mise en scène do mundo

A expressão, em todas as suas formas e compartilhada, é a independência do homem.

Fabíola Amaral

Publicitária com pensamentos críticos sobre cultura e arte.

A culpa do meu vício: o tabaco no cinema

A cada Ano Novo é uma oportunidade de iniciar uma nova fase, novas listas de conquistas e também de novas promessas. A cada fim de ano alguém – em algum lugar – já disse ou ouviu a seguinte frase: “No próximo ano, vou parar de fumar!”. Que o cigarro mata, nós já sabemos. Por que as pessoas fumam, longas histórias. Mas têm muitas dessas histórias culpando, justamente ele, o CINEMA.


cigarro - marlene.jpg Marlene Dietrich, anos 50.

Sem fazer demagogias e nem achar culpados ou mesmo iniciar um protesto, mas sim, mostrar essa relação de glamour e destruição na construção de arquétipos no cinema: o personagem fumante.

Uma planta descoberta há cerca de 500 anos na América, o maldito cigarrinho, aparece mais ligado ao ritual que envolve o ato de fumar do que à própria nicotina – na época da descoberta e até nos dias atuais.

Mas hoje, as barreiras da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê o controle sobre o comércio de cigarro, limites à propaganda, aumento de impostos e divulgação dos malefícios que ele causa.

Nas produções hollywoodianas, o fumar foi se assumindo como uma forma de afirmação na sociedade, status, rebeldia e até mesmo sensualidade. E não só nas telas, mas na vida, as pessoas assimilavam (ou assimilam) o hábito com essas características.

Marlene.jpg Marlene Dietrich em Atire a Primeira Pedra, 1939.

James Dean.jpg James Dean em Juventude Transviada, 1955.

Clint.jpg Clint Eastwood na Trilogia dos Dólares, anos 1960.

Audrey.jpg Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, 1961.

Uma Thurman - Pulp Fiction.jpg Uma Thurman em Pulp Fiction, 1994.

Iggy.jpg Iggy Pop e Tom Waits nos anos 1950, em Sobre Cafés e Cigarros, 2003.

A verba que a indústria de cigarro colocou no cinema nos anos de 1940 e 1950 foi responsável por números contraditórios: financiou filmes belíssimos e, por isso mesmo, criou o glamour do hábito, incitando muitos a fumar (se é que esse poder existe, não posso afirmar). Décadas antes o cigarro já servia, no cinema, de metáfora para a relação sexual (é possível notar isso em alguns filmes citados acima).

Toda essa história de cigarro no cinema me fez lembrar a série Mad Men. A série mostra a sociedade americana nos anos 1960 – em uma agência de publicidade. Destaca o tabagismo, alcoolismo, sexismo, feminismo, adultério, homofobia, racismo e antissemitismo. Mas principalmente, os criativos fumando sem parar no auge do conceito (assista, mas não se influencie).

Mad Man.jpg A série Mad Men estreou em 19 de julho de 2007.

Mas não só no cinema o famoso “fuminho” foi apresentado. Nas obras do século XVIII, do artista Francisco de Goya, o cigarro foi retratado em várias pinturas como La cometa, La Merienda en el Manzanares e El juego de la pelota a pala. Tem mais culpados nessa história!

eljuegodepelotaapalamusqk8.jpg El juego de pelota a pala, Museo del Prado.

Nos anos 1990 tudo mudou. Quem fuma passou a ser um excluído, chato e nojento. Foi quando a legislação norte-americana agiu de forma severa com a indústria do tabaco e o resto do muno seguiu seus passos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o aumento de 50% da tributação da matéria-prima do cigarro, poderia levar 49 milhões de pessoas a parar de fumar no mundo todo (camara.leg.br/camaranoticias).

E você, fuma por quê? Ou não fuma por quê? E no próximo ano, vai parar?


Fabíola Amaral

Publicitária com pensamentos críticos sobre cultura e arte..
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/cinema// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Fabíola Amaral
Site Meter