Larissa Soares

Escrevo para aliviar a mente, rir um pouco, talvez chorar, e entrar num mundo onde os problemas tornam-se inteiramente poéticos.

Quando as regras ditam a felicidade

Depois de assistir “Loving Annabelle”, bate uma vontade de viver... Não só um relacionamento amoroso, mas viver a vida tal como ela é, tal como você quer que seja, apesar de todas as consequências que as experiências podem causar.


1c1336c622a0426159163110.L.jpg Cena do filme "Loving Annabelle" (2006).

Loving Annabelle não se trata apenas de mais um filme que tem como tema a homossexualidade. Já seria polêmico e complicado por si só, mas a história vai além. Annabelle Tillman (Erin Kelly) é uma garota rebelde de personalidade forte, que se apaixona por Simone Bradley (Diane Gaidry) professora de inglês da escola em que foi matriculada, depois de ser expulsa de dois colégios. Duas mulheres, diferença de idade: Dois obstáculos. Para aumentar o perigo da situação, o colégio é católico, rodeado de paradigmas religiosos. São muitos tabus que parecem não incomodar Annabelle, que usa de todas as suas táticas de sedução para conquistar a professora, que tenta resistir de todas as formas, são só pelas regras impostas a sua volta, mas também por ter sua vida marcada por uma tragédia amorosa.

936full-loving-annabelle-screenshot.jpg Simone, uma mulher reprimida; Annabelle, uma jovem insistente.

Sempre foi característico da sociedade impor padrões para que as pessoas se encaixem e acreditem ser aquela a forma correta de viver e levarem suas vidas. É uma realidade que todos conhecem, mas fingem não ver. E as imposições não são exclusivas a relacionamentos amorosos. Há influenciados por todos os lugares: É a roupa que a atriz da novela está usando, aquele tipo de música que está tocando nas rádios, o carro recém lançado no mercado... Mas será que as pessoas vivem o seu ideal de felicidade ou aquele que outros impõem ser o mais bacana e aceitável?

A atitude da jovem Annabelle pode causar certo desconforto para quem vê pela primeira vez, mas geralmente costumamos rejeitar aquilo que falta em nós. Você deve imaginar sempre quantos momentos foram perdidos, ou quantas risadas foram desperdiçadas... Talvez todos quisessem ter a coragem, e a determinação de ir atrás do que deseja e não ficar apenas na vontade e na incerteza do que poderia ter sido. Uma certa dose de atrevimento é o que falta.

erin138ts.jpg Annabelle é um bom exemplo de um alguém que entendeu o verdadeiro significado da vida: Afinal, a gente tá aqui pra que mesmo?

Não se trata somente de persistir em um namoro socialmente errado. Ir atrás apenas do que te faz feliz é a intenção. A aceitação para com a nossa vida, com os nossos sonhos e desejos, começa em nós mesmos. Mas é importante ressaltar: Não falo de desejos fúteis e vontades não pensadas. Mas na maturidade que devemos ter para enxergar o que realmente nos faz feliz. Já diria a frase de Marcel Proust, citada no filme: “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.” Está mais que na hora da gente olhar com novos olhos para o que nos completa.

Parece um discurso pronto, confesso, mas é bom relembrar sempre que a nossa existência é passageira, então no meio tempo, fazer valer a pena é uma boa opção (talvez a melhor!). Há um trecho de uma das músicas que fazem parte da trilha sonora de Loving Annabelle, “All over me” de Lindsay Harper, que diz: "In the Space between what's wrong and right, you will find me waiting for you..." (No espaço entre o que é certo e errado, você vai me encontrar esperando por você), e adaptando ao contexto do artigo, posso dizer que quem espera por você é a felicidade, vá atrás dela!


Larissa Soares

Escrevo para aliviar a mente, rir um pouco, talvez chorar, e entrar num mundo onde os problemas tornam-se inteiramente poéticos..
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