mensagem na garrafa

Divagações de lugar algum

Helena Novais

Observadora do mundo e das coisas do mundo, da vida e de tudo que se move, dos sentidos e dos conflitos, dos dramas humanos e das ausências, dos artifícios e das transformações, em permanente busca pelo transcendente

Por Um Novo Pensamento Religioso: Investigando Fé e Razão

A opção por uma fé, a compreensão do que seria a mente divina, sua manifestação ou omissão na vida dos homens, gera discussões sem fim e inimizades profundas. Porém, raramente se consegue pensar sobre estas questões com serenidade e sem fanatismos.


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Quando comecei a estudar Filosofia, logo nos primeiros dias, surgiram discussões entre os colegas sobre a existência de Deus. E apesar de estarmos apenas começando a estudar o modo de pensar racional, que constitui a Filosofia acadêmica, muitos já não demostravam disposição para abrir mãos de suas “verdades” pré-concebidas. É que a paixão é inerente ao ser humano e filósofos, iniciantes ou não, são apenas humanos.

Eu que fui educada como católica, que fui batizada e crismada, e que naqueles dias frequentava a universidade graças a uma bolsa oferecida por uma ordem religiosa, evitava tais discussões (que inclusive causaram inimizades entre a turma). Mas, não as evitava por meros escrúpulos religiosos ou impedimentos de qualquer tipo. Eu tinha e tenho a firme convicção de que um assunto que envolve toda a história da humanidade, toda a diversidade da tradição cultural humana e tanta paixão, não pode ser abordado com superficialidade e desrespeito a quem quer que seja.

Emitir opiniões pouco racionais em discussões sérias sobre religião, para mim, soa como desrespeito, mesmo quando inconsciente. Natural, então, que eu adiasse os embates sobre Deus e as religiões para quando me sentisse mais madura intelectualmente, o que não significa para quando acreditasse estar absolutamente certa. É que sempre me lembrei das recomendações de um professor que dizia que o caminho correto para alcançar o conhecimento é “subir nos ombros de gigantes”, ou seja, conhecer as grandes ideais dos maiores pensadores para ultrapassá-las.

Sendo todos nós humanos, demasiado humanos, um bom caminho para procurar entender nossas crenças é nos compreendermos, a nós mesmos, e os motivos que nos levam a acreditar no que acreditamos. Isso com a consciência de que aquilo em que acreditamos, seja o que for, pode ser falso... ou não.

Entre os gigantes, em cujos ombros me esforço por subir hoje, estão Baruch Spinoza (1632 – 1677), Immanuel Kant (1724 – 1804), Friedrich Nietzsche (1844 – 1900), Sigmund Freud (1856 – 1939) e Michel Foucault (1926 – 1984). O que há de comum entre eles é o esforço por pensar o ser humano em sua natureza e interação com o ambiente no qual está inserido.

Suas reflexões levam a procurar compreender as interações entre corpo e mente, como os homens percebem o mundo, como funciona o pensamento que escolhe uma crença, se estrutura com base nela e procura se comportar de acordo com ela. Por quais motivos um homem adota um conjunto de crença e não outro?

Proponho como ponto de partida Freud e sua teoria das pulsões, e como possível ponto de chegada Spinoza e seu Deus-Natureza. A viagem é longa e vale registrar as descobertas em textos futuros.

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Helena Novais

Observadora do mundo e das coisas do mundo, da vida e de tudo que se move, dos sentidos e dos conflitos, dos dramas humanos e das ausências, dos artifícios e das transformações, em permanente busca pelo transcendente .
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