miscelânea

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Fabíola Donadão

Comunicóloga e Nutricionista Funcional.
Me encantam o simples, o diferente e o divertido. Palavras são como o ar que respiro. Sem elas, não vivo

A música das esferas

A “natureza inanimada” é bela e ordenada porque está em comunhão com a música da vida. É privilégio do homem tocar fora de sintonia.


music-995262.jpg Imagem: pixabay.com

No ano de 1863, o químico britânico John Newlands, descobriu que quando ele arranjava os elementos da matéria na mesma ordem que o peso de seus átomos, a relação de uns com os outros era exatamente a mesma exibida entre os tons na escala musical.

O modelo de Newlands, ou a Lei das Oitavas, não foi totalmente aceito entre os químicos de sua época, mas a organização entre os elementos da natureza e a influência dessa força na existência humana serve como base para o estudo da qualidade de vida até os dias de hoje.

Tanto é esse poder que a palavra “harmonia” está comumente ligada à saúde. Mas, o que é saúde? O que é harmonia?

Procurando por essas respostas, deparei-me com este lindo texto, também conhecido como “A música universal”, do Dr. J. D. Buck, médico maçom condenado como anti-Cristo e visionário em sua época.

Saúde é equilíbrio. É a vibração harmoniosa dos elementos e forças que compõem a entidade humana nos planos físico (corpo), mental (mente) e moral (espírito). Na esfera da vida é a canção, cujo tom é você quem dá, pois não existe certo ou errado, tudo é uma questão de sintonia.

stones-801756.jpg Imagem: pixabay.com

A Música das Esferas – J. D. Buck

(tradução livre do trecho retirado do livro The Philosophy of Natural Therapeutics, de Henry Lindlahr)

A ciência moderna já desvendou o suficiente da sabedoria de Pitágoras e outros mestres para afirmar que toda luz, toda cor, todo som, e cada forma na Natureza é dependente e determinada por diferentes vibrações. O feitio de cada ser vivo, a cristalização de cada floco de neve assim como cada substância física, os veios das folhas, o pincel e a fragrância de cada flor, não menos do que as formas de pensamento e o toque sutil das emoções humanas, são todos dependentes dessas vibrações. Todos eles obedecem às leis da harmonia e pertencem à Música das Esferas. Mais que isso, cada átomo da matéria no Universo está estabelecido nesta música. Quer esteja dançando na luz ou imergindo nos profundos e escuros buracos da Terra, cada um deles faz parte do diapasão universal da natureza. Para o Universo não há morte, mas literalmente o respirar e pulsar da vida, e a lei dessa vida é a harmonia.

Cada átomo, assim como cada sol e lua, através de movimento incessante, sob as leis da harmonia eterna, está lutando por equilíbrio. O homem sofre apenas porque ele está fora de harmonia consigo mesmo, com a Natureza e com a fonte eterna de seu próprio ser.

Cada dor é o choro de um órgão fora do ritmo; todo mal e todo delito nada mais é do que a tentativa do solista em ignorar a marca da orquestra a qual pertence, e na qual está indissoluvelmente ligado. São esses desacordes (ou desacordos) que abafam a Música das Esferas, e nós somos tão atentos sobre nossos próprios desacordes e tão ligados em nosso próprio desempenho, que ficamos surdos para a sinfonia da vida colocada diante de nós. E quando somos chamados à prestar contas, consolamo-nos à nós mesmos com a reflexão de que somos tão dissonantes quanto os outros membros da orquestra.

A Natureza é repleta de música, e somente existe por meio das leis da harmonia. O homem é somente desafinado.

A deslocação da matéria, ou a fricção de corpos em movimento com os elementos da nossa atmosfera não é o único movimento audível. O princípio básico do éter é o som, e muito antes do aparecimento do calor e da luz, a imensidão do espaço foi preenchida com vibrações ressonantes. Ambos, a resistência do éter e as revoluções solares são constantes e uniformes. A orelha humana é um órgão de ritmo, e é assim porque não há interrupções, nada para o som da rotação dos planetas, de modo que não ouvimos o som que eles fazem no espaço que também está em constante rotação.

Se a atração mútua dos planetas é determinada por suas dimensões e densidades, e eles são mantidos em suas órbitas pela força mútua da atração e da repulsão, então também a relação do movimento de cada um entre si e para com todos os outros deve coincidir. Mas, o que é isso senão a ação de diferentes instrumentos de variação tal e qual uma orquestra? A sinfonia da criação deve ser um fato e não uma extravagância, e o canto das estrelas da manhã uma realidade verdadeira. Há um lado subjetivo para os sensos físicos ou materiais, e este somente se torna ativo quando o outro lado é aquietado.

Nós precisamos apenas abrir nossas almas para a harmonia divina e silenciar os desacordes interiores, de modo a ouvir e entender a Música das Esferas.


Fabíola Donadão

Comunicóloga e Nutricionista Funcional. Me encantam o simples, o diferente e o divertido. Palavras são como o ar que respiro. Sem elas, não vivo.
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