João Ricardo

Criador criativo de criações aleatórias

SHIFT

No começo, o TEMA era o início da jornada criativa que findaria na altamente criativa e vanguardista Shift!. Este projeto iniciou com o envio de cartões postais convidativos para seus potenciais colaboradores, mundo afora. Os colaboradores vinham de diversas áreas artísticas como literatura, artes plásticas, multimídia, design gráfico, vídeo arte entre outras áreas que seus idealizadores acreditavam que poderiam ser interessantes como contribuição de conteúdo para o projeto final.


No começo, o TEMA era o início da jornada criativa que findaria na altamente criativa e vanguardista Shift!. Este projeto iniciou com o envio de cartões postais convidativos para seus potenciais colaboradores, mundo afora. Os colaboradores vinham de diversas áreas artísticas como literatura, artes plásticas, multimídia, design gráfico, vídeo arte entre outras áreas que seus idealizadores acreditavam que poderiam ser interessantes como contribuição de conteúdo para o projeto final.

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Até hoje é difícil categorizar a “mídia” na qual está incluída o projeto Shift!. Visto como um camaleão cultural que é reconhecido mundialmente por sua diversidade estética e variadas formas de produção gráfica, sempre relacionadas com o tema principal da atual edição. O movimento mutativo do material vai do CD-ROM para o livro, jogos de tabuleiros e embalagens nada usuais. Esse processo, deu origem a um projeto gráfico que, na época foi vanguarda e direcionou a maneira como experienciamos qualquer material artístico, esteja ele inserido na mídia eletrônica ou impressa. Iris.jpg

Seus parâmetros evoluíram com o tempo. Agora não se sabe o que esperar e quando esperar pela nova edição pois seu caráter totalmente experimental, longe da lupa comercial que, ao invés de ampliar a liberdade artística valorizada pelo projeto Shift!, condensa a criatividade dos artistas a padrões medíocres, regulares, que visam o lucro financeiro, focam no que está “IN” no momento. Eu ainda não sei muito bem o que este conceito de “IN” significa, ou melhor, não quero entender mesmo, como bom dissidente, prefiro o “OUT”, apesar de suas visíveis consequências.

Seus idealizadores, Anja Lutz e Lilly Tomec, referem a Shift! como um lugar onde criativos do mundo inteiro podem se encontrar através de sua arte, sem precisar se locomover para um lugar específico: Só precisam criar, livremente. A meta é não impor limites para a diversidade criativa. Pelo contrário, quanto mais diversificado melhor. Por esta razão que existem muitos colaboradores trabalhando no projeto, assim eles podem criar algo fora do ambiente comercial que acaba afunilando suas visões e padronizando sua criatividade.

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Shift! poderia ser visualizado como um playground infantil onde seus pais o deixariam sem supervisão para brincarem a vontade, em todos os brinquedos com todas as crianças. Seria um lugar que você não iria querer sair mais. Desejaria permanecer por tempo indeterminado. Um oásis artístico no meio deste deserto escasso da atual criatividade programada que se alastra cada vez mais, rotulada e autodefinida pelos meios de comunicação. O meio é a confinação e não a mensagem, muito menos a massagem. São poucas pessoas, hoje, que fariam este tipo de serviço, com pouco ou quase nenhum retorno financeiro a não ser os acordos “amigáveis” com as gráficas e seus colecionadores assíduos que, como HQ aficionados, são leais e mantêm a chama criativa acesa de seus colaboradores e a motivação de seus idealizadores para entregar um produto final único, um item de colecionadores que seria mostrado como objeto de arte nobre.

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Atualmente, com a revolução das mídias, a arte impressa perdeu o foco e só vão sobreviver aqueles que realmente se propuserem a fazer algo altamente criativo e inovador ou meramente diferente e intrigante. Não se trata de uma guerra entre mídias, como a guerra proclamada entre o vinil e o CD que não resultou em nada, só melhorou as duas partes, mas sim a mídia impressa se transformando, evoluindo talvez, tomando seu território, marcando sua área, elevando seus padrões de conteúdo. Estas características vão diferenciar aqueles que estão no negócio pela paixão daqueles que só querem que as pessoas comprem suas publicações e paguem por isso, sem se preocupar com o conteúdo ou o consumidor, com a forma ou os padrões criativos da produção.

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Tudo que é midiático deve ter algum diferencial, principalmente na mídia impressa e a Shift! continua a elevar seus padrões e manter a liberdade criativa de seus colaboradores como força motriz que transcende o tempo. As novas mídias digitais só mudam a maneira física de entregar a informação, mas esta está corrompida, filtrada editada e revista, tem pouco a acrescentar na vida cultural das pessoas que consomem gadgets eletrônicos como forma de ostentação ao invés de praticidade de consumir informação rica e necessária.

Os sinais de trânsito nas estradas da evolução pessoal foram trocados por aquele no “poder”, sem as pessoas perceberem. A questão é: Tanto faz ou Vou pensar muito bem antes de seguir um sinal de trânsito que pode me levar a um vírus mortal e acabar com minha capacidade de pensar construtivamente, transformando meu cérebro num receptáculo de baboseiras inúteis?

Você sempre tem uma escolha.

Baseado, superficialmente, no artigo de Deborah Burnstone para a revista EYE #37.


João Ricardo

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