Larissa Soares

Escrevo para aliviar a mente, rir um pouco, talvez chorar, e entrar num mundo onde os problemas tornam-se inteiramente poéticos.

um jeito diferente de contar história

Frequentemente visto em listas de sites da internet como um dos filmes mais chocantes da história do cinema, “Irreversível” virou um clássico e de uma maneira um tanto inusitada.


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“Irreversível” (2002) conta, em suma, a história de uma busca por vingança. Dois amigos, Marcus (Vincent Cassel) e Pierre (Albert Dupontel), tomados pelo desespero e ódio, tentam fazer justiça com as próprias mãos contra o criminoso que estuprou Alex (Monica Bellucci) . Detalhe que um dos amigos é o atual namorado da garota e o outro, o ex. Este ainda tenta impedir a fúria do atual namorado, argumentando que a justiça será feita. Mas não é bem isso que acontece.

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O filme francês, dirigido por Gaspar Noé, cineasta argentino conhecido por abordar temas como sexo e violência, possui uma temática comum, que não traz grandes inovações ou surpresas. Mas o que o diferencia dos demais, e o faz ser considerado uma obra antológica, é a forma como a historia é contada, mostrando que o clichê pode ser diferente. Gaspar soube alinhar muito bem o enredo do filme a uma condução psicológica perturbadora. O filme já inicia pelos créditos finais, e com os dois amigos sendo presos. Depois de um jogo de câmeras que deixa o telespectador tonto e sem entender direito o que está acontecendo, a cena se passa na busca do estuprador de Alex, em longos minutos, com imagens borradas, e uma música de fundo que deixa o clima bem pesado. O que dá a entender é que toda essa confusão na tela seja um retrato da confusão mental dos personagens, que tomados pela fúria, não vêem os fatos com tanta clareza. Logo em seguida, a primeira cena de desconforto: O assassinato do possível criminoso. Cena extremamente violenta.

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E assim a história segue, voltando nos fatos, até que chega a tão conhecida cena do estupro na passarela. E aí entendemos a sede de vingança dos personagens no início do filme. São aproximadamente 11 minutos sem cortes que dão uma vontade tremenda de quem está assistindo salvar a garota daquela agonia. As imagens de espancamento também são fortes. A realidade das imagens choca, e deixa aquela sensação de impotência e extrema raiva, tal como é a sensação da garota na história. P.S: Entrou na minha lista de cenas para se assistir uma única vez.

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O filme tem também suas cenas menos tensas. Os diálogos entre os três personagens principais são divertidos, e engraçados, e até surpreendem pela forma como um ex e um atual namorado podem ser amigos, conviver juntos, e ainda comentarem sobre suas experiências sexuais com a mesma mulher. E tudo isso sem conflito nenhum. Causa certa estranheza, mas tudo é conduzido de uma forma tão natural que nem parece filme.

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Não somos meros espectadores de toda tragédia e comicidade. A transposição dos sentimentos dos personagens para nós, meros telespectadores, é a marca principal do filme. Nos tornamos cúmplices das sensações: Raiva, risos, amor...

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Fragilidade...

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Tão irreversível como a vida, o filme mostra como uma temática comum pode ser apresentada de um jeito totalmente inesperado, e mais ainda, relembrada pelas controvérsias que dão um toque a mais na história. De nada adianta revertermos a ordem dos fatos. O que aconteceu, já está feito. Caso não queira ter pensamentos nada agradáveis durante dias, não aconselho o caro leitor a assistir. Ainda estou sob efeito de “Irreversível”, e acho que isso não tem volta.

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Larissa Soares

Escrevo para aliviar a mente, rir um pouco, talvez chorar, e entrar num mundo onde os problemas tornam-se inteiramente poéticos..
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