metamorfose metalinguística

Sintaxe à vontade: Que todo sujeito seja livre pra conjugar o verbo que quiser

O lado B da ilha da magia - "O Pequeno Príncipe" em Floripa

Um passeio no lado B de Floripa. A arte de viver revelada entre as paisagens e encostas na ilha da magia. Um manual dos dialetos "manezês" a um encontro com "O Pequeno Príncipe".


1273163_10200666018120092_478855588_o.jpg As fotos que seguem são de Gabriel Sincro

Indo além da exuberante natureza, um singelo recorte do estilo de vida e da magia que aqui circunda. Entenda o porque o essencial continua invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração...parafraseando o escritor que cativou a tantos. Há uma atmosfera que circunda a ilha, talvez a maresia que carrega a arte de viver a magia de Florianópolis.

Sob um ponto de vista artístico convido você caro leitor a conhecer Floripa. Vamos além da geografia exuberante de suas 100 encantadoras praias e dos esportes radicais que aqui se proliferam entre todas as gerações. Entendendo a cultura local e seus dialetos próprios. A motivação para esse estilo de vida tão despojado, com seus hábitos saudáveis, a cultura da pesca e o artesanato da velha rendeira tradicional, que colore nossa avenida das Rendeiras, cartão postal no coração da Lagoa da Conceição.

935876_10200317541728400_1266608750_n.jpg Pôr do sol em tons rosa na Lagoa da Conceição

Bem vindo à ilha da magia! A cidade mais amigável do mundo, segundo eleição feita na pesquisa da revista de turismo e viagens, a Condé Nast Travaler. A ilha que esbanja uma natureza selvagem com mais de 100 praias, espalhadas entre dunas, morros, montanhas, lagoas e rios, apresenta um imenso potencial geográfico e social. Outras características fortes são os resquícios da colonização açoriana, que compõem evidentemente sua identidade. Também é conhecida pela prática de esportes e de grandes atletas que são referências mundiais. Destacando-se no surf e skate. As cidades feias que me perdoem, mas beleza é fundamental! Diria Vinicius de Moraes ao pisar em Floripa.

224889_4038559769598_1124607564_n.jpg Farol da Praia da Barra da Lagoa

Ouve-se um sotaque peculiarmente "manezês". A língua está mais viva que nunca e não para de evoluir! É merecido um artigo inteiro falando sobre os dialetos Florianopolitanos e essa maneira tão peculiar de adaptar a língua portuguesa. "Tais tola, istepô" Uma expressão usada para mostrar indignação, equivalente quase como um "Cê é doido, mano?" Ou ainda mais estranho, a conjugação dos verbos aqui também é igual ao ritmo de vida, bem sereno, quase arrastado. A forma verbal da 3ª pessoa do singular em vez da 2ª após tu: Ao invés de "Tu não falaste com ela ?" você ouviria "Tu não falasse com ela?" É o que te diria um nativo de Florianópolis, com forte costumes herdados pela colonização açoriana. Tu entendesse?

Quando os portugueses ainda habitavam nossos vilarejos, aqui os moradores ficavam conhecidos como Manézinho da Ilha, devido ao seu jeitinho peculiar, com o sotaque lusitano, meio puxado. Por isso talvez fosse "Manuelzinhos" e se transformou em "Manézinhos". Essa cultura açoriana é a herança mais forte que temos aqui. Se manifesta na cultura da pesca, na renda de Bilro, no boi de mamão. Muitas foram as etnias que contribuiram para a identidade de Floripa. Até hoje essa está em processo de criação. Logo, é evidente que a língua, idoma nativo ainda tem sim papel fundamental nas relações humanas, principalmente no papel de construir sua identidade e preservar seus costumes.

10330364_1403240943290467_5515599519757433816_n (1).jpg Praia das Galhetas - Há um sítio arqueológico com artes rupestres, registros em rochas milenares que estão naturalmente preservados pelo tempo.

