miscelânea

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Fabíola Donadão

Me encantam o simples, o diferente e o divertido. Palavras são como o ar que respiro. Sem elas, não vivo

Meninos de Verdade só querem escolher como voltar

A história de três amigos adolescentes e o amor como a chave para a formação desses indivíduos.


A história de Leo, Giovana e Gabriel retratada primeiramente no curta Eu não quero voltar sozinho (2010), de Daniel Ribeiro, virou o belíssimo longa Hoje eu quero voltar sozinho, que conta com muita delicadeza como esses três amigos lidam com os anseios da adolescência.

Tanto o curta quanto o longa trazem à tona os desafios de Leo, um garoto cego, para adaptar-se ao mundo que “enxerga” e aborda com desvelo e sensibilidade o tema da homossexualidade.

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Pessoalmente, gosto quando temas dessa importância são abordados em contextos adolescentes. A adolescência é uma fase muito importante da vida. É a transição para a vida adulta onde os modelos são testados e os pensamentos ganham forma.

É o momento em que o jovem em formação precisa ser compreendido.

Ao refletir sobre essa compreensão, acabei por resgatar algumas questões fundamentais na educação dos meninos abordadas no livro Meninos de Verdade, do título original, Real Boys, de William Pollack, PhD, psicólogo e diretor do Centro Masculino do Hospital de McLean, vinculado à Faculdade de Medicina de Harvard.

A obra pode até parecer essencialmente focada no universo masculino, mas não é considerando-se a importância de se entender os meninos para ajudar também as meninas.

Pois bem, Pollack diz que “os meninos estão em crise” diante das mensagens da nossa sociedade quanto ao que se espera deles, enquanto meninos, e mais tarde como homens.

A criança do sexo masculino recebe, desde cedo, uma carga de responsabilidade sobre a importância de afirmar a sua hombridade. E tão logo, na adolescência, enquanto caminha para se tornar um jovem pensante, o menino é pressionado a se relacionar de novas maneiras.

Quando o menino é pequeno pedem-no para ser um homenzinho. Mas, quando ele cresce, o que ele vê? Muitas vezes, ele se depara com homens que agem feito crianças, falando de mulheres como bonecas de luxo, homens que desonram suas promessas e detonam-se verbalmente por conta do resultado da partida de futebol.

Não estou dizendo que os homens são assim, tampouco o filme se aprofunda nessa temática. Mas é que a mente viaja e acabei chegando nesta estação, onde noto, infelizmente, que existem exemplos como estes.

Meninos são naturalmente ativos e testam esses modelos, passando a compreender com rapidez o quanto são negativos e conflitantes.

É também por isso, cada vez mais comum nos depararmos com meninos em sérias dificuldades, mesmo quando parecem estar se saindo bem. Digo também porque existem os fatores internos, não apenas os sociais, com referência especial à família, que exercem grande influência nesse processo de desenvolvimento.

Pollack defende que os meninos estão confusos quanto ao que é esperado deles. Muitos se sentem isolados, e essa solidão pode durar por toda a meninice e continuar pela vida adulta.

Esse cenário, entretanto, muda se os compreendermos como são e se percebermos o que está por trás da máscara de masculinidade, que a maioria usa para esconder seus verdadeiros sentimentos e apresentar ao mundo uma imagem de machismo, rigidez e força. Desta forma, daremos a eles oportunidade de se conhecerem como realmente são.

O amor ainda é a chave mais poderosa, e sabiamente abordada no filme, para vencer qualquer barreira. E ele é tudo o que meninos e meninas precisam para serem livres e expressarem seus sentimentos sem serem julgados à revelia.

Meninos de verdade só querem ser acolhidos no seio de uma família que os reconheçam e os acolham como são sem se preocuparem com os estereótipos falsos e limitantes da sociedade.

Meninos de verdade só querem escolher como voltar.


Fabíola Donadão

Me encantam o simples, o diferente e o divertido. Palavras são como o ar que respiro. Sem elas, não vivo.
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