moana moraes

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Moana Moraes

Visível, tocável e irreal.

Paquetá

Aquele pé quebra no galho, o nosso pé brota nas mãos.


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Aquele pé quebra no galho, o nosso pé brota nas mãos. Dedos enlaçados num amor-chocalho, apertados numa multidão de nervos. É o pé do amor, este (olham-se nos dedos) que nasce e cresce sem medo.

O pé nas mãos germina cedo, nasce um botão de zelo, para cuidar. Colorido da diferença dos nossos temperos num assimétrico coração aberto, que agora diz, me jurando que é sério: 'Ocupado, coração sem espaço'. O sorriso é largo, eu mostro os dentes fácil (ele fita seus dentes e faz ar de mistério).

No riso, tiro a sandália e ando descalço na terra. As cortinas de chita voam, bonitas, nas casas que estão com a janela aberta. O pé tá nas mãos, enraizado pós-primavera.

Plantados numa multidão de areia e mar, com chão de pedra, pro cavalo galopar, você me pede: 'Segura forte minha mão, não solta nunca mais, temo a falta que você me faz' (eles se abraçam bem debaixo do baobá). 'Não censuremos nossas asas', digo, com o dedo encaixado no seu umbigo. A gente se beija, eu fico sem ar.

Rega de calor, para o pé não secar, refresco de fim de tarde (olham-se nos passos). 'Me espreme forte entre seus braços'. Com o pé do amor crescente à lua, minha vergonha declara em segredo: 'Serei pra sempre seu melhor avesso, sou pra sempre sua'.

(Dão-se as mãos, engalhadas num monte de raízes).

Da vontade de ser todo dia um sempre começo, seguem uma vida toda naquelas ruas. Levam na bagagem aconchegos, corações e cicatrizes, umas minhas, poucas nossas, outras suas.


Moana Moraes

Visível, tocável e irreal..
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