas como: top cinco músicas sobre morte, top cinco faixa 1 do lado A dos discos, top cinco músicas para fazer sexo etc. E o mais incrível é que, mesmo a loja estando quase falida, Barry ainda faz questão de expulsar os clientes com gosto musical diferente do dele.

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Baseado no livro homônimo do escritor inglês Nick Hornby, o longa é dirigido por Stephen Frears, que também é responsável pela direção do recente “A Rainha” (2006) e do “Os Imorais” (1990), também com Cusack. Frears constrói uma interação perfeita do protagonista com a câmera ao fazê-lo atuar como narrador. E o roteiro também é muito bem construído e certeiro nas piadas inteligentes. Como em uma das cenas mais engraçadas em que Rob imagina como queria expulsar de sua loja o atual namorado de sua ex.

Aliás, John Cusack com seu rosto de bom moço, mas com um leve olhar de cafajeste, está perfeito no papel de Rob. Um homem em crise existencial, que se prende nos seus próprios fracassos e tenta achar alguma explicação refletindo sobre sua vida. Jack Black também está impagável como o sem noção Barry. Ele já é conhecido pelo humor escrachado e seu personagem lembra muito o professor roqueiro que interpretou, três anos depois, em “Escola de Rock” (2003).

Além disso, o filme também conta com excelentes participações de Catherine Zeta-Jones, na pele de uma das namoradas de Rob, a metida a intelectual Charlie; Tim Robbins, como o vizinho que rouba a namorada de Rob, e Lisa Bonet, uma cantora com quem o protagonista tem um envolvimento casual.
A trilha é sonora é fantástica! Se eu tivesse que fazer um ‘top five’ de motivos para assistir este filme, certamente as músicas estariam no número um. Encontramos singles de Bruce Springsteen (que, inclusive, faz uma pequena participação no filme), Bob Dylan, Marvin Gaye, Stevie Wonder, Velvet Underground, Elvis Costello, entre outros. Além de fazer referências a muitas outras bandas.

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“Alta Fidelidade” é um filme divertido e que se destaca por não ser uma comédia romântica tradicional ou clichê. E ainda mostra exatamente os questionamentos e a perspectiva masculina sem que tenhamos raiva do personagem, mesmo com todas as suas mancadas.

Como o próprio trailer revela, o filme fala sobre música, amor, rejeição, amizade e frustrações, e nos instiga a fazer vários ‘top five’ sobre a nossa própria vida. Afinal, viver com música é muito mais prazeroso.


Mariana Keller

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