mixórdia

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Laura Campos

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Retratos sobre o esquecimento

Um ensaio fotográfico sobre a luta contra o Alzheimer a partir da visão de uma fotógrafa e do convívio com a sua avó, portadora da doença.


Perda de memória, oblívio, esquecimento. De repente, você passa a desconhecer até mesmo a si próprio e aqueles que estão ao seu redor; não se lembra de seus compromissos, de onde vem ou para onde vai.

Não, isso não é um resumo de Identidade Bourne (2002) e também não é um processo opcional para apagar recordações como fez o protagonista vivido por Jim Carrey em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004).

Brilho_Eterno_001.jpg Todos os direitos reservados.

De forma simplista, o que as situações do início do texto representam são sintomas que podem levar alguém a perder a capacidade de realizar as funções mais básicas do dia a dia e, em seu estágio mais grave, sua própria identidade como ser social.

É um processo confuso e solitário, conhecido como Mal de Alzheimer.

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Ser uma doença sem cura e sem explicação exata para a sua ocorrência, torna o Alzheimer ainda mais difícil de ser compreendido. E é justamente neste cenário que o trabalho da fotógrafa norueguesa Britt M. chama a atenção.

Ela acompanhou de perto o envelhecimento de sua avó, a perda gradativa da memória e a tentativa de encontrar alguma familiaridade numa rotina que, a cada dia, se tornava mais estranha e distante.

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“Eu tinha uma avó que era sempre tão forte. Sempre tão assertiva e sempre tão disposta. Eu tinha uma avó que viveu mais 20 anos depois que seu marido faleceu, que manteve a sua rotina, todos os dias.

Então, um dia, eu tinha uma avó que não era mais forte, assertiva e disposta. Eu tinha uma avó que se esquecia de comer. Esquecia de alimentar os pássaros. Uma avó que, ocasionalmente, tinha dificuldades para se lembrar de quem eu era.”

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O resultado desse convívio foi registrado com grande sutileza e sensibilidade e transformado numa série de fotografias que ilustra a luta da avó para conservar seus hábitos mais simples como regar as plantas, ler um livro ou esperar os amigos para um chá.

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BrittM_007.jpg Todos os direitos reservados a Britt M.

A representação artística da visão de Britt M. sobre a doença traz uma dosagem equilibrada de delicadeza e melancolia construída a partir da interação de personagem, objetos e cenários, características que podem ser vistas também em outros trabalhos da fotógrafa, divulgados no Instagram ou em sua página do Facebook.

Fonte: Bored Panda


Laura Campos

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