João Ricardo

Criador criativo de criações aleatórias

(Des)construção mágica

É ótimo encontrar algo inesperado no dia a dia.


Considerada uma das principais artistas plásticas contemporâneas do Brasil, a mineira de Governador Valadares e radicada no Rio de Janeiro formada em filosofia, ganhou o mundo fazendo o que gosta e também aquilo que ainda não pode dar um nome. Segundo ela, não é performance, mas também não chega a ser objeto.

o magico nu.jpg “Nunca encontrei nenhuma palavra satisfatória. Tenho um glossário interno em minha obra que me serve muito bem”.

Na obra 'O Mágico Nu', ela desconstrói a prática do mágico tirando-lhe as mangas de seu paletó. Se, como sabemos, seus truques estão debaixo da manga, se essas forem tiradas, o que sobra? “Este mágico possui as mangas curtas, seus segredos estão expostos, sua oficina-ateliê tem prateleiras ortogonais e caóticas. O mágico faz esculturas incessantemente, organiza e desorganiza a estante constantemente”. Uma vasta quantidade de objetos (des)organizados em prateleiras num lugar aparentemente sem começo meio e fim, onde o mágico se (des)faz de sua arte. Fica sem rumo, perdido entre o caos que sua vida representa depois que suas mangas foram-lhe cortadas.

novos_costumes_06.jpg Novos costumes.

Vasta pela sua plasticidade, o observador se depara com um mundo totalmente (des)construído, com objetos aleatórios por toda parte como se fosse uma jogo de 'lego'. Peças são expostas para que a pessoa faça sua própria obra, crie sua própria realidade, sua identidade a qual vai ser invariavelmente diferente da realidade do próximo espectador. A intenção imita a própria vida, onde inúmeras realidades alternativas estão acontecendo neste exato momento, em todo e qualquer lugar sempre haverá outros 'caminhos' do que os nossos, que nunca serão experienciados.

duas_arvores_invertidas.jpg Duas árvores invertidas.

“O narrador dessa história é o deslocamento do espectador no espaço. O espectador monta seu próprio arsenal poético”. Laura Lima foi a primeira artista brasileira a vender uma performance: em 1995, 'Quadris', na qual duas pessoas encaixadas pelos quadris formam um caranguejo e se deslocam pelo ambiente, faz parte agora do rico acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

quadris.jpg Quadris.

monte de irônicos.jpg

“É ótimo encontrar algo inesperado no dia a dia.”

E essa afirmação resume o que a arte significa. Algo que inquiete, cutuque, faça a pessoa pensar, pergunte, não responda, deixe uma pulga atrás da orelha do observador que o faça ir atrás, correr para adquirir conhecimento sobre o que vê, sobre o que está lhe 'importunando'. A arte ajuda as pessoas a buscarem informação e isso não tem preço.

5_divulgacao.jpg

Não é tão fácil encontrar seu trabalho 'on-line', muito menos é divagar sobre ele. Mas sortudo é aquele que o encontra, por que seus trabalhos são vastos e se deslumbram em diferentes mídias. Somente com a opinião da própria artista que podemos construir alguma coisa concreta de sua arte. Em uma recente aparição no canal Arte1, Laura Lima fala mais sobre suas 'performances' que não deveriam ser chamadas assim.

laura-lima.jpg


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