mixórdia

Uma mistura à base de música, teatro, cinema, prosa, poesia e café.

Laura Campos

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Dismaland: uma exposição de contos de fada sem final feliz

Em algum lugar no litoral da Inglaterra, Banksy criou uma versão sombria e nada infantil do parque de diversões mais famoso do mundo.


O artista desconhecido mais conhecido do mundo

Banksy é um dos artistas de rua mais conhecidos da atualidade. E embora seu rosto e até mesmo o seu verdadeiro nome sejam desconhecidos pelo público, seu trabalho se popularizou como manifestação crítica ao sistema capitalista, à política, às guerras e ao consumismo da sociedade atual.

Entre seus alvos estão personagens da cultura pop, figuras históricas e também chefes de Estado estampados em grafites que causaram grande polêmica e, ao mesmo tempo, conquistaram milhares de fãs.

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001.jpg Todos os direitos reservados a Banksy.

E o foco da vez foi o mundo encantado criado por Walt Disney; viagem dos sonhos para muita gente, a versão do parque imaginada por Bansky é sombria, melancólica e distante de qualquer magia:

“Você está procurando uma alternativa para a banalidade revestida de açúcar sem alma para um dia fora com a família? Ou apenas um lugar mais barato? Então este é o lugar para você – um novo mundo caótico, onde você pode fugir do escapismo sem sentido. Em vez de uma barraca de hambúrguer, temos um museu. No lugar de uma loja de presentes, temos uma biblioteca. Bem, temos uma loja de presentes também…”

Animador, não? Pois é exatamente essa a propaganda que anuncia a abertura da Dismaland.

003.jpg “É a nova atração mais decepcionante do Reino Unido.”

O parque

Batizada com um trocadilho formado pela soma de Dismal (sombrio) e Disneyland, a exposição foi construída nas ruínas de um parque aquático abandonado no litoral da Inglaterra, próximo à cidade de Bristol; um local inóspito, num terreno irregular, que se tornou o espaço ideal para abrigar as instalações de Banksy e de cerca de 50 outros artistas.

São estritamente proibidos “facas, tintas spray, drogas ilegais e advogados da Walt Disney”, diz o aviso na entrada, e balões com os dizeres “Eu sou um imbecil” também podem ser adquiridos com os funcionários do parque, identificados pelos coletes rosa fluorescente, tiaras com orelhas do Mickey e uma postura entediada e deprimida que combina com o local.

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006.jpg Imagens Reuters.

Segundo o próprio Banksy, a Dismaland é uma “exposição de arte e entretenimento para anarquistas principiantes”, misturando os brinquedos dos parques de diversões tradicionais a obras de arte contemporâneas, maquetes e até um cinema a céu aberto mas, claro, tudo com o toque de ironia e senso de humor ácido que se espera do idealizador do evento.

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009.jpg Imagens Reuters.

010.jpg Todos os direitos reservados a markwoolie.

Entre as principais atrações estão o castelo da Cinderela, onde a princesa se encontra morta em sua carruagem cercada de paparazzi que registram a tragédia enquanto o filme é transmitido num aparelho de TV, e também um grande tanque de água onde flutuam botes cheios de refugiados, e a brincadeira é pilotar a patrulha que persegue e atira nas embarcações.

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013.jpg Imagens Reuters.

011.jpg Imagem Luciana Dyniewicz - Folhapress

Pós-evento

Após 5 semanas de duração e cerca de 150 mil visitantes, a exposição chegou ao fim e Banksy anunciou que toda a estrutura do parque seria desmontada e enviada aos refugiados dos acampamentos de Calais, na França, para a construção de abrigos; uma pequena amostra de que o artista, no fundo, também procura por finais felizes.

E para quem não chegou a tempo de conhecer esse experimento artístico, ficam mais algumas fotos das atrações da Dismaland.

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022.jpg Imagens Reuters.


Laura Campos

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