João Ricardo

Criador criativo de criações aleatórias

O colorido transformador de Emma Coulter

Então ela não está só ‘pintando a parede’ com cores vibrantes, ela está sim, num olhar mais profundo, recriando a realidade, questionando a relação entre pintura e ambiente, causando uma ilusão no espectador que vai além do espaço em si e acaba coincidindo com a história da pintura e seus movimentos mais interessantes.


É quase que surreal eu dizer que adoro cores. Mais precisamente blocos de cores geométricos. Talvez foi isso que me chamou a atenção no trabalho de Emma Coulter. Ou talvez não. Ou pelo fato da singularidade e da plasticidade de seu trabalho ser simplesmente puramente simples, como tudo na vida deveria ser. Emma Coulter nasceu na Irlanda do Norte e vice e trabalha em Melbourne, na Austrália. Ela tem sido finalista e ganhadora de inúmeras competições e premiações. Recentemente ganhou o Linden Art Pize de 2016, o Fiona Myer Award for Excellence em 2015, entre outros.

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A artista trabalha com a intenção de transformar, de construir o ambiente em que está trabalhando através de seus padrões de cores e formas vivas e altamente impactantes. Ela absorve o que o concretismo tem de melhor e adiciona uma pitada kitsch ao seu trabalho promovendo a discussão entre o velho e o dito ‘novo’ e com isso expandindo barreiras através da conversa entre linguagens, entre modos de ver o que culmina na relação entre o que é historicamente considerado como um ‘movimento’ artístico e o que hoje é considerado como ‘decadente’. Sua conversa expressa as conexões entre o ‘alto’ e o ‘baixo’ das práticas estéticas, o que é intelectual e o que é meramente ornamental.

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A disposição de seus ‘traços’ coloridos modificam a superfície em que estão. Dependendo de onde se olha, se vê uma nova imagem. Esta noção está relacionada com a discussão do que é ‘belo’ e o que não o é. A relação entre o que vale a pena ser visto e aquilo que é simplesmente descartável. Sua arte libera questões, intriga o espectador que fica de certa maneira compelido em saber o que está acontecendo.

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A relação espaço, forma e cor é trabalhada com esmero e no decorrer do tempo com dedicação e perseverança a prática reforça seu trabalho, sua maneira de exteriorizar, seu fazer artístico é cada vez mais testado e à medida que seu processo vai se desenvolvendo, a plasticidade de sua obra vai ganhando corpo.

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O elemento principal da obra de Emma Coulter é a cor. Ela explora a singularidade da sua potência visual para poder fazer a viagem entre os dois opostos, o ‘bom e o ruim’ (se é que isso existe mas enfim...), para deformar ou transformar um ambiente em criar uma situação inexistente sem a sua intervenção artística numa parede por exemplo que antes era sem cor e fria, agora passa a conter um significado, uma narrativa, um conceito. Então ela não está só ‘pintando a parede’ com cores vibrantes, ela está sim, num olhar mais profundo, recriando a realidade, questionando a relação entre pintura e ambiente, causando uma ilusão no espectador que vai além do espaço em si e acaba coincidindo com a história da pintura e seus movimentos mais interessantes.

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João Ricardo

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