Não vale dizer que conhece Floripa se não teve contato com as rendeiras de Bilro ou se não comeu uma tainha fresquinha. A tainha tem sua temporada de pesca iniciada em maio. Um incentivo à pesca artesanal, que gera fonte de renda para várias famílias e com isso, preservam esse costume herdado dos primeiros habitantes da antiga ilha do Desterro, hoje Floripa. Por isso, nessa época algumas praias a prática do surf é proibida. Então, a FECASURF- Federação Catarinense de Surf- fez um acordo entre os surfistas e os pescadores, para garantir a paz e a harmonia entre ambas às partes nesta época de pesca.

tainhas.jpg Temporada das tainhas - Fonte site: /campechefatosefotos s

Já a renda de Bilro, trata-se de uma prática de origem açoriana que é preservada pelos moradores mais tradicionais, que trança os fios em bilros, pequenas peças de madeira. O festejo do Boi de mamão se assemelha muito com o Boi Bumbá. Mas esse renderia um artigo inteiro tamanha a sua riqueza.

E você que pensa que o turismo aqui só existe no verão, vai se encantar com a temporada de observação das baleias no litoral catarinense. Fugindo das águas geladas do oceano Atlântico elas encontram em Floripa um lugar perfeito para poderem desovar suas crias. A temporada de acasalamento e reprodução baleias que abrem a temporada de acasalamento e reprodução no litoral catarinense.

tudo sobre floripa - caldeirão morro das pedras.jpg Espetáculo das baleias na Praia do Morro das Pedras(Caldeirão das Ondas) - Fonte Site: Tudo sobre Floripa

Orgulhosamente, a ilha leva o título da capital brasileira com melhor índice de desenvolvimento social e melhor qualidade de vida, segundo dados do último censo de IDHM de 2010 do IBGE:Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Recebe pessoas do mundo inteiro que aqui encontram um refúgio, um lugar perfeito para o ócio, e também para se permitir viver outras aventuras. Isso faz com que Floripa seja um lugar democrático onde as pessoas estão livres para expressar seus anseios. Esse fato também explica a beleza da diversidade de pessoas que aqui moram. Brasileiros de todos os cantos do país que se encantaram com essa ilha tão diferente do restante do país.

Uma das lendas que justificam sua atmosfera mística e quase mágica, foi a passagem do escritor e aviador Antonie Saint-Exupéry pela ilha catarinense. A arte já foi incorporada à paisagem do sul da ilha: Uma linda homenagem no nome de uma das principais avenidas do sul da ilha, nomeada "Pequeno Príncipe", título de sua principal obra.

Popularmente chamado pelos pescadores do bairro como "Zé do Perry" Segundo relatos dos pescadores, como o ilustre seu Deca, o francês gostava de comer peixe e biju e avisava pelo rádio quando estava próximo do pouso, para que seu Deca fosse preparando seu peixinho recém pescado. Então, o comiam juntos e, algumas vezes, passeavam em seguida. Nessa avenida, localizava-se sua pista de pouso, que posteriormente veio também a influenciar no nome do bairro e da praia Campeche, segundo as lendas da ilha.

Base aérea.

campeche.jpg Praia do Morro das Pedras e Praia da Armação. E no canto direito da imagem, a Lagoa do Peri.

"Champ Et Pêche" ou campo de pesca em português. A versão repercutiu e gerou discussões. Hoje a veracidade é evidente, e pode ser conferida no documentário realizado pelos estudantes da Unisul, intitulado "Zé Perry no Campeche"(2000):

E pra acabar com esse lengalenga de que toda história de pescador é mentira, o filho do Seu Deca, um suboficial aposentado da Aeronáutica, o pescador e músico Getúlio Manuel Inácio, publicou em 2001 "Deca e Zé Perry", um livreto que fala do pai, do Campeche e da amizade entre o pescador manézinho e o escritor francês.

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Encerro essa singela homenagem à esse lugar encantador que me acolheu, e me faz seguir apaixonada pela vida, com seu hino oficial:

Rancho de amor à ilha

Um pedacinho de terra, perdido no mar! Num pedacinho de terra, beleza sem par

Jamais a natureza reuniu tanta beleza jamais algum poeta teve tanto pra cantar

Num pedacinho de terra belezas sem par! Ilha da moça faceira, da velha rendeira tradicional Ilha da velha figueira onde em tarde fagueira vou ler meu jornal.

Tua lagoa formosa ternura de rosa poema ao luar, cristal onde a lua vaidosa sestrosa, dengosa vem se espelhar...

Zininho


Barbara Morena

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